segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mozinhos: Não nos querem Lá!


Pois é, pá: não nos querem lá. Anda uma pessoa a lutar, por esse mundo fora, penando, a comer o pão que o diabo amassou, com aquela ideia: deixa lá que, se tiver sorte e saúde, ainda farei alguma coisa pela minha terra...
Já sabemos que muitos de nós foram por aí fora: Brasil, África Central e do Sul, Ilhas, EUA, Canadá e, sobretudo, para França e Alemanha e nem deram sinal de regresso, porventura, as agruras foram tamanhas e para lá ficaram, a estiolar... Outros ficaram, labutando, dando continuidade a gerações e gerações de guerreiros da lavoura e da pecuária, construindo, criando riqueza...
 Isto vem a propósito, de em pleno século XXI, num dos concelhos mais desertificados de Portugal, Penedono, oficiosamente, as autoridades locais, afirmarem ou deixarem transparecer que, perante a necessidade de recuperar caminhos e mandar proceder, urgentemente, à correcção da água de abastecimento público, fazerem de cegos, surdos e mudos: deixa andar, deixa rolar.
Alguém alertou: cuidado, já houve uns quantos que tiveram furos e rasgos no pneus das suas viaturas; cuidado que a água da Risca, Trancosã, Quinta do Vale e dos Mozinhos, de abastecimento, está imprópria para consumo doméstico - já uns quantos tiveram desarranjos intestinais, diarreias, vómitos: tudo por que a água apresenta resultados de contaminação, susceptíveis de causar problemas de saúde pública!

HE PÁ, NO ACTUAL CONTEXTO ORÇAMENTAL NÃO HÁ CABIMENTAÇÃO, TAMBÉM SÃO POUCO MORADORES: OLHA QUE AGUENTEM, PODE SER QUE ALGUÉM OS ATENDA...


Rio Bom: 23-04-1906(Reg.23). Baptizaram Amável Augusto, filho de Manuel da Assunção e de Lúcia Soledade, moleiros. “Aos vinte e trez dias do mez d´abril do anno de mil novencentos e seis n´esta igreja parochial do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego pus os santos óleos num indivíduo do sexo masculino que tinha sido baptizado privativo pelo padrinho a quem dei o nome de Amável Augusto, que nasceu nesta freguesia, no logar do Rio Bom, às quatro horas da manhã do dia seis do mez de maio do anno supra; filho ligítimo, primeiro do nome, de Manuel d´Assumpção, natural da Póvoa de Penedono, e de Lúcia de Soledade natural desta freguesia, recebidos na Póvoa, moleiros, parochianos desta freguesia, residentes no Rio Bom; nepto paterno de Francisco Manuel da Costa e de Maria do Nascimento; materno de Francisco António Machado e de Anna Joaquina. Foram padrinhos, que sei serem os próprios, Júlio Augusto Ribeiro e Maria Soledade Costa, casados, proprietários: E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e conferido perante os padrinhos comigo assignam, colhi o sello legal. Era ut supra.


Mozinhos/Trancosã: 23-05-1743 “Aos vinte e três dias do mez de Maio da era de mil sette centos, e quarenta e três anos nesta Igreja de São Pedro da villa do Souto se receberão em face de Igreja com minha presença e de muyta parte do povo Manoel Martins filho de José Martins da quinta dos Mozinhos desta freguesia, e de sua molher Maria Rodriguez da mesma quinta dos Mozinhos Maria Aguiar filha legitima filha de Manoel de Aguiar, e de sua molher Catherina Francisca ambos da quinta de Trancosaã freguesia desta villa a que assistiu muyta gente alem das testemunhas abaixo assignadas conforme hum capitulo sevirita veluiz Manoel Martins, e Manoel de Proença ambos desta villa do Souto, e que assim ser verdade passei, eu fiz este termo; que assignei, dia, mez, e era ut supra. O Encomdº João da Costa Sarayva.”
  
Rio Bom: 12-12-1799, faleceu João (menor), filho natural de Magdalena Maria, do Rio Bom (pai incógnito) – assina Abade João Niculau Villela.

Rio Torto: 14-12-1799, faleceu Miguel (menor), filho de José Ribeiro e de sua mulher, Maria, naturais do Rio Torto – assina Ab. João N. Villela.

Rio Torto: 08-01-1800, faleceu Francisco (tinha 12 anos), filho de José Pereira e de Ana Maria, natural do Rio Torto, recebeu os sacramentos – as. Ab. João N. Villela.
Trancosã: 02-08-1800, faleceu Maria José, não recebeu extrema-unção por ter morrido repentinamente – as. J.N. V.

Mozinhos: 08-12-1800, faleceu Maria Barbosa, foi casada com Manoel António, ambos naturais dos Mozinhos, não recebeu sacramentos, morreu em sua casa com um “tubérculo”, não fez testamento. João Niculau Villela.

Trancosã: 30-12-1800, faleceu (Carlos Joaquim?) (menor), filho de Manuel Fernandes e de Anna Maria, natural da Trancosã. João Niculau Villela.

Rio Bom: 31-12-1800, faleceu Manoel Ribeiro que foi casado com Antónia Maria, natural do Rio Bom, recebeu extrema-unção. Ab. João Niculau Villela.

Trancosã: 22-01-1801, faleceu Anna de Araújo, viúva de Manoel Fernandes, recebeu sacramentos. Ab. João Niculau Villela.

Trancosã: 18-02-1801, faleceu Manoel (menor), filho de João Manoel e de Bernarda Maria, natural da Trancosã. Ab. J.N. V.

Mozinhos: 09-05-1801, faleceu Manoel Gregório, era viúvo de Anna Barbosa, natural dos Mozinhos, recebeu sacramentos e não fez testamento. Ab. J. N. V.

Rio Torto: 05-08-1801, faleceu Madalena, solteira, filha de Estêvão Almeida e de Teresa Lopes, não recebeu sacramento por ter morrido rápido, de um “tubérculo”. Ab. J. N. V.
Trancosã: 01-09-1801, faleceu Joana da Fonseca, viúva de Manoel Martins, recebeu sacramentos e fez testamento (ilegível). Ab. João Niculau Villela.

Trancosã: 20-11-1801, faleceu Manoel Ribeiro, casado com Maria da Trindade, confessou-se, mas não recebeu a extrema-unção por morrer antes do confessor chegar, não fez testamento. Ab. J.N. V.

Trancosã: 19-12-1803, faleceu Maria José, casada com José Bernardo, recebeu sacra-mentos, sem testamento. Ab. João Niculau Villela.

Trancosã: 30-01-1804, faleceu Luísa, menor, filha de João Manoel e de Leonarda Maria. Ab. J.N.V.

Trancosã: 16-09-1804, faleceu Teresa, menor, filha de João Manoel e de Leonarda Maria. Ab. J.N.V.

Rio Bom: 18-09-1804, faleceu Leonor, menor, filha de Joaquim José e de Maria Teresa. Ab. J.N.V.

Rio Bom: 25-10-1804 “em os vinte e sinco dias do mês de Outubro de mil outo centos e coatro foi sepultado nesta Igreja Bernardo José Farinha sem receber os necessários sacramentos, por que vivendo só, em huã manha o acharão morto na sua cama, e por isso não fez testamento era viúvo de Teresa da Fonseca do Rio bom desta freguesia do Souto” Abb. João Niculau Villela. (o documento foi selado com 10 reis).

Mozinhos: 18-11-1805, faleceu Maria (menor) filha de francisco António e de sua mulher Anna Joaquina. Ab. J.N.V.

Rio Bom: 07-04-1806, faleceu José de Amaral, casado com Maria Fonseca, recebeu sacramentos e não fez testamento. Ab. J.N.V.

Mozinhos: 01-04-1809, faleceu francisco José, casado com Leonor Maria, recebeu sacramentos, sem testamento. Ab. J.N.V.

Mozinhos: 24-08-1810, faleceu Anna Teresa, casa com José Rois (Rodrigues), recebeu sacramentos e fez testamento (não explícito). Ab. J.N.V.

Rio Bom: 28-10-1810, faleceu António Ribeiro Jorge, viúvo de Ângela Maria, recebeu extrema-unção e não fez testamento. Ab-J.N.V.

Mozinhos: 19-01-1811, Faleceu Anna Branca, viúva de Manoel Proença, recebeu sacramentos, sem testamento. Ab. J.N.V.

Mozinhos: 20-02-1811, Anna Maria, viúva, não recebeu sacramentos, nem fez testa-mento por já estar morta á chegada do abade João Niculau Villela.

Trancosã: 15-10-1812, faleceu Manoel Martins Sobral, recebeu sacramentos e está descrito o lugar no qual foi sepultado, no interior da igreja, junto de outros familiares, denotando aqui especial relevância, o que pressupõe primeira categoria social. Assina novo padre da paróquia do Souto (Joaquim António).
Souto: 29-06-1813, faleceu João Niculau Villela, abade da paróquia, foi sepultado na capela-mor. Termo assinado por Feliciano de Almeida.

Rio Bom: 16-01-1814, faleceu José Silva, menor, filho de Joaquim Silva e da sua mulher. Assina o termo Joaquim António.

Rio Bom: 19-04-1814, faleceu Maria da Conceição. Joaquim António
Mozinhos: 10-05-1814, faleceu Maria, criança, filha de Francisco António e de sua mulher. Joaquim António.

Trancosã: 27-08-1814, Luiz António, criança, filho de Francisco Fernandes e da sua mulher Angelica. Joaquim António.

Rio Bom: 03-11-1814, faleceu Antónia, criança, filha de Manoel Ignácio e de Angelica Maria. Joaquim António.

 Mozinhos: 25-06-1815, faleceu Pedro Aguiar (o termo apresenta selo de 10 reis) assina o encomendado Joaquim António.

Mozinhos: 25-06-1816, faleceu Antónia Maria, não recebeu sacramentos por ter morri-do repentinamente (este termo ostenta a indicação de pessoa pobre). Assina abade Manoel de Sequeira.

Rio Torto: 01-09-1816, faleceu, criança, (o nome não é legível). Assina Manoel Sequeira.

Mozinhos: 19-11-1816, faleceu José Aguiar (o termo é quase ilegível) assina Manoel Sequeira.

Rio Bom: 03-09-1817, faleceu João da Silva, viúvo, de Maria da Soledade. Ab. Manoel sequeira.

Rio Bom: 02-10-1817, faleceu Júlia, criança, filha legítima de António Felis (Félix) e de Maria Bernarda. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 17-10-1817, faleceu Maria, criança (resto texto do termo ilegível). Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 18-10-1817, faleceu Maria, criança, filha legítima de Felis (Félix) e de sua mulher Teresa Maria, naturais do Rio bom. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 15-01-1818, faleceu Manoel, criança, filho natural de Maria (pai incógnito). Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 21-03-18, faleceu Manoel Ramos, casado com Anna da Costa. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 04-11-1819, faleceu Teresa Maria, solteira. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 08-08-1820, faleceu Luís Manoel, criança, apresentado por Manoel António e Maria, do Rio Bom. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 14-03-1821, faleceu Maria Amélia, menor, exposta por Anna Rosa, viúva, do Rio Bom. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 18-04-18-1821, faleceu António Ribeiro, viúvo de Rosa Maria, ela do Souto. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 06-12-1821, faleceu Maria, menor, filha de Francisco e de sua mulher Maria do Carmo. Ab. Manoel Figueiredo.

Trancosã: 21-05-1822, faleceu Joana Martins, filha legítima de José Martins e de sua mulher Brizida Martins. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Torto: 05-01-1823, faleceu Teresa Maria, mulher que foi de José Ribeiro, recebeu sacramentos. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 22-01-1823, faleceu Anna Rosa, mulher que foi de Manoel José, não recebeu sacramentos por ter morrido depressa. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 02-05-1823, faleceu Joana da Costa, solteira, filha de António da Costa e de Maria, não recebeu sacramentos por morte repentina. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 12-08-1823, faleceu Joaquina, filha natural de Anna Rosa (pai incógnito), do Rio Bom, viúva de Manoel Ramos, não recebeu sacramentos (menor?). ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 04-09-1823, faleceu Manoel, criança, filho de António Francisco e de sua mulher Maria Bernarda, do Rio Bom. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 30-11-1823, faleceu Anna Maria, criança, filha de Alexandre José e de sua mulher. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 27-03-1824, faleceu Manoel José, (…?) matrimónio com Maria Bernarda. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 09-06-1824, faleceu Lianor Clara, criança, exposta por Anna Antónia.

Rio Bom: 14-09-1824, faleceu Joaquim, menor, filho de Felis Manoel e de sua mulher Luísa.

Rio Bom: 27-09-1824, faleceu Angelica, menor, filha de Joaquim Manoel e de sua mulher Maria José. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 23-01-1825, faleceu Francisco, menor, filho de Felis Manoel e de sua mulher Luísa Maria. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Torto: 09-02-1825, faleceu José Ribeiro, viúvo de Teresa Maria, não recebeu mais do que o sacramento da extrema-unção por morrer de apoplexia… Ab. Manoel Figuei-redo.

Trancosã: 29-03-1826, faleceu João Manoel Sobral, casado que foi com Bernarda Maria, recebeu os sacramentos. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 02-08-1826, faleceu Félix Francisco, viúvo de Maria (..?). Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 03-08-1826, faleceu José Lucas, menor, exposto por Anna Maria José, do Rio Bom. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 03-08-1826, faleceu Maria dos Anjos, menor, exposta por Maria Antónia. Ab. Manoel Figueiredo. (porventura estas duas crianças, falecidas no mesmo dia no Rio Bom cuja filiação não foi expressa poderiam ser gémeos).

Rio Bom: 25-08-1826, faleceu Izidoro, menor, exposto por Maria Antónia…

Rio Bom: 02-09-1826, faleceu José, menor, filho de Félix Manoel e de sua mulher Luí-sa. Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 14-09-1826, faleceu Luís, menor, filho de Francisco Fonseca e de sua mulher Maria do Carmo. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 17-09-1826, faleceu Alexandre José, do Rio Bom e era casado com Maria José, morava nos Mozinhos. Ab. Manoel Figueiredo.

Mozinhos: 06-10-1826, faleceu João António que foi casado com Maria do Carmo. Ab. M. Figueiredo.

Trancosã: 02-11-1826, faleceu Isabel Maria, mulher que foi de Manoel José. Ab. M.F.

Trancosã: 28-06-1827, faleceu Manoel Fernandes, era casado com Antónia Joaquina.

Mozinhos: 21-10-1827, faleceu Maria Ignácia, solteira, era filha legítima de José António da Costa e de Antónia Maria. Ab. M.F.

Rio Bom: 09.08-1828 faleceu José, solteiro, filho de António Francisco e Maria Bernarda. Não recebeu sacramentos e morreu “com perda de sangue por causa de uma faca…” Ab. M.F.

Mozinhos: 20-10-1828, faleceu José António da Costa. Ab. M. F.

Mozinhos: 19-01-1829, faleceu João de Almeida, viúvo de Joana da Costa, só recebeu sacramentos, por morte repentina. Ab. M. F.

Mozinhos: 08-01-1830, faleceu  Bárbara Maria, viúva de Manoel Gregório, encontrada morta em sua casa. Ab. M. F.

Rio Torto: 26-05-1830, faleceu João (Amaro?), casado que foi com Maria de Jesus, de Ranhados. (o abade Manoel Figueiredo escreveu em jeito de rodapé: pobre).

Trancosã: 31-09-1830, faleceu João Manoel, marido que foi de Leonarda Maria, ambos da Trancosã…

Mozinhos: 23-12-1830, faleceu Lionor (menor), filha de Pedro Aguiar e de sua mulher Anna Maria, do lugar dos Mozinhos…

Rio Bom: 20-08-1831, faleceu Júlio (menor), filho de António Francisco e de Maria Bernarda, do Rio Bom…

Mozinhos: 05-10-1831, faleceu Teresa (menor), filha de Manoel e de Anna Maria…

Mozinhos: 10-10-1831, faleceu Manoel (menor), filho de Sebastião da Costa e de Teresa Maria…

Rio Bom: 29-11-1831, faleceu Umbelina (menor), filha de José António e de, sua mulher, Teresa Angelica…

Rio Bom: 14-01-1832, faleceu José Nascimento, casado que foi com Angelica Maria…

Rio Bom: 25.10-1832, faleceu Maria (menor), filha de Jerónimo de Assunsam e de Anna Maria…

Rio Bom: 09-10-1833, faleceu Anna Luiza que foi casada com José Rodrigues, do Rio Bom…

Mozinhos: 18-12-1833, faleceu Luísa, filha de João, viúvo de Maria (?)…

Trancosã: 15-01-1834, faleceu Leonarda Maria, casada que foi com João Manoel…

Mozinhos: 05-08-1834, faleceu António, filho de João (?), viúvo de Maria José, dos Mozinhos…

Rio Bom: 22-09-1834, faleceu Anna (menor), filha de Joaquim Manoel e de Maria José, do Rio Bom…

Rio Bom: 23-09-1834, faleceu José (menor), filho de Jerónimo de Assunsam e de sua mulher Anna Maria…

Trancosã: 01-11-1834, faleceu Padre José António Martins, do lugar da Trancosã, recebeu todos os sacramentos e foi sepultado nesta igreja de San Pedro do Souto, junto ao altar…

 Mozinhos: 03-11-1834, faleceu Anna Maria, mulher que foi de Francisco António Freixo…

Rio Bom: 18-02-1835, faleceu Angelica Maria, viúva que foi de José do Nascimento…

Trancosã: 31-08-1835, faleceu Maria José, casada que foi com Manoel Martins…

Trancosã: 27-09-1836, faleceu Manoel Martins, viúvo de Maria José…

Mozinhos: 10-02-1837, faleceu Antónia Maria, viúva de José António, recebeu só sacramento de extrema-unção… 

Mozinhos: 08-10-1837, faleceu Maria Proença, solteira, filha de Maria Proença, não recebeu sacramentos por via de morte súbita…

Trancosã: 09-10-1837, faleceu José Maria, casado que foi com Anna Martins, de morte repentina…

Rio Bom: 20-11-1837, faleceu Félix Manoel, casado que foi com Luísa Maria, do Rio Bom…

Mozinhos: 23-11-1837, faleceram António Joaquim e António, irmãos (menores), (gémeos?), filhos de João Manoel e de Maria (?), este termo de óbito ostenta selo…

Mozinhos: 14-02-1838, faleceu Manoel José, casado que foi com Maria Joana…

Rio Bom: 19-08-1838, faleceu João (menor), filho de Francisco Fonseca e de Maria do Carmo, do Rio Bom…

Trancosã: 14-10-1838, faleceu Maria de Jesus, casada que foi com Manoel António, não recebeu sacramentos por morte repentina…

Rio Bom: 31-10-1838, faleceu Maria (menor), filha de Francisco Fonseca e de Maria do Carmo, do Rio Bom…

Trancosã: 11-05-1839, faleceu Sebastião Martins, solteiro…

Mozinhos: 20-05-1839. Faleceu Teresa de Jesus, mulher que foi de Sebastiam…

Rio Bom: 23-08-1839, faleceu João Manoel, casado com Anna Maria…

Mozinhos: 05-11-1839, faleceu Anna Maria que foi casada com João Manoel…

Trancosã: 27-11-1839, faleceu Maria (Assunsam?), mulher que foi de Bernardo José…

Trancosã/Pereiros: 01-01-1840, “Luísa Teresa, solteira, filha de Luís Sobral e de Anna Teresa foi encontrada malinada no caminho da Trancosã para os Pereiros, não recebeu sacramentos por ter morrido repentinamente e foi sepultada nos Pereiros…”

 Mozinhos: 02-01-1840, “Aos dois dias de Janeiro de mil oitocentos e quarente, fale-ceu da vida presente Anna Maria, mulher que foi de Pedro de Aguiar dos Mozinhos, recebeu todos os sacramentos…” Ab. Manoel Figueiredo.

Rio Bom: 23-05-1840, faleceu Maria Bernarda, mulher que foi de António Francisco…

Mozinhos: 03-10-1840, faleceu Manoel, filho de João Manoel e de sua mulher, Anna Maria, não recebeu sacramentos porque estando com bexigas não foi chamado o confessor em tempo…

Mozinhos: 10-01-1841, faleceu Sebastiam de Proença, casado que foi com Teresa Josefa, não recebeu sacramentos por ter morrido repentinamente…

Trancosã: 04-06-1841, faleceu Teresa de Jesus, mulher que foi de José António, da Risca, não recebeu sacramentos por ter morrido de repente, por queda de uma amoreira…

Rio Bom: 01-08-1841, faleceu Francisco, filho de José Rodrigues e da sua mulher Anna Luísa do Rio Bom, não recebeu sacramentos por ter morrido apressadamente…

Mozinhos: 30-10-1841, faleceu Manoel de Aguiar, solteiro, filho legítimo de Pedro de Aguiar, dos Mozinhos, recebeu somente o sacramento da confissão por ter morrido “andando de pé”…

Rio Bom: 05-12-1841, faleceu António José, filho de Manoel José e de sua mulher Antónia José, viúva…

Trancosã: 25-07-1842, faleceu António (menor), filho de António Cláudio e da sua mulher Joana Maria…

Rio Bom: 15-09-1842, faleceu Maria (Cassilda?), mulher de Francisco de Almeida, de Bebeses, moradores no Rio Bom…

Trancosã: 07-01-1843, faleceu Bernardo José, casado que foi com Maria Assunsam…

Mozinhos: 07-01-1843, faleceu Francisco (menor), filho de João Manoel e de sua mulher Valentina Maria…

Trancosã: 19-03-1843, faleceu Francisco (menor), filho legítimo de José Manoel e de sua mulher Maria Cândida…

Mozinhos: 25-04-1843, faleceu Francisco (menor), filho natural de Francisca, viúva…

Trancosã: 28-06-1843, faleceu Manoel José, casado que foi com Isabel Maria…

Rio Bom: 04-08-1843, faleceu Anna Maria que foi mulher de Jerónimo de Assunsam…

Rio Torto: 23-08-1843, faleceu António (menor), filho de Luís (Carvalha?) e de sua mulher Maria Madalena…

Rio Bom: 29-11-1843, faleceu José Rodrigues, “morreu de apoplexia”, não recebeu sacramentos…

Trancosã: 12-12-1843, faleceu Luísa (menor), filha de José Ramos e de sua mulher Antónia…

Trancosã: 23-06-1845, faleceu Bernarda, viúva que ficou de João Manoel Sobral - por se encontrar demente (louca) só recebeu extrema-unção…

Rio Bom: 05-08-1845, faleceu Francisco, filho de Francisco Fonseca e de sua mulher Maria do Carmo do Rio Bom, não recebeu os sacramentos por ter morrido “aSacinado” (assassinado) …

Mozinhos: 09-10-1846, faleceu Valentina de Jesus, mulher que foi de João Manoel Gomes, não recebeu sacramentos por ter sido tardiamente chamado o abade…

Trancosã: 18-02-1847, faleceu João Martins, “pobre” (indigente), casado que foi com Margarida de Jesus, recebeu o sacramento da penitência e nada mais por “não dar tem-po”…

Trancosã: 29-08-1847, faleceu Maria (menor), filha de António Cláudio e de sua mulher Joana Fernandes…

Trancosã: 09-09-1847, faleceu Anna Branca, mulher que foi de José Maria Fernandes…

Trancosã: 03-10-1847, faleceu Maria de Jesus (menor), filha de António José e de sua mulher Maria Delfina…

Trancosã: 03-10-1847, faleceu José (menor), filho natural de Anna Joaquina Fernandes (eventualmente de pai incógnito, como é costume o uso de filho natural) …

Trancosã: 19-04-1848, faleceu Maria, “criança” (menor como vinha sendo usual a ter-minologia, sempre que o óbito narrava o falecimento de crianças), filha de Luís Fernandes e de sua mulher Umbelina Maria…

Trancosã: 02-08-1848, faleceu Antónia de Almeida, mulher que foi de José Ramos, só recebeu o sacramento de extrema-unção “por ter perdido o juízo”…

Trancosã: 17-08-1848, faleceu José Ramos, casado que foi com Antónia de Almeida “e recebeu os necessários sacramentos“…

Trancosã: 22-08-1848, faleceu Francisco, irmão natural de (Jacinta?), era solteiro, “segundo dizem, não recebeu sacramentos por não chamarem a tempo) …

Rio Bom: 11-09-1848, faleceu Maria (criança), exposta por Antónia das Neves, do Rio Bom (surgem em alguns registos de óbito a expressão exposta, julgamos que se trata de crianças filhas de outrem e levadas a enterro por terceiros) …

Rio Bom: 26-09-1848, faleceu da presente vida Emílio (criança), exposto por Antónia das Neves do Rio Bom,” para constar faço este termo”… Ab. José Sequeira…

Rio Bom: 29-11-1848, faleceu José, solteiro, filho de Manoel Beselga e de sua mulher Antónia das Neves…

Mozinhos: 01-12-1848, faleceu Maria do Carmo, viúva, dos Mozinhos, não recebeu sacramentos “por não darem parte”…

Rio Bom: 07-12-1848, faleceu Maria, filha de Manoel Rodrigues Beselga e de sua mulher Antónia das Neves, do Rio Bom…

Rio Bom: 06-01-1849. Faleceu António (criança), filho de António Diogo e de sua mulher Maria Teresa…

Rio Bom: 03-02-1849, faleceu Maria (criança),” exposta com Maria José do Rio Bom”…

Rio Bom: 15-02-1849, faleceu Jerónimo de Assunção, viúvo de Anna da Costa “só recebeu extrema-unção por falta de juízo”…

Rio Bom: 24-02-1849, faleceu Joaquim Manoel, casado com Maria José, não recebeu os sacramentos “por perder os sentidos antes de os receber”…

Rio Bom: 05-03-1849, faleceu Anna (menor), filha de Joaquim Manoel Grelo e de sua mulher Balbina de Jesus…

Rio Bom: 22-03-1849, faleceu Maria (criança) exposta com Maria Silva do Rio Bom…

Mozinhos: 31-03-1849, faleceu João Manoel “não recebeu sacramentos por se ter desobrigado do crisma, havia oito dias… (neste registo de óbito, o sacerdote expressa a sua hostilidades perante o defunto, por práticas em vida).

Rio Bom: 05-09-1849 faleceu João (criança), filho de Silvano Manoel e de Emília Maria…

Rio Bom: 06-09-1849, faleceu Emília Maria, mulher de Silvano Manoel, da Póvoa e residente no Rio Bom, “não recebeu sacramentos por não chamarem a tempo” (deste registo depreende-se que se tratou de uma morte de parto, visto que no dia anterior se deu conta da sua criança morta…)

Trancosã: 10-12-1849, faleceu Maria José, mulher que foi de Manoel Tomaz…

 Mozinhos: 23-03-1850, faleceu “Francisco António, viúvo de Anna Maria dos Mozinhos e no dia seguinte seu corpo foi sepultado, recebeu os necessários sacramentos e para constar fiz este termo, dia e mês, era e assigno, Cura José Lopes” 

Rio Bom: 27-05-1850, faleceu Manoel de Jesus (menor), filho de Francisco António…

Trancosã: 14-07-1850, faleceu (…?) “e foi sepultada huma criança, foi baptizada e logo morreu, era filha de Lino Fernandes da Trancosã”… Ab. José Lopes.

Rio Torto: “em o dia e mês supra citado” faleceu Alexandre, inocente, (criança). Filho de Manoel Peralta… (neste registo o Padre José Lopes volta a referir que se fez o enterro dentro da igreja…).

Mozinhos: 23-10-1850, faleceu Maria José Prata… “no dia seguinte foi sepultado “ (deixou-se de fazer menção do lugar, refugiando-se no eufemismo de: “lugar do cos-tume”.

Mozinhos: 08-11-1850, faleceu Maria, inocente, (criança), filha natural de Maria, solteira…

Mozinhos: 30-09-1951, faleceu João, inocente (criança), filho de Francisco Prata… (aqui faz-se novamente referência à sepultura na igreja).

Trancosã: 08-05-1852, faleceu Balbina, solteira… (o abade volta afazer referência à igreja como local de sepultura).

Trancosã: 04-03-1853, faleceu Maria, inocente, filha António José e de sua mulher e no dia seguinte foi sepultada no lugar do costume…

Rio Torto: 26-10-1853 faleceu Maria Henriqueta, inocente, filha de Manoel Peralta e de sua mulher, sepultada no lugar do costume…

Trancosã: 03-08-1854, faleceu Dionísio Sobral, casado que foi com Josefa, não recebeu sacramentos por via de morte repentina…

Rio Torto: 21-05-1855, faleceu Manoel Peralta, casado que foi com Escolástica, não recebeu sacramentos por via de morte repentina…

Rio Bom: 11-08-1855, faleceu João António (menor), exposto em Vila Nova de Foz Côa e filho de Maria do Carmo do Rio Bom, sepultado no lugar do costume, no Sou-to…

Mozinhos: 18-08-1855, faleceu Maria Teresa, solteira, recebeu sacramentos…

Trancosã: 27-08-1855, faleceu Francisco Fernandes, casado que foi com Maria Angeli-ca…

Mozinhos: 30-08-1855, faleceu Anna Teresa, casada que foi com João Manoel Bastos…

Rio Bom: 08-09-1855, faleceu Teresa de Jesus, inocente, filha de Sebastião da Fonseca do Rio Bom…

Mozinhos: 09-10-1855, faleceu Maria da Conceição, inocente, filha de Francisco Prata e de sua mulher Anna Joaquina…

Rio Torto: 21-08-1856, faleceu António, inocente, filho de Camilo…?

Mozinhos: 26-08-1856, faleceu Ana, inocente, filha de Francisco Prata…?

Trancosã: 12-10-1856, faleceu (?), criança, filha de Lino Fernandes, foi baptizada em sua casa, morreu e foi sepultada na igreja de São Pedro do Souto… (Padre José Lopes).

Rio Torto: 12-12-1856, faleceu José, inocente, filho de Escolástica Maria (o seu marido, Manoel Peralta tinha morrido em Maio e 1855) …

Rio Bom: 17-01-1857, faleceu António Anselmo, exposto por Maria do Carmo, do Rio Bom…

Rio Bom: 17-05-1857, faleceu António São Tiago, exposto em Penela e dado a Maria dos Santos, do Rio Bom, sepultado no Souto, igreja de São Pedro…

Trancosã: 08-08-1857, faleceu Maria Angelica, viúva que foi de Francisco Fernandes, de Penedono… sepultada no lugar do costume…

Rio Torto: 23-12-1857, faleceu Joaquim, criança, filha de Maria Escolástica…

Trancosã: 16-05-1858, faleceu António Cláudio, inocente, filho de José Ramos e de sua mulher Francisca Proença…

Rio Bom: 24-08-1858, faleceu Francisca Joaquina, inocente, filha de António Bernardo e de Maria de Jesus…

Rio Torto: 25-07-1860, “Aos vinte e cinco dias do mês de Julho do anno de mil oito centos e seSenta, pelas des oras da noute em sua casa do Rio Torto desta freguesia do Souto concelho de Penedono, Destricto Euclesiastico da Meda, diocese de Lamego, faleceo João Ribeiro, Moleiro, de idade de setenta e seis anos casado com Luísa Rosa parochiano desta freguesia, filho de João Ribeiro e de Theresa Lopes, nepto paterno de António Ribeiro, e Theresa, digo, e Rosa Amaro, e materno de António Cortez e Joana Lopes, não fez testamento, e não deixou filhos, e para constar fiz este ASento em duplicado que aSigno, Era EcT supra Aabb. José Lopes”.

Trancosã: 10-09-1860, Maria Cândida, casada que foi com José Manoel Chaquiço, faleceu pelas 5 horas da manhã na sua casa 220 na Trancosã, de 65 anos, filha de Francisco Fernandes e de Maria Angelica. Não há quem diga como se chamavam os seus avós paternos, nem os maternos. Ficou-lhe um filho, recebeu sacramentos…

Rio Bom: 06-11-1860, Manoel da Costa, viúvo de Maria Joaquina, com testamento, faleceu no Rio Bom pelas 9 horas da noite. Era jornaleiro, filho de Sebastião da Costa e de (Eufamiana?), tinha 77 anos, não há conhecimento dos ascendentes paternos, nem dos maternos, não deixou filhos, recebeu todos os sacramentos.

Rio Bom: 28-11-1860 - Manoel Beselga, viúvo de Antónia das Neves. “ Em o dia vinte e oito do mês de Novembro do anno de mil oitocentos e sessenta, pelas cinco oras da tarde em o Rio Bom desta freguesia de Sam Pedro do Souto, Districto Euclesiastico da Meda Diocese de Lamego, faleceo Manoel José Bezelga, viúvo de Antonia das Neves, parochiano desta freguesia, filho de José António Bezelga e de Joana Cortez, não á quem diga como se chamavam seos avós paternos, nem maternos, deixou dois filhos, recebeo os devidos sacramentos e não fez testamento (…), Ab. José Lopes”.

Rio Torto: 08-01-1861, faleceu João Bernardo (inocente), às 5 horas, de 2 anos e ste meses, filho de José da Santa Maria e de Ana de Jesus, neto paterno de Luís Manoel e de Ana Joaquina; neto materno de Maria Efigénia e avô incógnito…

Rio Bom: 18-02-1861, faleceu Ana Maria Grela, viúva de João Manoel Freire, às 6 horas, moleira, de 68 anos, filha de Manoel José e de Angelica Maria; desconhecidos mais ascendentes paternos e maternos, deixou 6 filhos…

Trancosã: 22-09-1861, faleceu Bernarda, de 9 anos, pelas 8 horas, filha de Dionísio Sobral e de Josefa Adelaide; neta paterna de José Bento e de Luísa Rosa; neta materna de José Maria e de Maria Branca; morreu repentinamente, sem sacramentos…

Rio Bom: 22-01-1862, faleceu, afogado no Rio Bom, Joaquim Grelo, de 49 anos, apareceu de madrugada, casado com Balbina de Jesus, filho de João Manoel Freire e de Ana Maria; neto paterno de Manoel Freire e de Rosa Bernarda; neto materno de Manoel Fernandes Caanho e de Angelica Maria; deixou 5 filhos…

Mozinhos: 18-06-1862, faleceu Ana Grila, pelas 4 horas, na casa 193, casada com José Nascimento, tinha 38 anos, natural de Ranhados, filha de João Soeiro, jornaleiro, e de Maria do Rosário, naturais de Ranhados; não deixou filhos e foi sepultada na igreja paroquial do Souto…

Mozinhos: 18-06-1862, faleceu  José Bento, casado com Luiza do Espírito Santo. Às 8 horas, na casa nº 195, Mozinhos. Tinha 52 anos, filho de Francisco António, natural de Freixo de Numão, jornaleiro, e de Anna Maria, deixou filhos e foi sepultado na igreja do Souto… - abb. José Lopes.

Mozinhos: 22-03-1863, às 17 horas, faleceu Luiz António, de 10 meses, filho de Fran-cisco Prata, jornaleiro, casado com Anna Joaquina…

Mozinhos: 31-07-1864, às 8 horas, faleceu Maria, de 17 anos, solteira, sem filhos, era filha de Francisco António, jornaleiro, e de Anna Joaquina, recebeu todos os sacramen-tos…

Trancosã: 27-08-1864, às 19 horas, faleceu Anna Joaquina, de 15 dias, filha de Lino Fernandes e de Umbelina de Jesus, proprietários, sepultada na igreja do Souto…

Rio Bom: 31-10-1864, às 5 horas, faleceu João Manoel, de 2 anos, filho natural de Ter-sa de Jesus, solteira, sepultada na igreja do Souto…

Mozinhos: 25-01-1865, às 7 horas, faleceu Maria da Glória, inocente, na casa nº 160, dos Mozinhos, de 3 anos, filha de João Bastos, carpinteiro, natural de Ourozinho, e de Luiza Alexandrina, natural da Ferronha…

Trancosã: 17-09-1865, às 8 horas, faleceu Umbelina de Jesus, na casa nº 196, da Tran-cosã, tinha 38 anos, casada com Lino Fernandes, filha de Joaquim Novais e de Maria Genoveva, deixou 5 filhos…

 Mozinhos: 01-10-1865, Maria José. “ Em o primeiro do mez de Outubro do anno de mil oitocentos sessenta e cinco, as cinco horas da tarde na caza do numero cento e oitenta e sete da quinta dos Mozinhos desta freguesia do Souto, Dioceze de Lamego, faleceo um individo do sexo feminino tendo recebido todos os sacramentos da Santa Madre Igreja, seu nome Maria José de idade de setenta e oito anos viúva de Alexandre José natural e moradora nesta mesma freguesia, filha legítima de Manoel Gregório, e de Bárbara Maria, também naturais desta freguesia, a qual não fez testamento e deixou três filhos, foi sepultada na igreja paroquial da mesma freguesia do Souto e para constar mandei lavrar em duplicado este aSento que aSigno Era supra Abb. José Lopes.”

Rio Bom: 23-11-1865, às 6 horas, faleceu Anna de Jesus, filha de Annacleto da Silva e da Piedade, moleiros do Rio Bom.

Rio Bom: 17-12-1865, às 4 horas, na casa 170 do Rio Bom, faleceu José Anriques, de 1 ano, filho de João Florindo e de Anna de Jesus, jornaleiros…

Rio Bom: 18-12-1865, às 18 horas, na casa 172 do Rio Bom, faleceu Manoel da Assup-çam, de 1 ano, filho de António Joaquim Rodrigues e de Balbina de Jesus, casados, moleiros…

Rio Bom: 28-02-1866. “Aos vinte e oito dias do mês de Fevereiro do ano de mil oito-centos e sessenta e seis, às 6 horas da tarde do dia vinte e oito em Rio Bom no sítio denominado chão do vermelho foi encontrada dentro do rio afogada morta (é limite desta mesma freguesia) Maria Barbara de idade de oito anos, natural e moradora no povo dos Mozinhos desta freguesia do Souto, filha de Joaquim Grelo e de Balbina de Jesus, moleiros…”. 

Mozinhos: 07-05-1866: faleceu José António da Costa, solteiro, às 3 horas da manhã, casa nº 190, dos Mozinhos, de 48 anos, natural e morador no referido local, filho de António Manoel da Costa e de Joana Assunção, naturais dos Mozinhos, proprietários; recebeu sacramentos e foi sepultado na igreja paroquial…

Rio Bom: 03-05-1866, faleceu José Joaquim, às 4 horas da tarde (16h.), na casa nº 172, do Rio Bom, de 2 anos, filho de António Joaquim Rodrigues, moleiro, e de Balbina, naturais do Rio Bom, foi sepultado na igreja paroquial do Souto.

Rio Torto: 19-09-1866, às 7 horas da tarde (19h), faleceu Luísa Rosa, de 83 anos, viúva de João Ribeiro, natural da Granja, ignoram-se-lhe os ascendentes, profissão de moleira; não deixou filhos…

Rio Bom: 09-10-1866, faleceu Ana Joaquina, filha de Sebastião da Silva e de Maria dos Santos, moleiros, às 5 da manhã, na casa nº 173, do Rio Bom, de 2 anos de idade.

Mozinhos: 13-08-1867, às 4 horas da manhã, na casa nº 182, dos Mozinhos, faleceu um indivíduo do sexo masculino, de nome João António, de ano e meio, filho de António Manuel Aguiar, jornaleiro, natural de Alcarva.

Trancosã: 22-07-1868, às 9 horas da manhã, na casa nº 194 da Trancosã, faleceu um indivíduo do sexo masculino de nome António Cláudio, da idade de 10 anos, filho de José Ramos e de Francisca Joaquina, jornaleiros.

Mozinhos: 22-02-1869, às 3 horas da tarde (15h), na casa nº 176, rua da capela, nos Mozinhos, faleceu um indivíduo do sexo masculino, de nome Albino da Ressurreição, de 3 anos, de idade, filho legítimo de Manoel Joaquim, natural da Ferronha, jornaleiro, e de Maria Machado, natural da freguesia.

Mozinhos: 15-03-1869, às 4 horas da tarde (16h), na casa nº 182, da quinta dos Mozi-nhos, faleceu um indivíduo do sexo masculino, de nome Gregório Augusto, de 2 anos, filho de Manoel de Aguiar e de Anna Teresa, naturais dos Mozinhos, proprietários.

Mozinhos: 19-03-1869, faleceu Joaquim do Espirito Santo, filho natural de Luísa Igná-cia, solteira. Às 3 da tarde (15h), na casa nº 209 da quinta dos Mozinhos, tinha 8 meses de vida.

Trancosã: 13-05-1869, faleceu José Manoel de Bastos, viúvo de Maria Cândida, às 6 horas horas da manhã, na casa nº 189, da Trancosã; tinha 84 anos, filho de João Manoel e de Leonarda Maria, não fez testamento e deixou um filho, foi sepultado na igreja paroquial.

Trancosã: 09-07-1869, faleceu Maria Angelica, na casa nº 196, da Trancosã; tinha 17 anos, solteira, natural e moradora no referido lugar; filha de Lino Fernandes e de Umbelina de Jesus, proprietários.

Mozinhos: 10-07-1869, às 4 horas da manhã, na casa nº 166, nos Mozinhos, faleceu, tendo recebido sacramentos, um indivíduo do sexo feminino, de nome Maria Albina, de 4 anos, filha de João da Cruz, natural da Ferronha, alfaiate, e de Ana Aguiar, natural dos Mozinhos.

Rio Torto: 22-07-1869, às 10 horas da noite (22h), na casa nº 211, do Rio Torto, faleceu um indivíduo do sexo masculino (tendo recebido tão somente o sacramento de extrema-unção, por causa da moléstia não dar tempo para receber mais), de nome José de Santa Maria Ribeiro, de 60 anos, casado que foi com Anna Amaral, filho de Luís Ribeiro e de Anna, naturais do Ourozinho, moleiros, deixou 2 filhos.

Mozinhos: 07-07-1870, às 4 horas da tarde (16h), na casa nº 185, dos Mozinhos, faleceu Manoel de Jesus, de 6 anos, filho de Manoel António da Costa e de Leonor Maria, proprietários.

Mozinhos: 09-08-1870, às 9 horas da manhã, na casa nº 185 da manhã, faleceu Virgínia, de 7 anos, filha de Manoel António da Costa e de Leonor Maria, propriotários.

Souto: 15-08-1870 – Padre José Lopes – “Aos quinze dias do mês de Agosto do anno de mil oitocentos e setenta às dez horas da tarde, na casa número vinte e dois, na rua do castelo, freguesia do Souto, concelho de Penedono, Diocese de Lamego, faleceu, tendo recebido sacramento da extrema-unção um indivíduo do sexo masculino, por nome José Lopes de idade cincoenta e sete anos, perbitero, filho legítimo de João Manoel Lopes e de Joana Maria de Sobral, proprietários, naturais de Alcarva da freguesia de Ranhados; não fez testamento e foi sepultado na igreja parochial desta freguesia e para constar lavrei em duplicado o presente assento que assignei. Era ect. Supra. Pe. António Manuel da Fonseca Martinho”.

Rio Bom: 21-11-1870, à 1 hora da tarde (13h), faleceu Manoel, de 3 anos, filho de António Bernardo Grelo e de Maria do Nascimento do Rio Bom.

Rio Bom: 10-12-1870, às 2 horas da tarde (14h), filha de Sebastião José da Silva e de Maria dos Santos, moleiros, do Rio Bom.

Rio Bom: 15-01-1871, às 4 horas da tarde (16h), faleceu Francisco de Bastos, de 70 anos, viúvo de Teresa Dionísia, de Arcas, criado de servir do moleiro António Joaquim Rodrigues, residente no dito lugar do Rio Bom; filho de Agostinho José Bastos e de Luísa Teresa Aguiar, naturais de Ourozinho, não fez testamento, nem deixou filhos: assina o Encomendado António Manuel Martinho.

Rio Torto: 30-08-1871, às 3 horas da tarde (15h), faleceu Francisco Paulo, de 2 anos, natural e morador no Rio torto, filho de António do Nascimento, natural das Antas, e de Maria da Luz, natural de Ranhados, moleiros, moradores no dito lugar do Rio Torto: assina abb. José Júlio de Almeida Proença.

Mozinhos: 04-09-1871, às 11 horas da manhã, faleceu, numa casa sem número dos Mozinhos, Ana de Jesus, de 40 anos, casada com Manuel Joaquim de Bastos, proprietários, natural da Póvoa, moradora nos Mozinhos, filha de Jerónimo de Sousa e de Rosa Joaquina (já falecidos), naturais da Póvoa; não recebeu sacramentos “por desleixo da família”, não fez testamento, deixou filhos. Foi sepultada na igreja paroquial por falta de cemitério. Abb. José Júlio de Almeida Proença.

Mozinhos: 25-09-1871, às 6 horas da manhã, numa casa sem número, no lugar dos Mozinhos, faleceu Maria, de 11 meses, filha de Manuel Joaquim de Bastos, proprietário, e de Ana de Jesus, já defunta, naturais e moradores nos Mozinhos, foi sepultada na igreja por falta de cemitério público.

Rio Bom: 27-11-1871, às 11 horas da noite (23h), numa casa sem número, dos moinhos do Rio Bom, faleceu Maria da Silva, de 70 anos, viúva de Francisco da Fonseca Soares, moleiros, natural e moradora no Rio Bom, filha legítima de João Silva e de Joaquina Margarina, já defunta, naturais do dito lugar; não fez testamento, deixou filhos e foi sepultada na igreja paroquial, por falta de cemitério.

Rio Bom: 19-12-1871, às 8 horas da manhã, “num dos moinhos do Rio Bom”, faleceu José Maria, de 2 meses, filho de Sebastião José da Silva e de Maria dos Santos, naturais e moradores no Rio Bom, sepultado na igreja, por falta de cemitério.

Rio Bom: 18-01-1872 “Aos dezoito dias do mez de Janeiro do anno de mil oito centos e setenta e dois, às onze horas da noute, numa casa do Riobom desta freguesia do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego, faleceu, sem sacramentos por negligência da família que não recorreu a tempo, um individuo do sexo masculino, por nome António Joaquim Rodrigues, casado com, digo, de idade de cincoenta e quatro anos, casado com Balbina Rosa, moleiro, natural e morador do dito Riobom, desta freguesia; filho legítimo de José Rodrigues e Anna Luísa, já defunctos, naturais desta freguesia. Não fez testamento, deixou filhos, e foi sepultado na igreja parochial por falta de cemitério. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assigno. Era ect supra. Abb. José Julio de Almeida Proença”.

Rio Bom: 17-02-1872, às 11 horas da noite (23h), “num moinho do Rio Bom”, faleceu (Aniocno?) de Assenção, de ano e meio, filho de António Joaquim Rodrigues, já defunto, e de Balbina Rosa, moleira, naturais do Rio Bom.

Mozinhos: 01-06-1872, às 4 horas da manhã, numa casa dos Mozinhos, faleceu Francisco António, de 63 anos, casado com Ana Joaquina, jornaleiro, filho de João Vieira e de Maria José, dos Mozinhos; não recebeu sacramentos por aviso tardio, não deixou filhos.

 Mozinhos: 19-08-1872, às 9 horas da noite (23h), faleceu João António, de 75 anos, casado com Maria Teresa, proprietário, natural e morador nos Mozinhos, filho de Francisco Freixo e de sua mulher Ana Maria de Aguiar, já defunta, aquele natural de Freixo e esta dos Mozinhos, deixou filhos. Paraco António Manuel Fonseca Martinho.

Rio Bom: 02-12-1872, à uma hora da manhã, “numa casa do Rio Bom”, faleceu um indivíduo do sexo masculino, sem nome. De 24 meses de vida, filho de José Bernardo da Costa e de Maria Rita, moleiros, recebidos na freguesia da Póvoa.

Risca: “Aos dez dias do mês de Março de mil oitocentos e setenta e três, na Risca, logar d´esta freguesia do Souto, concelho de Penedono, bispado de Lamego, faleceu, havendo recebido todos os sacramentos, pela uma hora da noite, tendo d´idade sessenta e cinco anos aproximadamente, um individuo do sexo feminino, pelo nome Leonor Manina natural e moradora n´esta freguesia, há meses entravada, filha legítima de José António e Maria Theresa naturais da freguesia do Souto, moleiros, a qual era solteira, deixou uma filha de maior idade, e não fez testamento, sendo sepultada dentro da igreja parochial. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assigno. Era ect supra. O Pe Luís Clemente de Sequeira.”

Rio Torto:10-01-1874, faleceu, pelas 5 horas da manhã, de 24 meses de vida, um indi-viduo, sem nome, baptizado em casa, filho de Francisco António Peralta, natural desta freguesia, “soldado do Regimento Nove”, e de Rita de Jesus, natural da freguesia da Póvoa, moleira, ambos moradores no Rio Torto.

Rio Bom: 22-01-1874, faleceu “ pela 1 hora da noite”, Sebastião José, tendo a idade de “aproximadamente quarenta anos”, moleiro, natural e morador do Rio Bom, casado com Maria Silva, filho de Francisco Silva e de Maria Silva, ela da Granja, ambos já falecidos, moleiros, deixou 4 filhos.

Trancosã: 05-09-1874. Faleceu Maria Joaquina, de 15 dias de vida, filha de António Joaquim de Bastos e de Maria José, naturais, ele da freguesia do Souto e ela de Cambres, moradores na Trancosã, jornaleiros.

Rio Bom: 27-03-1875, faleceu só com sacramento da penitência, António Júlio, de 11 anos, filho de António Bernardo Grelo e de Maria do Nascimento, naturais, ele do Rio Bom, ela da Póvoa, moradores no Rio Bom, moleiros.

Rio Torto: 30-04-1875, faleceu Joaquim Manuel, de 2 anos, filho natural de Teresa de Jesus, natural de Ranhados, solteira, moleira, no Rio Torto.

Rio Torto:18-12-1875, faleceu, pelas 5 horas e 30 minutos da manhã, Manuel Henriques, de 6 anos, filho de Francisco Vieira Peralta e de Luísa Rosa, naturais, ele de Cedovim, ela de Ranhados, moradores em Ranhados, moleiros.

Rio Bom: 21-12-1875, faleceu Maria Cristina, de 58 anos, natural e moradora no Rio Bom, casada com Francisco Manuel da Costa, moleira, filha de Manuel José Beselgo e de Antónia das Neves, naturais, ele da Beselga, ela do Rio Bom, moleiros, deixou 4 filhos.

Rio Torto: 21-01-1876, faleceu Maria Adelaide, de 4 anos, filha de Manuel Henriques Vieira e de Maria Antónia, naturais, ele de Ranhados, ela de Cedovim, moradores no Rio torto, moleiros.

Rio Torto: 29-01-1876, faleceu Manuel José Fonseca, de 60 anos, natural de Ranhados, moleiro, morador no Rio Torto, casado com Ana de S. José, filho de Manuel José da Fonseca e de mãe desconhecida, já falecidos, deixou 4 filhos.

 Mozinhos: 18-08-1876, faleceu, pela meia-noite (24h), Claudina de Jesus, de 8 meses de vida, filha de Francisco Manuel d´Aguiar e de Teresa de Jesus, naturais, ele dos Mozinhos, ela da Póvoa, proprietários, moradores nos Mozinhos.

Mozinhos: 07-09-1876, faleceu, pelas 6 horas da tarde (18h), Maria de Deus, de 55 anos, natural e moradora nos Mozinhos, “vivendo pobremente”, filha de João António e de Ana da Granja, naturais, ele dos Mozinhos, ela da Granja, já falecidos.

Rio Bom: 21-11-1876 – “Aos vinte e um dias do mês de Novembro, do anno de mil oitocentos e setenta e seis, no Rio Bom, do logar d´esta freguesia de S. Pedro do Souto, concelho de Penedono, bispado de Lamego, se depositou o cadáver d´um individuo do sexo masculino, por nome José Augusto, o qual faleceu pelas duas horas da tarde sem sacramentos, por aparecer morto em razão d´um desastre em terreno da freguesia da Póvoa, concelho e bispado supra citados, natural e morador n´esta minha freguesia, moleiro, de vinte anos d´idade, pouco mais ou menos; filho legítimo d´António Grelo e Maria do Nascimento, naturais d´esta freguesia e ella da mencionada freguesia da Póvoa, moradores n´esta freguesia, moleiros, o qual era solteiro e foi sepultado dentro da igreja parochial. E para constar lavrei em duplicado este assento que assigno. Era ect. Supra. Abb. Luís Clemente de sequeira.”

Mozinhos: 11-02-1877, faleceu  Leonor do Nascimento, de 50 anos, “pouco mais ou menos”, casada com Manuel da Costa Peixeira, proprietária, natural e moradora dos Mozinhos, filha legítima de Alexandre José e de Maria José, naturais dos Mozinhos, já falecidos, jornaleiros, deixou 2 filhos.

Rio Torto: 07-04-1877, faleceu, pelas seis horas da manhã, Escolástica Maria, de 60 anos, aproximadamente, casada, em segundas núpcias, com Camillo de Lelis, natural de lugar desconhecido e moradora no Rio Torto, ignora-se-lhe a ascendência; não fez testamento e foi sepultada dentro da igreja paroquial do Souto. 

Rio Torto: 29-09-1877, faleceu, pelas 2 horas da manhã, Olinda de Jesus, de cinco anos e meio, filha de Francisco António e de Rita de Jesus, ele do Rio Torto, ela da Póvoa, moleiros.

Mozinhos: 04-10-1877, faleceu, pelas 6 horas da tarde (18h), com todos os sacramentos, João Manuel de Bastos, de 70 anos, “aproximadamente”, casado, em segundas núpcias, com Luísa Alexandrina, natural de Ourozinho, proprietário, morador nos Mozinhos, ignoram-se-lhe os ascendentes e deixou uma filha.

Rio Torto: 0711-1877, faleceu, pelas 9 horas da noite (21h), Ramiro, de 12 meses, filho de António do Nascimento e de Maria da Luz, naturais, ele das Antas, ela de Ranhados, moradores no Rio Torto.

Mozinhos: 30-11-1877, faleceu Maria, de 10 meses de vida, filha de Francisco Manuel de Aguiar e de Teresa de Jesus, naturais, ele dos Mozinhos, ela da Póvoa, proprietários.

Rio Bom: 05-01-1878, faleceu António Bernardo Grelo, pelas 10 horas da noite (22h), sem sacramentos, por ter morrido repentinamente, de 60 anos, moleiro, casado com Maria de Jesus, natural do Rio Bom, filho de João Manuel e de Ana Maria, deixou 2 filhos.

Mozinhos: 30-01-1878, faleceu, pelas 3 da tarde (15h), sem sacramentos, Luísa Teresa Sobral, de 70 anos, viúva de José Bento Aguiar, natural dos Mozinhos, “governata da sua casa”, filha de João Manuel e de Bernarda, já falecidos, naturais desta freguesia, deixou 3 filhos.

Rio Torto: 28-02-1878. Faleceu, pelas 5 horas da manhã, Armindo, de 5 meses, filho de João António Vieira e de Ana Joaquina, moleiros, naturais de Ranhados, moradores no Rio Torto.

Rio Torto: 20-06-1878, faleceu, pelas 11 horas da manhã, João, de vinte anos, filho de Francisco António e de Rita de Jesus, ele natural do Rio Torto, ela da Póvoa, moleiros.

 Mozinhos: 24-06-1878, faleceu, pelas 7 horas e 30 minutos, da manhã, Ana de Jesus, de 30 anos, natural da Póvoa, moradora nos Mozinhos, proprietária, casada com Manuel de Jesus Aguiar, filha de Joaquim António da Costa e de Josefa Maria, naturais da Póvoa, proprietários, não deixou filhos.

Rio Torto: 23-05-1879, faleceu, pelas 12 horas, Luís Maria, de 10 meses de vida, filho de Francisco Peralta, natural de Cedovim, e de Maria S. José, natural de Ranhados, moleiros, moradores no Rio Torto.

Trancosã: 17-05-1879, faleceu, pelas 4 horas da tarde (16h), Lodovino António, de 25 anos, natural e morador na Trancosã, solteiro, filho de Lino Fernandes, proprietário, viúvo de Balbina de Jesus.

Mozinhos: 28-03-1879, faleceu José, de 22 meses de vida, filho de João Evangelista e de Inácia Joaquina, naturais, ele dos Mozinhos, ela de Alcarva, proprietários, moradores nos Mozinhos.

Mozinhos: 23-08-1879, faleceu, pelas 5,30 horas, da manhã, Maria Cândida, de 19 meses de vidas, filha de Francisco Manuel Aguiar e de Teresa de Jesus, proprietários, naturais, ele dos Mozinhos, ela da Póvoa.

Mozinhos: 22-09-1879, faleceu, pelas 6,30 horas da manhã, Manuel, de 2 anos de idade, filho de António Joaquim de Aguiar e de Maria de Jesus, naturais, ele dos Mozinhos, ela de Ranhados, jornaleiros, moradores nos Mozinhos.

Mozinhos: 14-10-1879, faleceu, pelas 9 horas da manhã, Maria, de 5 anos de idade, filha de António Manuel Aguiar e de Ana Joaquina, naturais, ele dos Mozinhos, ela de Ranhados, jornaleiros.

Mozinhos: 30-10-1879, faleceu, “durante a noite”, Ana Joaquina, de 50 anos, viúva de Francisco Vieira, jornaleira, natural e moradora nos Mozinho, filha de João António e de Ana da Granja, não deixou filhos.

Rio Torto: 05-11-1879, faleceu, pelas 5 horas da manhã, Cipriano, de 2 anos, filho de Manuel Cabral e de Rosa Joaquina, jornaleiros, naturais e moradores no Rio Torto.

Mozinhos: 15-11-1879, faleceu, pelas 5 horas da tarde (17h), João, de 7 anos, filho de António Joaquim de Aguiar e de Maria de Jesus, ele dos Mozinhos, ela natural de Ranhados, jornaleiros, moradores nos Mozinhos.

Trancosã: 14-12-1879, faleceu, pelas 7,30 horas da manhã, Maria de Jesus, de 17 anos, solteira, natural e moradora na Trancosã, filha de José Ramos Fernandes e de Francisca Joaquina, jornaleiros.

Trancosã: 17-12-1879, faleceu, pelas 9 horas da noite (21h), Guilhermina, de 19 dias de vida, filha de António Joaquim Coelho e de Ana Joaquina, proprietários.

Mozinhos: 27-12-1879, faleceu, pelo meio-dia (12h), António, de 28 meses de vida, filho de João Manuel da Costa e de Ana do Espirito Santo, jornaleiros, moradores nos Mozinho.

Rio Torto: 19-01-1880, faleceu, às 4 horas da manhã, Aurélio dos Santos, “de um ano e meio”, filho de pai incógnito e de Antónia Serafina, solteira, “governante de casa”, natural do Rio torto, “foi enterrado na igreja por não haver cemitério”. Assina o Enco-mendado Francisco Manuel da Costa

Trancosã: 30-01-1880, às 10 horas da noite (22h), faleceu Maria Joaquina, de 6 meses de vida, filha de António Joaquim Costa, natural de Foz Côa e de Antónia Joaquina Martins, governanta da sua casa, natural da Trancosã.

Mozinhos: 21-02-1880, faleceu  Manuel António da Costa Peixeira, às 9 horas da manhã, lavrador, morador nos Mozinhos, natural da freguesia, casado com Luísa Mar-garida, tinha 56 anos, era filho de Francisco Manuel da Costa, lavrador, da freguesia, e de Luísa Maria Peixeira, do Souto, deixou 2 filhos. Páraco Encomendado Francisco Manuel da Costa.

Mozinhos: 01-03-1880, às 10 horas da manhã, faleceu  Maria da Assunção, de 70 anos, casada com Joaquim António de Aguiar, tecedeira, natural de Bebeses, filha de António José Correia, proprietário, e de Maria do Espírito Santo, governata da sua casa, naturais de Bebese, deixou 2 filhos.

Rio Torto: 19-05-1880, às 6 horas da tarde (18h), faleceu Maria Adelaide, de 16 meses de vida, filha de João António Vieira, moleiro, e de Ana Joaquina, ambos naturais de Ranhados, moradores no Rio Torto.

Rio Torto: 13-08-1880, pelas 5 horas da manhã, numa casa do Rio Torto, faleceu “um individuo do sexo feminino, que não tinha nome por ter morrido poucas horas antes de chegar e ainda não tinha sido baptizado”, filha de Joaquim Macieira e de Leonor Rosa, moleiros, foi sepultada dentro da igreja por não haver cemitério.
Trancosã: 09-11-1880, pelas 9 horas da noite (21h), faleceu Lino de Jesus, viúvo de Umbelina de Jesus, jornaleiro, de “sessenta e tantos anos”, filho de Francisco Fernandes e de Maria Angelica, naturais da Trancosã, deixou filhos e foi sepultado dentro da igreja. Assina Paraco Ignácio de Almeida.

Rio Torto: 28-11-1880, pelas 2 horas da tarde (14h), numa casa do Rio Torto, limite da freguesia, faleceu António do Nascimento, tomamdo o sacramento da extrema-unção, casado com Maria da Luz, jornaleiro, de “quarenta e tantos anos”, filho de Francisco do Nascimento e de Helena Maria, naturais das Antas; deixou filhos, não fez testamento e foi sepultado dentro da igreja.

Mozinhos: 18-01-1881, pelas 8 horas da tarde (20h), no lugar dos Mozinhos, limite da freguesia, faleceu José de Deus, solteiro, jornaleiro, de 20 anos, natural desta freguesia, filho de António Manuel de Aguiar e de Ana Joaquina, não fez testamento, nem deixou filhos, foi sepultado dentro da igreja.

Rio Torto: 24-01-1881, pelas 7 horas da tarde (19h), “numa casa de moinhos sito no lugar do Rio Torto, limite desta freguesia de Sâo Pedro do Souto, faleceu um indivíduo do sexo masculino que nome não tinha por não ter sido baptizado solenemente, de desassete dias de idade”, filho de Francisco António Peralta e de Rita de Jesus, moleiros.

Mozinhos: 05-02-1881, faleceu Francisco Carlos, de 4 meses de vida, filho de António Manuel d´Aguiar e de Ana Joaquina, residentes nos Mozinhos.

Rio Torto: 17-02-1881, pelas 2 horas da tarde (14h) “numa casa dos moinhos do Rio Torto”, faleceu Lucinda da Ressurreição, de Francisco António Peralta Vieira e de Maria S. José, moleiros, residentes no Rio Torto.

Trancosã: 03-03-1881, pelas 4 horas da manhã, faleceu António Cláudio Martins, casa-do com Joana Maria Fernandes, proprietários, de 70 anos, natural da freguesia (Barca?) de Jales, Vila Pouca, diocese de Braga, filho de António Martins Rendeiro e de Maria Rita, o qual fez testamento e deixou filhos, foi sepultado dentro da igreja.

Mozinhos: 26-04-1881, pelas 4 horas da manhã, faleceu Silvina, de 4 meses de vida, filha de João Evangelista e de Ignácia Joaquina, jornaleiros, residentes nos Mozinhos.

Mozinhos: 18-08-1881, pelas 9 horas da manhã, faleceu  Joaquim António d´Aguiar, viúvo de Maria d´Assunpção, proprietário, de 66 anos, natural e residente nos Mozinhos, filho de Francisco António d´Aguiar e Ana do Pedro, residentes nos Mozinhos. Não fez testamento e deixou filhos, foi sepultado dentro da igreja. Paraco Ignácio d´Almeida.

Rio Torto: 27-08-1881, pelas 10 horas da tarde (22h), “numa casa dos moinhos do Rio Torto, faleceu Manuel, de mês e meio de vida, filho natural de Maria Rita, natural da Saboza das Antas, concelho de Sernancelhe, residente na freguesia na qualidade de criado de servir”, foi sepultado dentro da igreja.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mozinhos: Maria Lopes e outros contos do Rio Torto.

Maria Lopes
Quarta-feira, dia 3 de Março, de 1728, dia dos quarenta mártires, dia do beato jacobino canepacci, dia internacional da vida selvagem (a partir de 2013), a moleira Maria Lopes, do Rio Torto, mulher de Gaspar Rodrigues, filha de moleiros, ia para se levantar das palhas de centeio, sobre as quais dormia com o seu marido, assim unidos, por matrimónio católico, na igreja de São Pedro do Souto, mas ele puxou-a para si:
- Anda cá, minha flor, que te vou fazer bem… - Sussurrou Gaspar, firmando-se na mulher e logo lhe saltou para cima, mas ela protestou, ao mesmo tempo que se esgueirava, de debaixo dele:
- Larga-me homem da santíssima que me rebentas a bexiga, deixa-me mijar, por amor de deus.
Maria libertou-se, de um salto, pôs-se em pé, esticou a combinação, pernas abaixo que o marido lhe tinha arregaçado, destrancou a porta, saiu, batendo, novamente, a entrada. Gaspar tapou-se com a manta, esperançoso no regresso da mulher, no sentido de, com ela, fazer o amor matinal, precisamente, aproveitando a erecção…
Entretanto, já dormitava de novo, Maria tardava, quando dois estrondosos murros na respectiva porta do moinho, concomitantemente, habitação, o sobressaltaram:
- Oh da casa! Oh da casa! – Numa voz grave, tormentosa e cavernosa, masculina.
As crianças, as filhas do casal, Maria e Teresa, deitadas na cama de palhas, aos pés dos progenitores, desataram a chorar, apavoradas, acordadas com o soar dos murros na porta.
Gaspar, atordoado, ainda mal se vislumbrava nesga de claridade pelas frinchas, Maria tinha saído para urinar, com o coração a galope que nem o cavalo do padre Reinaldo, não pôde responder, de imediato. Aflito, temeu pela sua mulher, mas a uma hora daquelas, ali no seu moinho do Rio Torto, que lhe poderia ter acontecido? Quem era o da voz tão tormentosa e a que propósito? Refez-se, como pôde, vestiu as calças, sacando-as dali, de ao pé de si, descalço, tamancos na mão canhota, e perguntou, enquanto abria a porta:
- Quem é?
Logo deparou com quatro guardas do reino, fardados, nunca os tinha visto em parte alguma, mas sabia que o eram e o que habitualmente exerciam: prendiam, a mando do tribunal do santo ofício, hereges, mouros e feiticeiras…
- És o Gaspar Rodrigues?
- Sou sim, meus senhores. - Ao responder, afirmativamente, estremecia todo, alguma urina matinal libertou-se, pernas abaixo, molhando-lhe um joelho e, sem dar por isso, deixou soltar-se, da mão, ambos os tamancos.
- Vimos buscar a tua mulher! Onde está? – Assim, sem mais, nem menos, brutalmente, quatro desconhecidos, fardados, ao amanhecer, no dia dos santos quarenta mártires, da igreja católica apostólica romana, surgiram, como lobos, roubar, ao seu curral, a sua mulher, o seu melhor bem, que lhe tinha sido concedido, em nome de um deus no altar e, em nome desse mesmo deus, cruelmente, lha vinham usurpar, ao lar que ambos, arduamente, construíam.
As petizas enroscaram-se ainda mais nas mantas de burel, tremendo de medo ao escutarem a voz autoritária do guarda, no lado de fora da entrada do casebre, ambivalente, ou seja, moinho e casa de habitação com lugar para as mós, para a pilheira, a fogueira e o espaço onde todos dormiam sobre colmo.
Dois rafeiros que não tinham ladrado aos guardas, ao chegarem ao Rio Torto, em virtude destes os terem afagado, brindando-os com um pedacito de pão, romperam a rosnar e a latir, furiosamente, a partir do momento em que Gaspar se aprontou tão tremulo, encolhido, titubeante, sob o mando dos guardas, os cães como que mobilizados em defesa do moleiro.  
Maria que não tinha dado pela chegada das autoridades, por via de ter ido, por momentos, verificar se as portinholas das galinhas e do suíno, respectivamente, permaneciam encerradas, tal como as tinha deixado, ao escurecer do dia anterior, visto que, por vezes, pessoas ou bichos assaltavam os moleiros, pela calada da noite, e se não encontrassem farinha ou grão roubavam-lhes os animais domésticos. Correu logo para trás de um grande pedregulho, ao lado do seu moinho, escondendo-se e, ao mesmo tempo, observando, de lugar seguro, o que se passava à porta da sua casa onde tinha a sua família. Quis aparecer, acudindo ao marido que ela bem via aflito e acalmar as sua filhas que imaginava apavoradas, mas hesitou, mais por se encontrar em combinação de flanela, apenas agasalhada com um xaile pelos ombros, do que por receio das autoridades, àquela hora, prostradas à sua porta, sem saber, minimamente, o propósito.
Perante a atrapalhação e a tremedeira de Gaspar, os guardas irromperam casebre adentro, empurrando o moleiro. Um dos guarda deitou a manápula às mantas que encobriam as meninas, destapando-as totalmente e elas ali anichadas, batendo o dente de medo e de frio, naquela madrugada invernal de Março. Passaram revista ao resto dos aposentos, destapando, até, a panela do caldo sobre as cinzas do borralho da noite antecedente. As mós continuavam no seu movimento incessante, triturando e desfazendo grão a grão o centeio e a cevada que caía da moenga no olho de cada mó, respectivamente. Pois, vida de moleiro é a de aproveitar o caudal da água, enquanto ela é suficiente para mover as pesadas graníticas. A partir do mês de Maio, geralmente, todos os anos, os moinhos param por falta da sua força motriz, a energia hidráulica, por gravidade sobre o rodízio. Só após as águas outonais, por vezes, em pleno mês de Novembro, é que o rio Torto botava caudal capaz de mover mós, novamente.
Maria espreitou e Gaspar topou com ela que lhe acenou, mostrando-lhe que se encontrava em combinação. Ele logo se virou e apanhou, da beira da cama de colmo, a saia da moleira. Voltou-se e lançou-a à mulher, porém não teve o devido cuidado para não ser notado, no movimento, pelo que dois dos guardas o seguiram e, assim, descobriram o esconderijo da Maria Lopes. Correram para ela que nem galgos, nem lhe deram tempo dela enfiar a saia, apenas ia com a perna direita no ar, logo a arrastaram, cada um dos algozes, prendendo-a pelos respectivos braços.
- Deixem-na! Deixem a minha mulher! – Berrou Gaspar, furioso, que nem parecia o mesmo medroso tremedouro.
Entretanto, Maria, aproveitando a frouxidão dos guardas, espantados com a determinação de Gaspar, conseguiu recuperar a saia enfiando-a pernas acima.
- Que te deu valentão? Retorquiu um dos guardas, ameaçadoramente.
Os rafeiros assanhavam-se mais e os vizinhos, moleiros e camponeses do lugar do Rio Torto, acudiam face a tamanho alarido. Os quatro guardas abrandaram os movimentos bruscos e baixaram o tom ameaçador. Em tempo relativamente curto, em frente ao moinho habitação dos moleiros Gaspar Rodrigues e da sua esposa, Maria Lopes, todos juntos ouviam as ordens da guarda que ali veio em demanda de Maria Lopes, no sentido de a levar presa, por ordem do tribunal do santo ofício de Coimbra.
Maria Lopes, mãe de Maria Lopes, mulher do falecido Daniel Rodrigues, pai de Maria Lopes, de Francisca Lopes e de Úrsula Lopes, também já presentes, bem como os respectivos maridos e suas proles, imploravam clemência, carpindo, mas os guardas, resolutos, determinados e insensíveis, mandaram que Maria Lopes, mulher de Gaspar Rodrigues, natural do Rio Torto, moleira, de 25 anos, mãe de Teresa e de Maria, menores, marchasse, em frente deles, sob pena de ser obrigada a fazê-lo a chicote. Maria vestida de saia e blusita, xaile, pelos ombros, calçada de tamancos que, entretanto, a sua mãe tirara dos seus próprios pés e calçou nos da sua filha que via partir, cativa, impotente para o impedir. Pelo carreiro estreito, Maria Lopes, cativa, escoltada por quatro guardas do reino de Portugal, a mando e ao serviço da igreja católica, seguiam à borda do rio. A água, indiferente, marulhava de pedra em pedra na sua cantata incessante. Ao chegarem ao pontão que ligava as duas margens, a de Cedovim e a do Souto, Maria olhou, de esguelha, para a outra margem, a de Cedovim, onde se tinham postado vizinhos, assistindo, curiosos, mudos e amedrontados. Maria teve ganas de deitar a correr e fugir, fugir, correr margem direita do rio Torto abaixo, de modo a não ser alcançada pelos guardas, nem que tivesse de se deitar ao rio. Antes queria morrer afogada nas águas do rio que lhe moviam as mós do seu moinho do que ir ali vexada, presa cuja culpa não entendia. Todavia, rapidamente, percebeu que seria uma tentativa falhada, os algozes seriam implacáveis: agarrá-la-iam e ninguém lhe valeria, por isso, deitou olhar no chão, seguiu, virando à esquina da casa do moleiro vizinho, pelo carreiro, em direcção ao Souto. Seguia pelo caminho que quase diariamente tomava, atrás do seu jumento, na qualidade de moleirinha, toc, toc, fazendo entrega de farinha ou recolhendo grão para moer no seu moinho, herdado de geração em geração, mas que a obrigavam a abandonar sob ordem de prisão, acusada de heresia, coisa que o seu entendimento não alcançava.
O chão, esbranquiçado, por força da forte geada que se tinha feito sentir, durante a noite, provocava escorregadelas perigosas, que ela vencia, com dificuldade, e os guardas ainda mais desequilíbrios temiam, dado o desconhecimento do piso, porém melhor venciam pelo superior calçado que usavam. Da arriba, logo à saída da pequena povoação, dispersa, os vizinhos miravam, impotentes e incrédulos face ao sucedido naquela manhã fria de 3 de Março, quarta-feira, dia dos quarenta mártires. Adivinhava-se um dia solarengo, pois o sol matinal já beijava o cume do alto de Santo António. No entanto, as encostas, à sua direita e à sua esquerda, continuavam a esbranquiçar da geada que até parecia terra enfarinhada pela farinha do seu panal. Os castanheiros, os amieiros, as nogueiras, as amendoeiras e os freixos, ainda de galhos sem folha, ladeavam o caminho por onde Maria Lopes, a moleira, caminhava em frente dos guardas. Ia triste, chorando, baixinho. Não lhe deram tempo para se despedir das suas filhas. Foi para dar e receber um abraço do seu homem e nem isso lhe permitiram, empurrando-a, bruscamente, do alcance dos seus. Maria Lopes caminhava, forçada, sob prisão de coração desfeito, sem saber o que seria dos seus: quem cuidaria das suas meninas, quem daria a vianda ao porco, quem olharia pelas galinhas, quem faria a entrega da farinha aos fregueses, quem faria o caldo, quem botaria o forno, quem cozeria o pão, o pão de cada dia…
Maria ia triste, as lágrimas, silenciosas, escorriam-lhe pelas faces abaixo. A aragem matinal cortava-lhe as bochechas destapadas, por isso, apertou mais o lenço e puxou para a cabeça o xaile de burel.
- Vais com a mosca! – Gozou um dos algozes que, atrás, lhe seguia os movimentos e trejeitos, sem o mínimo de comiseração.
Maria Lopes, calada no fundo da sua alma, mal olhava em volta, ia com a sensação de que tudo em seu redor gemia de mágoa, as árvores ainda sem as flores e folhas primaveris, plangentes, parecia que lhe juravam, para sempre, nudez, despidas. Àquela hora, noutras manhãs, Maria tinha feito o mesmo percurso, madrugando na entrega da farinha. No entanto, nessas manhãs, atrás do seu burrinho, a paisagem sempre se lhe apresentou airosa, até nos dias de chuva e de nevoeiro a encantava com o seu quê de mistério. Desde o seu moinho até à casa dos fregueses, praticamente, nunca a apartavam os chilreantes da passarada, como que dando-lhe os bons dias. Porém, naquela manhã gelada de 3 de Março, ao romper do sol, nem um sinal de pintarroxo, muito menos de pintassilgo. Uma ou outra cotovia esvoaçou, muda, à sua frente, mas logo se escondiam, voando para longe, na direcção das searas de centeio, na encosta do seu lado direito. Searas, não por que se notasse o verde das plantas, pois a geada tingia-se de branco, mas porque ela sabia que aí tinham procedido a essa sementeira, os seus próprios cunhados tinham lavrado aquele fraguedo todo, cavando onde a relha do arado não penetrava.
Quase a dobrar a curva, prestes a passar pelo regato cujas águas se juntariam às que escorriam das faldas do Souto, para, juntas, desaguarem no seu rio Torto, um tudo-nada, a jusante do seu moinho, a partir do telhado, da casa da quinta do Carmelo, rente do tal arroio, esfumava já a fogueira. Maria logo pensou na sua casa, aflita, sem saber o que se lá passaria, sem ela para aquecer o caldo. A senhora Ermelinda assomou-se à porta e chamou:
- Maria! Maria, que aconteceu, minha filha?
- Cale-se! Meta-se na sua vida! – Berrou um dos guardas, cá de cima, do caminho, tocando, com um empurrãozito, Maria que abrandou, chorando, querendo mas sem conseguir responder à interjeição da freguesa.
Mais um pouco de ladeira, por entre galhas de castanheiros, eis que chegaram à curva, da qual já se mirava o casario do Souto. O guarda que seguia, imediatamente, atrás de si, encostou-lhe o punho do chicote à nádega direita e atirou:
- Para ali, para a esquerda, vamos para a Meda! Por onde querias ir tu?
Maria, obedecendo, irremediavelmente, verificou que os guardas não eram daquelas bandas, senão tomariam outro caminho: a escolha daquele itinerário, só de forasteiro mal informado. Certo, ela nunca tinha ido a Coimbra, mas moleira é, por natureza e por ofício, caminheira, se não conhece intui e, desse modo, pressentia que ir à Meda seria andar em ziguezague. Sempre tinha ouvido contar que para se ir a Coimbra tomar-se-ia o caminho de Lamego, por Ferreirim, Moimenta da Beira, Salzedas, Ucanha, Castro Daire, pelo traçado da antiga estrada romana que dava a Viseu. Daí a Coimbra, por Repezes, Vila Chã de Sá, Fail, Parada de Gonta, Canas de Santa Maria e Tondela. Ao ocorrer-lhe o nome de Tondela, lembrou-se do padre António Guilherme e, estremecendo, entendeu de onde, eventualmente, tinha partido a acusação de heresia. Teve vontade de gritar, ali, no meio das giestas e dos calhaus graníticos, que ela, Maria Lopes, moleira do Rio Torto, não tinha nada que ver com as pregações do padre que se dizia deus, o enviado, mas conteve-se: teve receio dos algozes.
Aquele carreiro levá-los-ia a Marialva e, aí, tomariam a antiga estrada romana da Guarda, por Folgosinho, Serra da Estrela, Famalicão da Serra, descendo para cruzar o rio Mondego, próximo de Videmonte. Maria Lopes foi arrancada de sua casa, do seu moinho e dos seus, abruptamente. Não lhe perguntaram se podia caminhar, se estava em jejum, se queria aviar merenda para o caminho. Quase a passar pelos moinhos do Polinário, bem a montante do seu, sentia-se exausta, trôpega. Os guardas perceberam que tinham ali um problema com a cativa, ela não aguentaria a caminhada até Marialva onde tinham as montadas. 
Um dos guardas disse:
- Estamos ferrados, nosso cabo…
- Ferrados… por quê? Joaquim… - Respondeu o cabo, apreensivo, verificando também que Maria Lopes quase já não caminhava e não esperando pela resposta do guarda Joaquim, ordenou:
- Alto! Vamos descansar um pouco, aqui.
Maria Lopes, estafada que nem parecia uma moça de 25 anos, parou e sentou-se na paredezinha à borda do carreiro, sem esperar de ordens para o efeito. O guarda mais voluntarioso e grosseiro com a cativa ia para reprimir Maria Lopes, mas o cabo fez-lhe sinal para condescender. Os algozes, também cansados da estafeta, pois tinham caminhado noite dentro, de Marialva para o Rio Torto, por Ranhados, e regressavam, via Meda, de madrugada, sem que tivessem feito uma pausa, sentaram-se, cada um em seu calhau. 
- Guarda Manuel, dê cá uma bucha que já merecemos o mata-bicho. – Ordenou o cabo e os guardas ali se serviram do bornal, tirando, para si, um pedaço de pão e um bocado de queijo de cabra, fedorento.
- Não comes nada, mulher? – Dirigiu-se o guarda mais violento, a Maria Lopes, zombando. 
- Tss, tss.. Não é que não a mandamos aviar merenda… e agora? – Sobressaltou-se o cabo, só, naquele momento, reparou que prenderam Maria Lopes, no intento da levar cativa ao tribunal da inquisição de Coimbra, sem farnel.
- Que forro levas aí, mulher? – Voltou o cabo dirigindo-se a Maria Lopes, no sentido de saber se ela tinha dinheiro consigo para as respectivas despesas e encargos com alimentação e transporte, até ao cárcere. 
- Não tenho nada, meus senhores. – Conseguiu responder Maria, a muito custo, de voz embargada, irrompendo em soluços, dilacerantes. 
- Voltamos atrás, meu cabo? – Acudiu o guarda Joaquim.
- Não! Vamos em frente, o juiz da comarca resolve… - Sentenciou o cabo.
Entretanto, recompostos os guardas, com a presa sentada na parede da borda do caminho, preparavam-se para tocar Maria Lopes. Porém, o cabo virou costas, afastando-se umas passadas e pôs-se a urinar. O guarda Manuel, que até à data, se tinha abstido de humilhar a cativa, deu, à mão, um pedaço de pão a Maria e, disfarçadamente, fechou o farnel, antes que o cabo desse pelo acto. O guarda Joaquim ia para intervir, mas logo o outro, o José, se interpôs, serenando os ânimos, entre Joaquim e Manuel. Maria recebeu o pedaço de pão e meteu a mão com ele sob o xaile, caminhando, logo que o cabo se juntou ao grupo, sem resistência.
Prosseguindo pelo caminho, passaram, através do frágil pontão, sobre o Torto, para a outra margem, a de Ranhados, a antiga villae romana Medobriga, rente aos moinhos do Mendes. Entretanto, o sol já ia alto e os camponeses deslocavam-se para os campos e os pastores conduziam os rebanhos para os montes, todos estacavam a mirar Maria Lopes, refém de quatro guardas, mas ninguém ousava perguntar pela causa, apenas se limitavam a descobrir a cabeça, fazendo vénias às autoridades, por medo de revanchismo. Desceram à borda da quinta da Canada, voltaram a atravessar outro curso de água, aos fundos da quinta das sapateiras. Os guardas sempre colados a Maria Lopes, no sentido de evitarem qualquer tentativa de fuga ou de outro disparate, pois, eles repararam que a cativa, ao passar sobre as poldres, abaixo da quinta das Sapateiras, tinha feito menção de se deitar à água. Prontamente, o guarda Joaquim lhe deitou as mãos, conduzindo-a de pilar a pilar. Subindo a encosta, chegaram a Ariola, o cabo deu ordens para mais uma pausa.
De Ariola surgiu um jovem casal, ambos no dorso de uma égua, cor de canela escura:
- Bom dia, senhores guardas. – Salvou o rapaz e acenou a rapariga com a cabeça, sem descolar as mãos da cintura do companheiro, ao qual se segurava sobre a albarda do quadrúpede. 
- Bons dias! Para onde vão vossemecês? – Interrogou o cabo.
- Até à Meda, para a Meda, senhor guarda, ao mercado… - Acudiu João Rodrigues da Cruz, o rapaz, marido de Eufémia Aguiar, a sua esposa, que levava consigo, a acavalo na égua. 
- Se vossemecê nos levasse, na égua, aqui este emplastro… - Retornou o cabo, referindo-se a Maria Lopes.
- Então não levamos? É para já, meus senhores. Oh Eufémia, vamos lá desmontar.
João Rodrigues da Cruz e Eufémia de Aguiar, camponeses, de certo modo, abastados do lugar de Ariola, jovem casal que mais tarde iriam ter filhos, um dos quais, Pedro de Aguiar que, por coisas do acaso ou de um destino qualquer, viria a casar com Ana Maria do Lugar dos Mozinhos, levaram, por anuência dos algozes, na sua égua, Maria Lopes, do lugar do Rio Torto, acusada, pelo tribunal da inquisição de Coimbra, de crimes de heresia, até ao cárcere da comarca da Meda, provisoriamente, até a arrastarem para julgamento e retida nos calabouços de Coimbra. 
Presente ao juiz do reino a presumível acusada de práticas de heresia, de acordo com os ditames do Direito Canónico, pelos factos, umbilical com as leis régias, Maria Lopes logo foi encarcerada numa cela onde apenas havia um caldeiro para as necessidades fisiológicas, palha e umas mantas sujas e rotas. A cativa foi empurrada para dentro do cubículo escuro, apenas uns taipais que não chegavam ao tecto do edifício e uns orifícios, ao acaso, permitiam alguma claridade. Já não chorava, atónita, ainda conservava o pedaço de pão, tal como lho tinha dado o guarda Manuel, devorou-o.
Ficou, ali, sem saber quanto tempo, nem onde se encontrava, apenas despertou com o abrir da cela de onde surgiu um vulto que lhe colocou, por perto, um tarro cheio de água e, ao lado, deixou mais um pedaço de pão escuro e recesso. Abandonada, Maria Lopes para ali se prostrou, irremediavelmente, sem nada, nem ninguém que lhe acudisse. No outro dia, julgou ela, pois, entretanto, desceu sobre a sela a escuridão total e retornou a nesga de claridade, a porta voltou a abrir-se e, desta vez, alguém empurrou, para dentro, uma pessoa. Tudo em gestos bruscos, ameaças e ofensas à nova companheira, uma mulher andrajosa. A companheira, que ali chegou, proveniente da luz da rua, não enxergava nada, mas Maria Lopes, que já tinha os olhos refeitos ao escuro, logo reconheceu a encarcerada, era a Maria da Luz, a senhora Maria da Luz, do Poço do Canto.
- Credo, minha Nossa Senhora, senhora Maria, também a trouxeram. – Balbuciou Maria Lopes.
- Ai minha filha que estamos pedidas. – Retorquiu Maria da Luz, visivelmente, menos atormentada do que Maria Lopes.
- Ai valha me deus, por que nos prenderam, que fizemos nós? – Voltou Maria Lopes.
- Então não te disseram qual era a culpa?
- Não, não senhora, aqui estou, como cordeiro nas garras de lobo.
- Olha, Maria, foste acusada de seguires os mandamentos do padre António Guilherme e, a mim, querem que confirme as tuas culpas. - Rematou Maria da Luz, aterrando ainda mais Maria Lopes.
- E olha que não me intimaram só a mim, têm para aí perguntado a muita gente se reconhecem o teu erro. – Reforçou ainda Maria da Luz, para desespero total de Maria Lopes que já nem respondia, nem questionava de tão perdida e apavorada com a presumível culpa.
Cá fora, na total ignorância de Maria Lopes acerca das movimentações relativas ao seu processo, os guardas foram a Cedovim, à Horta e a Poço do Canto recolher depoimentos que incriminassem Maria Lopes por crenças e práticas de heresia, contrárias aos mandamentos da doutrina católica e apostólica da santa madre igreja. Voltaram ao Rio Torto, obrigaram, sob coacção, que Gaspar Rodrigues, Francisca Lopes, Úrsula Lopes e Maria Lopes, respectivamente marido, irmãs e mãe da cativa, confirmassem que Maria Lopes acreditou nas pregações do Padre António Guilherme, de Tondela, quanto ao facto de ele ser o enviado. Por outro lado, mandaram que Gaspar Rodrigues fosse ao juiz da comarca da Meda entregar provimentos em reais e em mantimentos, no sentido da sua mulher pagar as despesas com a alimentação, o transporte e a estadia no cárcere. Gaspar reuniu os reais que pôde, alguns emprestados, sob penhora, e, nuns alforges, carregou com uns pães, queijos de cabra, carne de porco, azeitonas, chouriças e uma angoreta de vinho. Entregou tudo ao juiz que não lhe permitiu visitar a mulher, no cárcere.
Rol de testemunhas acabado cujo depoimento incriminavam Maria Lopes na prática de heresias através da veneração a falsos profetas e uso de rituais pagãos, logo foi, de trouxa aviada, em cima de uma mula ronceira, até Coimbra.
Aos dois dias do mes de Abril de mil e setecentos e vinte e oito anos, em Coimbra, na Casa do Despacho da Santa Inquisição, estando aí em audiência, de tarde, os inquisidores mandaram o alcaide Manuel de Moura que pusesse Maria Lopes no sexto cárcere do pano em companhia de Maria Antónia e Luísa Mendes. Leão Henriques o escreveu o termo.
Na Casa da Livraria da Santa Inquisição estando ai em audiência de tarde o senhor deputado Frei Veríssimo de Lima de ordem de sua Eminência mandou vir perante si a uma mulher que em o dito dia mes e ano veio presa para os cárceres desta Inquisição e sendo presente por dizer queria confessar culpas pertencentes a este Tribunal lhe foi dado o juramento dos Santos Evangelhos em que por sua mão sob cargo do qual lhe foi mandada dizer verdade e ter segredo o que prometeu cumprir.
Logo disse chamar-se Maria Lopes que disse ser cristã velha casada com Gaspar Rodrigues moleiro, filha de David Rodrigues, moleiro e Maria Lopes, natural e moradora da freguesia de Souto de Penedono Bispado de Lamego de vinte e cinco anos de idade.
 E logo foi admoestada que por si tomava tão bom conselho em confessar suas culpas nesta Mesa lhe convinha muito traze-las todas a memória para delas fazer uma inteira e verdadeira confissão impondo a si não a outrem testemunho falso que fazendo o contrário se arisca ao rigoroso castigo que no Santo Oficio se dá aos que de si ou de outrem falsamente em suas confissões respondeu que somente a verdade queria dizer a qual era:
Que houvera cinco meses pouco mais ou menos na vila de Ranhados e ermida de Nossa Senhora do Campo ouvindo ela confitente dizer que na mesma assistia o padre António Guilherme de Loureiro natural de Tondela e filho do abade de Moreira a quem não sabe o nome e que o dito padre curava com os exorcismos da Igreja às pessoas enfermas, por padecer uns acidentes desde a sua meninice se foi ter com o dito padre António Guilherme de Loureiro à dita ermida em companhia de sua mãe Maria Lopes e sua irmã Francisco Lopes e na mesma ermida o dito padre António de Loureiro fez os exorcismos e benzeu a todas três e a sua irmã Úrsula Lopes que já estava na dita ermida com o dito padre e a outras mais pessoas que estavam presentes na mesma ermida e depois de benzer a ela confitente o dito padre disse para todos que ela confitente estava tão vexada dos demónios como as mais sendo certo que nem antes nem depois do dito padre a benzer sentiu ela confitente dentro em si coisa alguma de espíritos malignos e só os acidentes que tinha desde menina o mesmo tinha ainda de presente mas reparou que pondo-lhe o padre António Guilherme as mãos sobre sua cabeça quando a benzeu que imediatamente sentiu uns grandes fogos pela cabeça e muitas palpitações do coração o que também lhe sucedeu quando o padre António Guilherme em outra ocasião lhe foi benzer a sua casa e moinho e a benzeu também a ela confitente pondo-lhe como dito tem as mãos sobre a sua cabeça e ao dizer o dito padre em vozes altas com um Cristo nas mãos estas palavras: contra vós espíritos malignos caiu ela confitente por terra sem sentidos com um acidente mas como os que dantes tinha e ainda tem.
Disse mais que na dita ocasião em que o padre António Guilherme de Loureiro benzeu a ela confitente na ermida de Nossa Senhora do Campo benzeu também a sua mãe Maria Lopes e suas irmãs Úrsula e Francisca Lopes e lhe fez os exorcismos e até o dito tempo todas três sobreditas não padeciam mais queixas que as de que vulgarmente se queixam as mulheres que eram umas dores de cabeça, agonias do coração e outras assim semelhantes mas depois que o dito padre as benzeu na sobredita forma, pondo-lhe as suas mãos sobre as suas cabeças logo todas se sentiram como vexadas do demónio e o padre António Guilherme assim lho afirmava que estavam e sua irmã Francisca Lopes mostrou mais que todas que estava pois dizia o inimigo pela sua boca (como afirmava o padre António Guilherme que o inimigo era o que falava) que até agora andavam curando-a da espinhela e que ele tinha estado bem regalado dentro daquele corpo e isto mesmo que sucedeu a ela confitente, sua mãe e irmãs de se sentirem vexadas do espírito maligno depois das bênçãos e exorcismos do padre António Guilherme sucedia a todas as pessoas que recorriam ao mesmo com algumas queixas como ela confitente viu e presenciou em muitas que seriam nove ou dez pessoas que estavam na sobredita ermida e se não lembra dos nomes delas.
Disse mais que passados quatro ou cinco dias depois que o padre António Guilherme benzeu a ela confitente, sua mãe e irmãs veio o mesmo para casa da mãe dela confitente nos moinhos do rio Torto com o pretexto de lhe querer benzer os moinhos e casa dizendo ser necessária esta bênção para sua mãe e filhas melhorassem das vexações dos espíritos e com efeito lhe benzeu os moinhos e casa, com várias cerimónias de que se não lembra e também os moinhos e casa dela confitente e estando todos na dita casa de sua mãe e também Ana Francisca, a Bochecha, outra Ana da Horta solteira filha de Manuel Fernandes de Ranhados, um moço chamado Polónio que todos acompanhavam ao dito padre António Guilherme, disse para ela confitente a dita Ana Francisca Ana Fernandes Polónio Maria Lopes mãe Úrsula irmã Francisca irmã a Bochecha que o dito padre António Guilherme era o mesmo Deus que se ela confitente tinha algumas coisas de que se pudessem fazer relíquias que lhas desse por que o dito padre como era Deus lhas converteria todas em relíquias e duvidando ela confitente de que o fosse Deus o padre António Guilherme pois nem ela nem as mais eram tão venturosas que pudessem estar falando com o mesmo Deus, a sobredita Ana da Horta lhe certificou o mesmo afirmando ser Deus o padre António Guilherme e que podia fazer as sobreditas relíquias e lhe mostrou outras que o dito padre já tinha feito e só pelas ter tido na sua mão lhe dizia que cheiravam muito e bem e isto dando-lhas também a cheirar a ela confitente a dita Ana da Horta, viu e experimentou ela confitente que cheiravam e eram as tais relíquias uns bocadinhos de maravalhas e uns pedacinhos de pano branco o que não obstante ela confitente sempre duvidou de que pudesse assim ser o referido pois disse para a dita Ana da Horta que aquelas coisas podiam cheirar por ela as ter tido de antes entre alguns cheiros.
Disse mais que na mesma ocasião o padre António Guilherme para certificar as pessoas que estavam presentes em casa da mãe dela confitente do que lhes acabavam de dizer Ana Francisca a Bochecha e Ana da Horta de que ele era Deus e de que podia de qualquer coisa fazer uma relíquia disse para todas as ditas pessoas que acabando de beber vinho o seu bafo nunca cheirava a vinho e bafejando com isto a todas as sobreditas pessoas tanto ela confitente como sua mãe e irmãs e as mais pessoas que estavam presentes virão e experimentaram que o dito bafo não cheirava a vinho e então disse Ana Francisca a Bochecha para uma mulher de Ana Francisca Freixo que também estava presente que é viúva não sabe de quem nem como a mulher de Freixo se chama e tem por alcunha a Freixa que engolisse o dito bafo do padre António Guilherme porque tinha virtude e ela dita Ana Francisca pela mesma causa o tinha já engolido por muitas vezes e com efeito a dita mulher de Freixo chegando-se mais para o padre António Guilherme e abrindo a sua boca o padre a bafejou e ela lhe engoliu o bafo mas sem chegar a boca um à do outro.
Disse mais que também na dita ocasião e casa da mãe dela confitente disse o padre António Guilherme para todas as sobreditas pessoas que ele era Deus e que a Santíssima Trindade se unira para ele vir ao mundo no qual havia de andar alguns anos para converter as criaturas das quais por muitas serem incrédulas tinha permitido a Santíssima Trindade ser ele o que viesse ao mundo e que o Reino de Portugal havia de ser o primeiro que se havia de converter e logo havia de passar a outros reinos e que por toda esta Quaresma se saberia bem quem ele era pois lhe havia de chegar nela a sua bula e que as mulheres que de presente o acompanhavam e o seguiam haviam de ser os seus apóstolos assim como Cristo Senhor nosso os teve quando andava pelo mundo e a tudo o sobredito davam inteiro crédito as duas Ana Francisca a Bochecha e Ana da Horta, Polónio e a irmã dela confitente Úrsula Lopes porque diziam que tudo era assim como o padre António Guilherme afirmava de si e ela confitente nunca lhe deu todo o crédito por que o seu coração sempre repugnava ao que o padre António Guilherme dizia e também as mais pessoas lho certificavam do mesmo.
Disse mais que estando como dito tem em casa de sua mãe e na mesma ocasião acima dita ouviu dizer mais ao padre Antonino Guilherme que aquelas criaturas que o seguiam e estavam vexadas traziam dentro em si muitos mil demónios aos quais todos ele havia de salvar e faze-los anjos ficando os que eram anjos demónios. E perguntando na mesma ocasião o padre António Guilherme às criaturas que estavam vexadas e estavam presentes ou aos demónios que ele dizia que as mesmas tinham se se queriam salvar respondendo lhe todas que sim o padre António Guilherme lhe mandou que fossem ao Céu e pondo-lhe a mão sobre as cabeças caíram todos com acidentes e então disse também o dito padre António Guilherme que se o demónio que trazia Ana Francisca a Bochecha se chamava toalha rota como tinha dito o mesmo demónio dali por diante se chamaria toalha limpa para receber ele dito padre em graça.
Disse mais que também ouviu dizer ao padre António Guilherme na mesma ocasião que ele tinha na sua casa de Tondela um sacrário o qual só viam todas as pessoas que na dita casa entravam em graça e que ele dito padre se tinha visto a si mesmo ao pé do dito sacrário e que todas as pessoas que o seguiam quando as levasse pelo mundo sendo os seus Apóstolos, as havia de levar por Tondela donde vissem o dito sacrário afirmando então de si o dito padre que se ele não fosse Deus como tinha dito não poderia ter em sua casa o dito sacrário e que dali a três anos já não havia de haver imagem a doutrina da Igreja se havia de mudar ficando uma e tirando outra o que havia de ficar era o Padre-Nosso e Mandamentos da Lei de Deus e a que se havia de tirar era a Ave-Maria e outra mais de que se não lembra.
Disse mais que estando o padre António Guilherme praticando e afirmando de si o que acaba de dizer e na casa de sua mãe Maria Lopes ouviu dizer a uma mulher de <a mulher de Freixo> Freixo de quem já disse se chamava por alcunha a Frecha (?) que o dito padre António Guilherme tinha as mãos tão formosas que lhe pareciam em tudo semelhantes com as do Senhor do andor dos Passos da sua terra da vila de Freixo e na mesma ocasião lhe disseram também Ana Francisca, a <dita Ana Francisca dita Ana Fernandes dita Úrsula> Bochecha, outra Ana, chamada da Horta e sua irmã Úrsula Lopes que o dito padre António Guilherme afirmava das duas Anas que já eram santas e que não lhe faltava mais que canoniza-las e que a ela dita Úrsula Lopes ainda a não podia escrever por todo de Santa por que ainda lhe faltava muito que padecer.
Disse mais que no mesmo dia em que o padre António Guilherme estava em casa de sua mãe Maria Lopes sendo sobre a tarde lhe disse a mesma ao dito padre que ele e estava parecendo o padre Eterno ao que respondeu o padre António Guilherme que ali estava e ali o tinha nele e tomando logo duas ou três maçãs e partindo-as em talhadinhas disse que as queria consagrar e com efeito fazendo sobre elas algumas cerimónias com a mão e dizendo algumas palavras que nada entendeu nem sabia o que o dito padre fazia mandou este que todas as pessoas que estavam presentes se pusessem de joelhos e recebessem as ditas talhadinhas de maçãs como quem recebia nelas o Corpo de Cristo Senhor Nosso e respondendo-lhe a mãe dela confitente que pouco aparelhada estava para receber o Santíssimo Sacramento o dito padre António Guilherme lhe respondeu que não importava porque bastava para o receber bem a contrição e pondo-se de joelhos e com as mãos levantadas todas as pessoas que estavam presentes que eram ela confitente seu marido Gaspar Rodrigues, sua <Gaspar Rodrigues marido, dita mãe Maria Lopes, dita Úrsula irmã, dita Francisca irmã, dita Ana Francisca, dita Ana Fernandes> mãe Maria Lopes, suas irmãs Úrsula e Francisca Lopes, Ana Francisca a Bochecha, outra Ana, chamada da Horta e outro moço chamado Apolónio receberam todos das mãos do padre António Guilherme como quem recebia a Sagrada Comunhão as ditas talhadinhas de maçãs entendo todos e crendo pelo que diziam e mostravam no exterior que nas ditas talhadinhas de maçãs recebiam o Corpo de Cristo Senhor Nosso.
Disse mais que não só todas as sobreditas pessoas de quem acaba de dizer receberam as talhadinhas de maçãs entendendo que nelas recebam o Corpo de Cristo Senhor nosso como dito tem mas também entendiam e criam que o dito padre António Guilherme era o mesmo Deus como por muitas vezes ela confitente ouviu praticar e dizer às mesmas pessoas que ele era Deus não obstante que ela confitente dentro no seu coração sempre pôs muita dúvida ao que o dito padre dizia e afirmava de si por cujo respeito o dito padre por muitas vezes lhe chamou incrédula e também a todas as sobreditas pessoas duvidava ao que elas lhe diziam e afirmavam do dito padre o que não obstante sempre no exterior fez o mesmo que todas as mais e a crer como elas que o dito padre era Deus pois às suas dúvidas lhe respondiam todas as sobreditas pessoas que a Deus nada era impossível.
Disse mais que tanto capacitaram a ela confitente os ditos e afirmações das sobreditas pessoas para ela confitente crer que era Deus o padre <como creio> António Guilherme que na mesma ocasião em que o mesmo esteve na casa de sua mãe ela confitente posta de joelhos lhe beijou os pés e pedir perdão de suas culpas dizendo-lhe com as mãos levantadas que não sabia com quem falava mas que se acaso assim era o que se dizia e se assim podia ser lhe desse perdão das suas culpas e então lhe deu três beijos nos pés à honra das três pessoas da Santíssima Trindade como assim lhe tinham ensinado Ana Francisca a Bochecha outra Ana, chamada da Horta, e sua irmã Úrsula Lopes as quais tinham ouvido dizer que o dito padre António Guilherme mandava em semelhantes ocasiões rezar três padre nossos e três glorias pátria à honra das três pessoas da Santíssima Trindade e que era o mesmo reza-las a Trindade Santíssima que o dito padre porque ele era a mesma Santíssima Trindade por cuja consideração ela confitente lhe deu nos pés os sobreditos beijos levando porém sempre o seu pensamento ao Céu e dizendo consigo que se ele era a Santíssima Trindade lhe dava os ditos beijos e se não era que lhos não dava.
 Disse mais que vindo notificadas para o Souto e para dizerem o que sabiam a respeito do padre António Guilherme, Ana da Horta e sua irmã Maria Antunes, (como assim lhe parece que se chama) e falando em casa da mãe dela confitente ao dito padre António Guilherme e dizendo-lhe o para que vinham chamadas e perguntando-lhe mais como se haviam de haver nos seus depoimentos o dito padre lhe respondera que confessassem toda a verdade do que lhe haviam visto e ouvido e perguntando-lhe mais o do padre se estavam elas certas em todos os sinais que lhe tinham visto respondendo-lhe a dita Maria Antunes que não o dito padre lhe mostrou então a sua mão para que nela visse e se firmasse dos sinais que nela tinha os quais ela confitente não viu nem sabe porque só lhe ouviu dizer o referido e mostrar a mão e saindo para fora de casa o padre António Guilherme se pôs a olhar para o sol com os olhos fitos nele dizendo para as ditas pessoas e todas as mais que estavam presentes que se ele não fosse o que era que não poderia fazer aquilo que ele fazia que era olhar direito para o sol e no mesmo tempo e ocasião disse também o dito padre António Guilherme que o haviam de prender a ela na mesma hora em que prenderam o filho sem declarar que filho ou de quem, acrescentando também que se lhe não dava que o prendessem porque já estivera no Santo Ofício e dos Senhores Inquisidores muito bem o conheciam.
Disse mais que a Ana Francisca a Bochecha de quem já tem dito ouviu dizer pouco depois que padre António <dita Ana Francisca> Guilherme se tinha abentado aos seus moinhos e casa que quem estivesse à missa não havia de rezar se não que havia de estar com toda a consideração e sentido no dito padre António Guilherme e na de que ele era Deus para o poder receber e comungar espiritualmente dizendo mais que não era ela a que dizia e afirmava o sobredito senão o Anjo que tinha dentro em si e lhe tinham deixado pois ela tendo sido tão grande pecadora e mulher do mundo não era merecedora de receber os favores com que se via e de receber a Deus em sua casa o qual a vinha buscar a ela na mesma e era o dito padre António Guilherme e dizendo logo a si mesma estas palavras = sobe, sobe Anjo e vem dizer o que te perguntam = e logo mostrava que falava o dito Anjo e dizia = guardai os mandamentos do padre António Guilherme quando estiveres à missa não rezeis e entendei que o dito padre que a esta dizendo é o mesmo Deus e nele crede como em tal = e outras mais coisas dizia para capacitar as pessoas na crença de que era Deus o dito padre António Guilherme que de presente lhe não lembram nem mais que confessar nesta Mesa. E declara que tanto o padre António Guilherme como Ana Francisca a Bochecha e todas as mais pessoas quando proferiram as coisas que tem deposto na sua confissão estavam em seu juízo perfeito sem perturbação de vinho ou outra alguma paixão que lhe perturbasse o entendimento menos suas irmãs ou outras algumas pessoas que se diziam e mostravam estarem vexadas dos espíritos malignos porque então quando mostravam que estavam e que diziam o que tinha deposto e lhe pareceu a ela confitente sempre que o padre António Guilherme lhe metia os demónios nos corpos porque só depois que as ditas pessoas lidaram e falaram com o dito padre é que deram sinais de terem espíritos malignos e depois que deixaram de falar com ele poucos ou nenhuns sinais deram de ter os mesmos espíritos principalmente suas irmãs Úrsula e Francisca Lopes, que depois que vieram e foram desta Santa Casa não deram mais sinais alguns dos tais espíritos e que estas eram as suas culpas e de as haver cometido está muito arrependida delas pede perdão e que com ela se use de misericórdia e mais não disse nem ao costume.
Foi lhe dito que tomou muito bom conselho em principiar a confessar suas culpas e lhe convém muito traze-las todas à memória para delas fazer uma inteira e verdadeira confissão declarando também a verdadeira tenção que teve em cometer as que tem confessado porque fazendo assim salvara a sua alma e se pusera em estado de que com ela se use de misericórdia e por tornar a dizer que não era de mais lembrar nem tivera outra tenção nas culpas que cometera senão a de cair nas ditas culpas pela sua grande ignorância e por lhe dizerem as pessoas que a enganaram que a Deus nada era impossível foi outra vez admoestava (sic) em forma e mandada a seu cárcere sendo lhe primeiro lida esta sua confissão e por ela ouvida e entendida disse estava escrita na verdade e que nela se afirmava e ratificava e tornava a dizer de novo que na mesma não tinha que acrescentar diminuir mudar ou emendar nem de novo que dizer ao costume sob cargo do juramento que lhe foi dado ao que estiveram presentes por honestas e religiosas pessoas que tudo viram ouviram e prometeram dizer verdade e assim o juram os Santos Evangelhos os reverendos licenciados Inácio Bernardes e José Antunes da Silva notários desta Inquisição que ex causa assistiram a esta ratificação e assinaram a que eu notário pela ré de seu consentimento por não saber escrever e com o dito senhor deputado Leão Henriques o escrevi.
Notário Veríssimo de Lima [assinatura autografa]
Leão Henriques [assinatura autografa]
Inácio Bernardes [assinatura autografa]
José Antunes da Silva [assinatura autografa]
E indo a ré para seu cárcere foi perguntado aos reverendos notários ratificastes se lhes parecia que ela falava verdade no que dizia em a dita sua confissão e por eles foi dito que sim lhes parecia ter vão assinar com o dito senhor deputado Leão Henriques o escrevi
Notário Veríssimo de Lima [assinatura autografa]
Inácio Bernardes [assinatura autografa]
José Antunes da Silva [assinatura autografa]

Maria Lopes foi, como reza a acta do inquisidor, conduzida ao cárcere. Ia apreensiva, tinha sensação de que algo lhe iria suceder de gravoso. Numa primeira impressão, no decorrer do interrogatório, sentia alívio por ter tido a oportunidade de narrar os factos tal como ela os tinha vivido. Depois de lida a acta, pressentia que, sem haver, nela, verdadeiras deturpações, a linguagem usada parecia-lhe elaborada demasiado para a simplicidade do seu depoimento, temendo, assim, susceptível de segundas interpretações, de modo a incriminá-la. Maria Lopes era analfabeta, o seu vocabulário era restrito, face a tão vastas formulações e considerações. Toda a doutrina que aprendera foi de memória, ouvindo e repetindo as rezas e as preces dos mais velhos, no Rio Torto. As homilias a que tinha assistido, nomeadamente, nas igrejas do Souto, Ranhados, Cedovim, Horta e dos Pereiros tinham apenas representado rituais celebrados numa língua da qual não tirava patavina, ou seja, o latim. As aclamações, asserções dogmáticas do padre António Guilherme sempre lhe tinham suscitado dúvidas, mas, ali, depois de cativa por nelas crer, sentia-se frustrada e revoltada, por não ter tido coragem de rejeitar o discurso do padre louco, eivado de loucuras celestiais.
Maria Lopes, na sua cela, exausta pelo facto de ter sido submetida a tamanha violência psicológica, sentiu profundo cansaço físico e mental. Quedou-se de olhar fixo, sem resposta à estimulação das companheiras prisioneiras; perdeu, subitamente, força muscular e caiu; pestanejou rápido com revolução ocular; com a boca fez movimentos de mastigação e esgares da face; encetou uma série de movimentos rítmicos, estrebuchando todo o corpo; urina escorreu-lhe pernas abaixo; mordia a língua: tudo num movimento confuso e inconsciente. Durante alguns segundos ou até um minuto ou mais, a ocorrência do ataque de epilepsia a Maria Lopes provocou alvoroço no cárcere e nos carcereiros que se apressaram a chamar um clérigo que, entretanto, chegou nos últimos estrebuches de Maria Lopes que logo voltou ao seu estado de saúde, normal. O padre desatou a esconjurar os demónios, empossando, em punho, uma cruz e, depois, virou costas, indo informar o inquisidor-mor da ocorrência, alegando que a presa Maria Lopes tinha sido possuída por uma crise demoníaca. Porventura, em 1728, num cárcere do tribunal do santo ofício, ninguém sabia, nem quereria saber que a epilepsia é uma doença que afecta o cérebro, caracterizada por descarga anormal de alguns ou todos os neurónios cerebrais. Expressa-se através de crises epilépticas recorrentes (duas ou mais), súbitas e imprevisíveis, incontroláveis pelo doente e com duração variável (geralmente entre alguns segundos a vários minutos). 
Ela, Maria Lopes, cativa, moleira do Rio Torto, sentia-se desfalecer, impotente e só, incapaz de contrariar as agruras, as ofensas, a fome, a solidão e, sobretudo, as saudades dos seus familiares, apenas se mantinha viva pelas suas filhas que deixara, forçada, e das quais nunca mais soube a mais pequena notícia: não sabia se tinham sobrevivido à falta dos seus cuidados. Maria Lopes, no seu sentimento de mãe, intuía que as filhas resistiam e aguardavam pelo seu regresso, por isso, ela também resistia, teimando em manter-se viva e lúcida, na esperança do reencontro.