Os livros de linhagens estão cheios de actos de violência. Assaltos à mão armada, assassínios, destruição de casas, searas e gado, e nunca encontramos uma palavra de condenação por estas acções. No "Cantar Épico de Afonso Henriques", a violência física em actos ou ameaças é atributo do herói. No "Livro do Conde D. Pedro" encontramos uma história genealógica dos antepassados do pai de Nuno Álvares Pereira, e entre os feitos ilustres que são lembrados conta-se o de um valente cavaleiro que, tendo-lhe a mulher "feito maldade" com um frade de Bouro, no castelo de Lanhoso, fechou por fora as portas do castelo e "queimou ela e o frade e homens e mulheres e bestas (cavalgaduras) e cães e gatos e galinhas e todas as cousas vivas, e queimou a câmara e panos de vestir e camas, e não deixou cousa móvel". Este herói era bisavô do arcebispo de Braga, D. Gonçalo de Pereira.
A vingança está na origem desta violência e de muitas outras. Certo fidalgo matou os doze melhores homens da vila de Alter do Chão. E a razão foi que nesta vila "lhe fizeram desonra correndo com ele". O fidalgo queixou-se ao rei (D. Afonso IV), mas este não lhe deu satisfação. por isso o fidalgo fez justiça por suas mãos.
O motivo mais frequente da vingança era o "homezio", um velho costume germânico. Quando alguém matava ou desonrava um fidalgo, os parentes da vítima tinham direito ou o costume de o vingar em qualquer dos parentes do assassino ou malfeitor. A isto se chamava "acoimar"
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