sábado, 1 de junho de 2013
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Horas Extraordinárias
Não colocaria a questão apenas ao nível da produção. Isso levar-nos-ia a
muitas considerações acerca da origem, das qualidades e das motivações dos
diferentes autores portugueses, pelo menos a partir dos meados do século XIX.
Preocupa-me o ambiente sociocultural nas diferentes regiões do nosso território
- os hábitos de consumo, as reais ofertas e, sobretudo, a falta de qualquer
coisa que arrede esta desertificação voraz. Aqui não se trata de distâncias em
alcatrão. Lisboa ficará muito longe de Loures, Odivelas e Amadora, muito mais
perto do Porto e de Almada e até de Viseu... Acontece que num concelho de 100
mil habitantes como Viseu não há oportunidades - havia umas livrarias engraçadas
e uns grupos de trabalho interessantes, mas fecham por questões económicas.
Temos o Teatro Viriato aflito com falta de verbas e a mania de resgatar
princípios gastos ligados a uma igreja teimosa e salazarenta, porém há muita
gente com vontade de fazer coisas boas e interessantes. Nos arredores de Lisboa
(não a margem esquerda) é um deserto - milhares de convencidinhos metidos nas
casas hipotecadas e estupidificados que nem portas...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
MOZINHOS
Viagem por Terras de Penafiel
Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Não sei como o topónimo Mozinho se radicou para sempre no monte mais importante da Terra de Penafiel. Na meia-idade, é sabido, abundavam no país os sacristães, a que, de modo geral, se dava o nome de mozinhos, se bem que não era denominação exclusiva. Os mozinhos eram moços, e outros sim adultos, que serviam nos templos, mediante remuneração, algumas vezes destinados à vida eclesiástica. Viterbo fala-nos até de uma Confraria de Moozinhos existente em Coimbra no ano de 1281. Há muito que desapareceram os nossos mozinhos. O mais novo do meu conhecimento vivia no final do séc. XVI. Vi-o num assento de baptismo, letra do tempo, da freg.a de S. Romão do Coronado, era de 2-12-1590. Espanha ainda tem hoje os monaguillos ou monacillos, irmãos dos nossos mozinhos, quanto ao nome e sua origem. No séc. XVIII, têm-me aparecido uns ermitães a morar junto a capelas confiadas à sua devota guarda. Vou referir-me apenas a dois, ambos chamados Domingos, que viveram nas cercanias da «Ermida da Senhora da Lapa ou Santo António» (sic), da freg.a de S. Martinho de Lagares. O primeiro, Domingos Alves, já se encontrava «Velho de ssetenta annos de hidade» quando fez o seu testamento, em 20-6-1710, que possuo em cópia, por inteiro. O meu regalo era transcrevê-lo todo aqui, tão formoso é aquele testamento! (E aonde o espaço para tanto?). O outro ermitão, Domingos do Sacramento - nome tão sugestivo! - vem nomeado numa escritura de doação, feita em 11-9-1748, de que também tenho cópia fiel. Os outorgantes dessa escritura, senhores que eram da «Caza de Ordins», disseram que doavam à referida «Capella e a seos eremitoes» um cerrado contíguo à mesma, porque estavam muito agradecidos ao Domingos do Sacramento, pelo seu grande zelo em manter «a dita Capella bem ornada e venerada». Tais ermitãos, a bem dizer eram sacristães daquele tempo, herdeiros do ofício dos mozinhos de antanho. (Ainda há poucos anos ouvi chamar «ermitão» ao sacristão do Bom Jesus, em Braga). Depois disto, alguém achará impossível imaginar um mozinho, em serviço de sacristão, junto da ermida de S. Antão (fora de dúvida, muito anterior a 1622), ou então muito perto do Mosteiro das Freiras? Por mim, teimo em vê-lo em tal sítio, a uma distância plurissecular, a projectar-se, no futuro, mercê de uma simpatia tão forte criada na alma do Povo que fez que ele identificasse o monte com a veneranda pessoa do Mozinho.
MONAQUINO
In jornal Notícias de Penafiel, 1969-05-16, p.04
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candeiavelha às 00:04 | link do post
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Poemas - Antologia 750 Anos D. Dinis (1261-1325)
Cantiga de Amigo a D. Dinis
Ai Reino, ai nações de verde tino,
Se sabeis novas do vosso destino!
Ai Deus, como será?
Ai Reino, ai nações do verde voo,
Se sabeis novas do meu ardor!
Ai Deus, como será?
Se sabeis novas do vosso destino,
Aquele que mentiu e o pôs de mal comigo!
Ai Deus, como será?
Se sabeis novas do meu ardor,
Aquele que a mim atraiçoou!
Ai Deus, como será?
Aquele que mentiu e o pôs de mal comigo,
O bodo não repartiu contigo!
Ai Deus, como será?
Aquele que mentiu e pôs de mal contigo,
Da marmelada branca não conheceu o sabor!
Ai Deus, como será?
Cantiga de Maldizer a D. Isabel
Moçoila, cândida, foste-vos a Trancoso achar
De Castela, juvenil, a Portugal para casar
Mas que ligeireza o vosso salto no andar
Em que o destino vos conduzia
Vede pois o marido que foste desposar
Menina já de Castela saudades sentia
Esposo, homem feito, pareceu-vos trovador
Rei experimentado nos cânticos do amor
Poeta dos salmos de Santa Maria, com fervor
Apreciador de barrigas de freira em Odivelas
Causou-vos partos e muita dor
Doçuras, insónias, orando, incandescendo velas
Donzela, Rainha, o ventre não pôde esperar
O reino, precisava de sucessão para governar
O Rei era Deus na Terra e tinha que prosperar
A Rainha era Santa, sem acção do anjo Gabriel
Por obrigação tínheis com o Rei copular
Milagrosa Isabel, antes da marmelada, havia o mel
Luís Urgais (Luís de Sousa Peixeira)
Viseu, 14 de Junho, de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Mozinhos - souto - Penedono - Viseu
Mozinhos
Na confluência do Rio Bom, que outrora poderia ter outro nome, como o Rio Torto, ficou situado um povoado chamado Mozinhos. O étimo deste topónimo, antiquíssimo, está no latim: monachinos (de monachu: “monge”), talvez directamente, pois não pode prover-se que tenha existido um termo como “mouzinho” ou “mozinho” do nosso léxico arcaico ou proto-histórico, pelo que o significado do topónimo é monástico, isto é, alusivo a um pequeno mosteiro que terá existido neste local profundo e remoto e quase rodeado de águas. Terá sido o lugar, pelo seu ambiente natural, grato a eremitas de Santo Agostinho ou monges negros. Este terá sido o mosteirinho (atente-se no diminutivo) que com a sua ermida é referido no testamento de D. Châmoa. Aqui nos Mozinhos ainda existe uma ermida dedicada a Santa Bárbara. Até que ponto, eventualmente, na sequência de ruínas, não corresponderá esta capela (pelo menos no local) à primitiva?
Ora, como aqui referimos, Mozinhos é um lugar antiquíssimo e habitado por sucessivas gerações de camponeses, intrinsecamente ligados aos moinhos do Rio Bom, um ramo da principal família dos Mozinhos da última década do século XIX era descendente directa dos moleiros do moinhos dos Freixos que, por sua vez, se tinham cruzado com os moleiros do Bento e dos Grelos. A Natividade descendia dos Grelos cujos descendentes ainda são moradores dos Mozinhos. Havendo, no entanto, antigos moradores dos Mozinhos provenientes de praticamente todas as freguesias e lugares próximos do dito lugar, assim como, depois daí se iam disseminando sobretudo através do casamento por toda a região.
Ainda existe nos Mozinhos o forno do povo (imóvel plenamente funcional). Sempre propriedade privada, mas ao serviço dos moradores como a água das represas era partilhado, à vez, por cada núcleo familiar. O acesso revestia-se de normas estabelecidas pelo direito consuetudinário, aliás, como qualquer logradouro comum, baldio e demais bens de cariz comunitário.
Por: luis Urgais - Mozinhos
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Sporting Clube de Portugal
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