quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Orango Parque Hotel - Guinea Bissau - Bijagos PT _ Mozinhos
Núcleo Museológico do Lagar de Azeite - Mozinhos
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Mozinhos - Capitães de Abril - Literatura
Faleceu Gertrudes da Silva, Capitão de Abril, nascido em Alvite, Moimenta da Beira
Morreu hoje em Viseu, aos 75 anos, Diamantino Gertrudes da Silva, Capitão de Abril, que à data da Revolução dos Cravos comandou as tropas sublevadas idas de Viseu para Lisboa, com as companhias de Aveiro e da Figueira da Foz, e que na marcha gloriosa teve a seu cargo a tomada da prisão de Peniche. Foi uma figura decisiva na gesta heróica da inesquecível madrugada. Era natural de Alvite (1943), concelho de Moimenta da Beira, e, por ser “um dos nossos maiores cidadãos, com um percurso de vida imaculado e um gosto especial por tudo o que era nosso”, o presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, curvado à “grandeza e nobreza de vida e de espírito” de Gertrudes da Silva, endereça à família as mais sentidas condolências.
Faleceu graduado de coronel das Forças Armadas, mas ficou para sempre a memória do Capitão de Abril, Herói de Abril. Ingressou na Academia Militar em 1963, seguindo a carreira de Oficial do Exército na Arma de Infantaria. Cumpriu duas comissões na Guerra Colonial, a 1ª em Angola e a 2ª na Guiné.
Integrou o Movimento das Forças Armadas, tendo-lhe sido conferido aquela missão relevantíssima para o sucesso da Revolução de Abril. A sua coragem (e espírito de missão patriótico) foi distinguida com várias condecorações de âmbito especificamente militar, sendo ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pela sua particular participação no Movimento do 25 de Abril de 1974.
Dois anos depois da Revolução dos Cravos quis obter ferramentas que lhe permitissem compreender melhor a evolução histórica, matriculando-se em 1976 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, concluindo a licenciatura em História em 1980.
Desenvolveu nas últimas décadas uma intensa actividade cívica através da apresentação de comunicações, em várias instituições, nomeadamente nas escolas.
No campo literário desenvolveu também intensa actividade, tendo publicado uma trilogia inspirada nas suas vivências da guerra colonial (“Deus, Pátria e... A Vida”, Palimage 2003; “A Pátria ou a Vida”, Palimage 2004; e da Revolução do 25 de Abril “Quatro Estações em Abril”, Palimage, 2007). Para além disso publicou ainda “Tempos sem remissão”, Palimage, 2011, livro de saborosa escrita aquiliana por onde perpassam sagas familiares da terra onde nasceu em tempos de Estado salazarista/fascista.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Mozinhos - O Menino da Serra, do Rio e do Moinho
O Menino da Serra, do Rio e do Moinho
-
Oh Abel! Oh Abel! – Gritava Lucinda, do alto da serrania para a margem do rio. Todavia,
parecia que a voz de Lucinda ia nas asas dos gaviões, de serra a serra, de cume
a cume e à margem do rio, à olga e ao lameiro, apenas se aquietasse o marulhar
das águas, ora, ali mansas, mansinhas, acolá, logo ali, adiante, saltitantes,
alegres, serpenteando, cantando melodias onomásticas: Aquilino, Aquilino,
tra,tra,ta…ta, ta…
Abel
cuidava da levada, no sentido de toda ou quase toda a água, desviada do leito
do rio, por força do açude, plantada em toda a extensão, estorvando o natural
deslize rio abaixo, fosse de encontro ao moinho. Aí sim, cairia sobre o rodízio
cuja gravidade conferiria a força hídrica necessária para que o dito rodízio
fizesse rodar a mó andadeira e, por sua vez, grão a grão, a partir do olho da
mó, a farinha se amontasse no panal.
Abel,
absorto, sem ouvir o chamamento da sua Lucinda, de sachola em punho, tapava
todos os orifícios, canais construídos pelas toupeiras: malditos energúmenos – vociferou ele e repetiu e repetiu no seu
monólogo. Tanto repetiu sobre as melodias das águas em fundo: tra, tra, ta zu,
zu, zu… que até da onomatopeia se alheava – a rã continuava a coaxar, o pombo
bravo a arrulhar, e Abel continuava: infernais,
malditas e energúmenos toupeiras. Já, pertinho do moinho, ao cabo da
levada, cessaram todas as onomatopeias e outras melodiosas e naturais vibrações
do Parnaso, Ali, só a queda da água ecoava do alto sobre o rodízio e, este,
girava, fazendo guinchar a mó: ru, ru
aquilino, rum, ru, aquilino…
Abel
entrou no moinho, recolheu e pesou a farinha, recargou a moenga de grão de
centeio, apertando ainda mais o veio para que a farinha saísse fina, quase em
pó, ao gosto do senhor José Santa Maria, cliente seguinte, e saiu: mó parada não faz farinha, anda moleiro
– atirou, no seu monólogo, e repetiu, e repetiu, carreiro abaixo até ao rio,
mesmo ao ponto onde a água, desviada, se voltava a juntar ao caudal, depois de
mover a mó do Abel e com capacidade para rodar a do Gregório, logo, ali, a
jusante. A mesma corrente não volta atrás no leito, porém, até à respectiva
foz, fará mover quantos rodízios lhe surgirem, basta que mão humana a conduza…
-
Abel! Abel! – Clamou por si o moleiro vizinho, o Gregório da Conceição.
-
Senhor. – Respondeu Abel, de pronto, cessando o monólogo de: mó parada não faz farinha, anda moleiro…
-
Oh rapaz, vais para aí com uma ladainha… Deste agora em falar sozinho, sais ao
teu falecido avô Júlio que não se calava, por aí a imitar a passarada, a
raposa, as perdizes, olha: até os lobos…
-
Ouça, senhor Gregório, não ouve aquele pombo a chamar a minha Lucinda:
Lu-ciiin-daaaa; Lu-ciiin-daaa?
-
Tem juízo, rapaz, senão ainda te mandam para uma casa de correção dos doidos…
-
Oh, não faltaria lá doidos, sem contar com os que se dizem de juízo perfeito…
-
Lá isso, mas não me estás também a chamar tolo, pois não?
-
Oh senhor Gregório, pela alma de quem lá tem: não senhor, por amor de deus…
-
Está bem, está bem rapaz, anda daí beber um caneco, anda cá homem!
-
Não senhor, bem-haja, fica para outro dia: escute, lá está o diabo do pombo:
Lu-ciiin-daaa, Lu-ciiin-daaa.. E olhe que o rodízio também não para com a
cantilena: Aquiii-liii-nooo, Aquiii-liii-nooo, Aquiii-liii-nooo…
-
Homeça, rapaz, hã, hã, hã.. – Ria-se o moleiro Gregório, dando meia volta,
enquanto Abel alargava a passada de regresso a casa, deitando, por cima do
ombro:
-
Até à manhã, senhor Gregório, se deus quiser!
-
Vai com deus, rapaz. - Ainda retorquiu Gregório.
Lá
do alto, da serrania da Retorta, o sol escapulia-se, escondendo-se, em forma de
bola vermelha. Abel não queria voltar a casa noite cerrada. Temia que, em pleno
baldio dos urgais, lhe saísse, ao encontro, um lobo, até um gato bravo receava
e o regougar da raposa, o pio do mocho e o canto noctívago do noitibó traziam-lhe
à memória maus presságios. Por isso, apressou-se, a trote, como o seu cavalo, o
mulato, que deixara na corte a descansar das estafas dos habituais carregos de
grão e de farinha de e para o moinho, bem como das cargas de fenos e de lenha a
que submetia o quadrupede. Ali, em pleno monte dos urgais, entre urzes,
giestas, estevas, rosmanos, carrascos e pinheiros, podia imitar o pombo –
Lu-ciiin-daaa, Lu-ciiin-daaa; o rodízio – Aquiii-liii-nooo… Lá prosseguiu no
seu monólogo, mas parou, repentinamente, ao recordar-se dos reparos que lhe
tinha feito o moleiro Gregório. De facto, para quê, por que razão ele se
comportava como o seu avô, objecto de troça por causa daquela mania de falar
só…
Calou-se
e pensou: disparate – os pássaros não
falam e o pau do rodízio precisava era de azeite ou de óleo como se costuma
fazer nas novas moagens, lubrificando os gonzos…Diabo das máquinas que vieram a
acabar com a freguesia, qualquer dia não há quem queira farinha dos moinhos.
Vai tudo para as máquinas: a maquia é menor, é rápido e mói todo o ano, o diabo
do vapor não falta como a água do rio; a caldeira arde sempre…
Ia
com pressa, as pernas galgavam pedras, montículos e de mais obstáculos, pelo
carreiro. Ao abeirar-se da fonte comunitária, guindou-se à direita, pelo atalho
do olival, rente ao castanheiro grande, na margem do ribeiro, a passarada
levantou voo, esbaforida, face à inusitada presença humana, àquela hora, de
aconchego a fim de dormir empoleirada. Aquele castanheiro não era apenas a sua
árvore das castanhas, era também uma casa, uma morada, um abrigo da bicharada,
ali nidificavam: papa-figos, estorninhos, melros, pintassilgos, chapins, até
cotovias, em covinhas, ao toro, no chão.
Abel
entrou na povoação e não via mulheres, nem crianças, só homens a descansar nas
soleiras e paredes dos quintais, conversando e afagando os fiéis cachorros.
Abel deu as boas noites e todos responderam num tom diferente, parecia que
sabiam algo que a ele escapava. Ao chegar, junto da sua habitação, logo ali, a
criançada a brincar no chão, curiosos, uma menina a fazer de parideira e uma
outra a imitar o grito de um recém-nascido. Entrou, empurrando a porta
semicerrada, lá estava o mulherio, ainda ouviu a tia Soledade: é bem redondinho, benza-o deus…
Pronto!
Abel percebeu que a sua Lucinda tinha parido um menino, um filho de ambos e, em
voz alta atirou:
-
Bem me avisou o pombo e o maldito rodízio!
-
Que é homem, que estás para aí a arengar? – Intrometeu-se a sua mãe, A senhora
Ana Luísa, enquanto as outras sorriam, principalmente a sua mulher que sorria
também, refeita do esforço, e reconfortada com uma canja de galinha, acabada de
sorver.
-
Eu chamei-te do alto quando me deram as dores, não ouviste… - Adiantou Lucinda,
feliz.
Aos
pés da cama, sobre uma tabuinha, a fazer de prateleira, permanecia o seu único
livro, “Quando os Lobos Uivam” Aquilino Ribeiro, pôde ler na respectiva
lombada. Abel atirou, determinado:
-
Vai chamar-se Aquilino! Aquilino, como o do livro. – Apontou para a
prateleirita…
Pronto!
O menino acabado de vir ao mundo, mais um herdeiro dos hábitos e dos costumes
das gentes da serra, das courelas, dos lameiros, das hortas, dos soutos e de um
infindável de encantos da ruralidade ficou de nome próprio, Aquilino, o menino
da serra, do rio e do moinho.
Foi
assim que Abel quis registar o seu filho no registo civil da devida repartição,
na vila.
O
funcionário perguntou:
-
Hora e dia do nascimento? - Abel retorquiu:
-
Às 7 horas de sábado.
-
Sábado, dia 14, foi de manhã ou à tarde? – Voltou o funcionário.
-
À tarde.
-
Então, nasceu às dezanove, homem…
-
Nome completo?
-
Aquilino Augusto Bouça Ribeiro.
-
Não fica melhor Aquilino Augusto de Bouça Ribeiro?
-
Sim, sim senhor, fica melhor, soa melhor – de Bouça Ribeiro, Aquilino Augusto
de Bouça Ribeiro.
-
Que raio de nome, homem, não podia ser João, Manuel, Luís, António, sei lá,
agora Aquilino.- Contestou o funcionário, desagradado com o nome Aquilino.
-
Faz-me lembrar o reviralho… - Retornou, ainda, mostrando má cara a Abel.
-
Pois, É Aquilino que fica – Respondeu Abel. Pagou, e saiu de cédula do filho,
em mãos…
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Mozinhos - Mó do Pingarelho
Mozinhos, mó descoberta na casita que foi de Isaías Augusto Macena (27/06/1896-27/06/1954), o pingarelho, talvez proveniente de antigo moinho do Rio Bom... poderá ter sido mó movente manual, já que ostenta um orifício onde se colocaria um apetrecho para a manobrar (manualmente). No entanto, falta análise capaz.
O que se pode afirmar, com segurança, é de que foi achada no pequeno quinteiro cuja última utilização foi do casal: Soledade dos Prazeres Peixeira (prima do Isaías) e Daniel de Jesus Aguiar (este natural de Britelo). A pequena casa com o respectivo quinteiro foi construída em 1862 - um esperto, espertalhão, sabichão qualquer do município de Penedono classificou-a como de herança judaica (o único processo de heresia que consta nos arquivos da inquisição, relativo à actual freguesia do Souto é o da moleira Maria Lopes do Rio Torto, 1728, mesmo este tal como a generalidade dos processos do concelho deve-se a acções de vingança e usura, excepto a dois de Penela que aí se verifica raiz judaica). Todavia, nada desses vestígios, nos Mozinhos, aliás, já ruiu por completo (a própria autarquia que a tinha classificado a arrasou (demolindo-a) na recente abertura de um caminho largo para combate a eventuais incêndios). Fazendo uma retrospectiva histórica e familiar do Isaías que a terá herdado dos seus pais (José Joaquim Macena - de Custóias- e Maria dos Anjos da Costa Peixeira); por sua vez, Maria dos Anjos da Costa Peixeira era filha de Leonor do Nascimento e de Manuel António da Costa Peixeira - este natural do Souto; Leonor do Nascimento era filha de Maria José e de Alexandre José ( este natural de Bebeses); Maria José era filha de Bárbara Maria e de Manuel Gregório. Tendo em conta a data de construção, que esteve inscrita na lage sobre a porta de entrada (1862), talvez essa data se reporte à época de Leonor do Nascimento (falecida em 1877)/ Manuel António da Costa Peixeira (falecido em 1880, depois de ter ainda casado, em segundas núpcias, com Luísa do Nascimento de Bebeses, da qual não deixou filhos, ficando, portanto, os dois do primeiro casamento (com Leonor): António Bernardo da Costa Peixeira e Maria dos Anjos da Costa Peixeira. Refira-se, a propósito, que a povoação dos Mozinhos só existe a partir do século de (XVII), porventura, por volta de 1630/50. Antes, segundo doação do século X (960), existiu aí um pequeno mosteiro. No primeiro inquérito demográfico de que há registo, 1527, habitavam nos limites da actual freguesia os seguintes moradores: 21 (Souto); 11(Arcas); 1(Trancosã).
Mozinhos - 24/09/2018.
.
O que se pode afirmar, com segurança, é de que foi achada no pequeno quinteiro cuja última utilização foi do casal: Soledade dos Prazeres Peixeira (prima do Isaías) e Daniel de Jesus Aguiar (este natural de Britelo). A pequena casa com o respectivo quinteiro foi construída em 1862 - um esperto, espertalhão, sabichão qualquer do município de Penedono classificou-a como de herança judaica (o único processo de heresia que consta nos arquivos da inquisição, relativo à actual freguesia do Souto é o da moleira Maria Lopes do Rio Torto, 1728, mesmo este tal como a generalidade dos processos do concelho deve-se a acções de vingança e usura, excepto a dois de Penela que aí se verifica raiz judaica). Todavia, nada desses vestígios, nos Mozinhos, aliás, já ruiu por completo (a própria autarquia que a tinha classificado a arrasou (demolindo-a) na recente abertura de um caminho largo para combate a eventuais incêndios). Fazendo uma retrospectiva histórica e familiar do Isaías que a terá herdado dos seus pais (José Joaquim Macena - de Custóias- e Maria dos Anjos da Costa Peixeira); por sua vez, Maria dos Anjos da Costa Peixeira era filha de Leonor do Nascimento e de Manuel António da Costa Peixeira - este natural do Souto; Leonor do Nascimento era filha de Maria José e de Alexandre José ( este natural de Bebeses); Maria José era filha de Bárbara Maria e de Manuel Gregório. Tendo em conta a data de construção, que esteve inscrita na lage sobre a porta de entrada (1862), talvez essa data se reporte à época de Leonor do Nascimento (falecida em 1877)/ Manuel António da Costa Peixeira (falecido em 1880, depois de ter ainda casado, em segundas núpcias, com Luísa do Nascimento de Bebeses, da qual não deixou filhos, ficando, portanto, os dois do primeiro casamento (com Leonor): António Bernardo da Costa Peixeira e Maria dos Anjos da Costa Peixeira. Refira-se, a propósito, que a povoação dos Mozinhos só existe a partir do século de (XVII), porventura, por volta de 1630/50. Antes, segundo doação do século X (960), existiu aí um pequeno mosteiro. No primeiro inquérito demográfico de que há registo, 1527, habitavam nos limites da actual freguesia os seguintes moradores: 21 (Souto); 11(Arcas); 1(Trancosã).
Mozinhos - 24/09/2018.
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quarta-feira, 4 de julho de 2018
Douro Sul - apontamentos, imprensa
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Douro Sul - apontamentos
Douro Sul –
apontamentos
Sinopse
Do megalitismo, civilização
castreja, romanização, invasões godas, ocupação islâmica, reconquista cristã,
ao povoamento e organização administrativa do território, aqui fixamos imenso
do nosso legado histórico, social, cultural, político e económico.
Realçámos as lutas fratricidas
havidas no espaço geográfico de entre Viseu e Lamego; a exaração documental
primeira de São João da Pesqueira e de Penela (1055-1065), Numão (1130),
Penedono (1195); a descrição e caracterização do património edificado,
nomeadamente, do segundo corredor de defesa e de segurança do Douro Sul.
Enaltecemos e transcrevemos
muitos dos documentos e memórias, particularmente as episcopais,
administrativas e paroquiais, que nos regeram, moldaram e definiram aos logo
destes séculos.
Compilámos os registos paroquiais
na integra de gente que edificou, povoou e desenvolveu lugares actualmente
desertos, onde a nossa observação quase nada retém dos vestígios desses
moradores dos séculos: XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.
Entre os primeiros forais outorgados a povoações localizadas
dentro das actuais fronteiras do território português, o mais antigo é o de S.
João da Pesqueira e vilas circunvizinhas.
Na confluência do Rio Bom, que outrora poderia ter outro
nome, com o Rio Torto ficou situado um povoado designado Mozinhos. O étimo
deste topónimo, antiquíssimo, está no latim: monachinos (de monachu: monge),
talvez directamente, pois não se pode provar que tenha existido um termo como
Mouzinho ou mozinho do nosso léxico arcaico ou proto-histórico, pelo que o
significado do topónimo é monástico…
Concordando com Almeida Fernandes, o fundador e primeiro rei
de Portugal nasceu e foi criado no distrito de Viseu, ou seja, veio à luz no
Paço da cidadela de Viseu e medrou nas terras de Lamego, como dissemos, região
de larga influência moçárabe, quiçá, o seu próprio educador.
Paulo da Fonseca -Estatuto social: cristão-velho -Idade: 50
anos -Crime/Acusação: bigamia-Cargos, funções, actividades: alfaiate
-Naturalidade: Lugar de Covas, termo de São João da Pesqueira -Morada: Lisboa
-Pai: Filipe da Fonseca -Mãe: Ana Domingues -Estado civil: casado -Cônjuge:
Beatriz Rodrigues -Data da prisão: 24/02/1616.
Maria Lopes -Estatuto social: cristã-velha -Idade:
35 anos -Crime/Acusação: heresia -Naturalidade: Rio Torto, freguesia de Souto
de Penedono, bispado de Lamego -Morada: Rio Torto, freguesia de Souto de
Penedono, bispado de Lamego -Pai: Daniel Rodrigues, moleiro -Mãe: Maria Lopes-Estado
civil: casada Cônjuge: Gaspar Rodrigues, moleiro.
Trancosã: 01-11-1834, faleceu Padre José António
Martins, do lugar da Trancosã, recebeu todos os sacramentos e foi sepultado
nesta igreja de São Pedro do Souto, junto ao altar…
Mozinhos: 01-03-1880, às 10 horas da manhã,
faleceu Maria da Assunção, de 70 anos, casada com Joaquim António de Aguiar,
tecedeira, natural de Bebeses, filha de António José Correia, proprietário, e
de Maria do Espírito Santo, governanta da sua casa, naturais de Bebeses, deixou
2 filhos.
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