sexta-feira, 27 de abril de 2018

Douro Sul - apontamentos



Douro Sul – apontamentos

Sinopse
Do megalitismo, civilização castreja, romanização, invasões godas, ocupação islâmica, reconquista cristã, ao povoamento e organização administrativa do território, aqui fixamos imenso do nosso legado histórico, social, cultural, político e económico.
Realçámos as lutas fratricidas havidas no espaço geográfico de entre Viseu e Lamego; a exaração documental primeira de São João da Pesqueira e de Penela (1055-1065), Numão (1130), Penedono (1195); a descrição e caracterização do património edificado, nomeadamente, do segundo corredor de defesa e de segurança do Douro Sul.
Enaltecemos e transcrevemos muitos dos documentos e memórias, particularmente as episcopais, administrativas e paroquiais, que nos regeram, moldaram e definiram aos logo destes séculos.
Compilámos os registos paroquiais na integra de gente que edificou, povoou e desenvolveu lugares actualmente desertos, onde a nossa observação quase nada retém dos vestígios desses moradores dos séculos: XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

Entre os primeiros forais outorgados a povoações localizadas dentro das actuais fronteiras do território português, o mais antigo é o de S. João da Pesqueira e vilas circunvizinhas.

Na confluência do Rio Bom, que outrora poderia ter outro nome, com o Rio Torto ficou situado um povoado designado Mozinhos. O étimo deste topónimo, antiquíssimo, está no latim: monachinos (de monachu: monge), talvez directamente, pois não se pode provar que tenha existido um termo como Mouzinho ou mozinho do nosso léxico arcaico ou proto-histórico, pelo que o significado do topónimo é monástico…
Concordando com Almeida Fernandes, o fundador e primeiro rei de Portugal nasceu e foi criado no distrito de Viseu, ou seja, veio à luz no Paço da cidadela de Viseu e medrou nas terras de Lamego, como dissemos, região de larga influência moçárabe, quiçá, o seu próprio educador.
Paulo da Fonseca -Estatuto social: cristão-velho -Idade: 50 anos -Crime/Acusação: bigamia-Cargos, funções, actividades: alfaiate -Naturalidade: Lugar de Covas, termo de São João da Pesqueira -Morada: Lisboa -Pai: Filipe da Fonseca -Mãe: Ana Domingues -Estado civil: casado -Cônjuge: Beatriz Rodrigues -Data da prisão: 24/02/1616.
Maria Lopes -Estatuto social: cristã-velha -Idade: 35 anos -Crime/Acusação: heresia -Naturalidade: Rio Torto, freguesia de Souto de Penedono, bispado de Lamego -Morada: Rio Torto, freguesia de Souto de Penedono, bispado de Lamego -Pai: Daniel Rodrigues, moleiro -Mãe: Maria Lopes-Estado civil: casada Cônjuge: Gaspar Rodrigues, moleiro.
Trancosã: 01-11-1834, faleceu Padre José António Martins, do lugar da Trancosã, recebeu todos os sacramentos e foi sepultado nesta igreja de São Pedro do Souto, junto ao altar…
Mozinhos: 01-03-1880, às 10 horas da manhã, faleceu Maria da Assunção, de 70 anos, casada com Joaquim António de Aguiar, tecedeira, natural de Bebeses, filha de António José Correia, proprietário, e de Maria do Espírito Santo, governanta da sua casa, naturais de Bebeses, deixou 2 filhos.





terça-feira, 24 de abril de 2018

Mozinhos - Douro Sul - apontamentos


Viagem por Terras de Penafiel

Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Não sei como o topónimo Mozinho se radicou para sempre no monte mais importante da Terra de Penafiel. Na meia-idade, é sabido, abundavam no país os sacristães, a que, de modo geral, se dava o nome de mozinhos, se bem que não era denominação exclusiva. Os mozinhos eram moços, e outros sim adultos, que serviam nos templos, mediante remuneração, algumas vezes destinados à vida eclesiástica. Viterbo fala-nos até de uma Confraria de Moozinhos existente em Coimbra no ano de 1281. Há muito que desapareceram os nossos mozinhos. O mais novo do meu conhecimento vivia no final do séc. XVI. Vi-o num assento de baptismo, letra do tempo, da freg.a de S. Romão do Coronado, era de 2-12-1590. Espanha ainda tem hoje os monaguillos ou monacillos, irmãos dos nossos mozinhos, quanto ao nome e sua origem. No séc. XVIII, têm-me aparecido uns ermitães a morar junto a capelas confiadas à sua devota guarda. Vou referir-me apenas a dois, ambos chamados Domingos, que viveram nas cercanias da «Ermida da Senhora da Lapa ou Santo António» (sic), da freg.a de S. Martinho de Lagares. O primeiro, Domingos Alves, já se encontrava «Velho de ssetenta annos de hidade» quando fez o seu testamento, em 20-6-1710, que possuo em cópia, por inteiro. O meu regalo era transcrevê-lo todo aqui, tão formoso é aquele testamento! (E aonde o espaço para tanto?). O outro ermitão, Domingos do Sacramento - nome tão sugestivo! - vem nomeado numa escritura de doação, feita em 11-9-1748, de que também tenho cópia fiel. Os outorgantes dessa escritura, senhores que eram da «Caza de Ordins», disseram que doavam à referida «Capella e a seos eremitoes» um cerrado contíguo à mesma, porque estavam muito agradecidos ao Domingos do Sacramento, pelo seu grande zelo em manter «a dita Capella bem ornada e venerada». Tais ermitãos, a bem dizer eram sacristães daquele tempo, herdeiros do ofício dos mozinhos de antanho. (Ainda há poucos anos ouvi chamar «ermitão» ao sacristão do Bom Jesus, em Braga). Depois disto, alguém achará impossível imaginar um mozinho, em serviço de sacristão, junto da ermida de S. Antão (fora de dúvida, muito anterior a 1622), ou então muito perto do Mosteiro das Freiras? Por mim, teimo em vê-lo em tal sítio, a uma distância plurissecular, a projectar-se, no futuro, mercê de uma simpatia tão forte criada na alma do Povo que fez que ele identificasse o monte com a veneranda pessoa do Mozinho.
MONAQUINO
In jornal Notícias de Penafiel, 1969-05-16, p.04




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Professor Valter Almeida - Souto de Penedono, do tempo da PIDE



Antes de 25 de Abril de 1974, nomeadamente na década de 1960, era assim um professor déspota, absentista que se ocupava das burocracias da câmara para a qual não foi eleito, mas escolhido pelos informantes regionais da PIDE e abandonava os seus alunos, fechando-os à chave na sala. Carregava sobre eles com varas de marmeleiro, batendo-lhes na cabeça e em todo o corpo: crianças nas mãos de um agressor que tratava muito mal sobretudo os alunos provenientes das quintas da freguesia que depois de palmilharem 4, 5 e mais quilómetros, o Valter agredia à paulada e humilhava perante os outros, como se fossem criminosos. No final do ano lectivo, reprovava-os, assim, sem mais nem menos...