sexta-feira, 27 de abril de 2018

Douro Sul - apontamentos



Douro Sul – apontamentos

Sinopse
Do megalitismo, civilização castreja, romanização, invasões godas, ocupação islâmica, reconquista cristã, ao povoamento e organização administrativa do território, aqui fixamos imenso do nosso legado histórico, social, cultural, político e económico.
Realçámos as lutas fratricidas havidas no espaço geográfico de entre Viseu e Lamego; a exaração documental primeira de São João da Pesqueira e de Penela (1055-1065), Numão (1130), Penedono (1195); a descrição e caracterização do património edificado, nomeadamente, do segundo corredor de defesa e de segurança do Douro Sul.
Enaltecemos e transcrevemos muitos dos documentos e memórias, particularmente as episcopais, administrativas e paroquiais, que nos regeram, moldaram e definiram aos logo destes séculos.
Compilámos os registos paroquiais na integra de gente que edificou, povoou e desenvolveu lugares actualmente desertos, onde a nossa observação quase nada retém dos vestígios desses moradores dos séculos: XVI, XVII, XVIII, XIX e XX.

Entre os primeiros forais outorgados a povoações localizadas dentro das actuais fronteiras do território português, o mais antigo é o de S. João da Pesqueira e vilas circunvizinhas.

Na confluência do Rio Bom, que outrora poderia ter outro nome, com o Rio Torto ficou situado um povoado designado Mozinhos. O étimo deste topónimo, antiquíssimo, está no latim: monachinos (de monachu: monge), talvez directamente, pois não se pode provar que tenha existido um termo como Mouzinho ou mozinho do nosso léxico arcaico ou proto-histórico, pelo que o significado do topónimo é monástico…
Concordando com Almeida Fernandes, o fundador e primeiro rei de Portugal nasceu e foi criado no distrito de Viseu, ou seja, veio à luz no Paço da cidadela de Viseu e medrou nas terras de Lamego, como dissemos, região de larga influência moçárabe, quiçá, o seu próprio educador.
Paulo da Fonseca -Estatuto social: cristão-velho -Idade: 50 anos -Crime/Acusação: bigamia-Cargos, funções, actividades: alfaiate -Naturalidade: Lugar de Covas, termo de São João da Pesqueira -Morada: Lisboa -Pai: Filipe da Fonseca -Mãe: Ana Domingues -Estado civil: casado -Cônjuge: Beatriz Rodrigues -Data da prisão: 24/02/1616.
Maria Lopes -Estatuto social: cristã-velha -Idade: 35 anos -Crime/Acusação: heresia -Naturalidade: Rio Torto, freguesia de Souto de Penedono, bispado de Lamego -Morada: Rio Torto, freguesia de Souto de Penedono, bispado de Lamego -Pai: Daniel Rodrigues, moleiro -Mãe: Maria Lopes-Estado civil: casada Cônjuge: Gaspar Rodrigues, moleiro.
Trancosã: 01-11-1834, faleceu Padre José António Martins, do lugar da Trancosã, recebeu todos os sacramentos e foi sepultado nesta igreja de São Pedro do Souto, junto ao altar…
Mozinhos: 01-03-1880, às 10 horas da manhã, faleceu Maria da Assunção, de 70 anos, casada com Joaquim António de Aguiar, tecedeira, natural de Bebeses, filha de António José Correia, proprietário, e de Maria do Espírito Santo, governanta da sua casa, naturais de Bebeses, deixou 2 filhos.





terça-feira, 24 de abril de 2018

Mozinhos - Douro Sul - apontamentos


Viagem por Terras de Penafiel

Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Não sei como o topónimo Mozinho se radicou para sempre no monte mais importante da Terra de Penafiel. Na meia-idade, é sabido, abundavam no país os sacristães, a que, de modo geral, se dava o nome de mozinhos, se bem que não era denominação exclusiva. Os mozinhos eram moços, e outros sim adultos, que serviam nos templos, mediante remuneração, algumas vezes destinados à vida eclesiástica. Viterbo fala-nos até de uma Confraria de Moozinhos existente em Coimbra no ano de 1281. Há muito que desapareceram os nossos mozinhos. O mais novo do meu conhecimento vivia no final do séc. XVI. Vi-o num assento de baptismo, letra do tempo, da freg.a de S. Romão do Coronado, era de 2-12-1590. Espanha ainda tem hoje os monaguillos ou monacillos, irmãos dos nossos mozinhos, quanto ao nome e sua origem. No séc. XVIII, têm-me aparecido uns ermitães a morar junto a capelas confiadas à sua devota guarda. Vou referir-me apenas a dois, ambos chamados Domingos, que viveram nas cercanias da «Ermida da Senhora da Lapa ou Santo António» (sic), da freg.a de S. Martinho de Lagares. O primeiro, Domingos Alves, já se encontrava «Velho de ssetenta annos de hidade» quando fez o seu testamento, em 20-6-1710, que possuo em cópia, por inteiro. O meu regalo era transcrevê-lo todo aqui, tão formoso é aquele testamento! (E aonde o espaço para tanto?). O outro ermitão, Domingos do Sacramento - nome tão sugestivo! - vem nomeado numa escritura de doação, feita em 11-9-1748, de que também tenho cópia fiel. Os outorgantes dessa escritura, senhores que eram da «Caza de Ordins», disseram que doavam à referida «Capella e a seos eremitoes» um cerrado contíguo à mesma, porque estavam muito agradecidos ao Domingos do Sacramento, pelo seu grande zelo em manter «a dita Capella bem ornada e venerada». Tais ermitãos, a bem dizer eram sacristães daquele tempo, herdeiros do ofício dos mozinhos de antanho. (Ainda há poucos anos ouvi chamar «ermitão» ao sacristão do Bom Jesus, em Braga). Depois disto, alguém achará impossível imaginar um mozinho, em serviço de sacristão, junto da ermida de S. Antão (fora de dúvida, muito anterior a 1622), ou então muito perto do Mosteiro das Freiras? Por mim, teimo em vê-lo em tal sítio, a uma distância plurissecular, a projectar-se, no futuro, mercê de uma simpatia tão forte criada na alma do Povo que fez que ele identificasse o monte com a veneranda pessoa do Mozinho.
MONAQUINO
In jornal Notícias de Penafiel, 1969-05-16, p.04




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Professor Valter Almeida - Souto de Penedono, do tempo da PIDE



Antes de 25 de Abril de 1974, nomeadamente na década de 1960, era assim um professor déspota, absentista que se ocupava das burocracias da câmara para a qual não foi eleito, mas escolhido pelos informantes regionais da PIDE e abandonava os seus alunos, fechando-os à chave na sala. Carregava sobre eles com varas de marmeleiro, batendo-lhes na cabeça e em todo o corpo: crianças nas mãos de um agressor que tratava muito mal sobretudo os alunos provenientes das quintas da freguesia que depois de palmilharem 4, 5 e mais quilómetros, o Valter agredia à paulada e humilhava perante os outros, como se fossem criminosos. No final do ano lectivo, reprovava-os, assim, sem mais nem menos...




quinta-feira, 22 de março de 2018

Salazarismo



Depois de ler o artigo do "Expresso" da Pluma Caprichosa, neste fim de semana, ao terminar não me saída da cabeça outra frase que não fosse "filhos da puta". Como é possível que alguém (que não seja um grande filho da puta) possa ter saudades do país descrito (brilhantemente) pela Clara Ferreira Alves. Depois de gozarem aí fora o belo sol que nos cobre, com tempo, não deixem de ler a Pluma.
AQUI:
"Tão felizes que nós éramos
Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.Eu não ponho flores neste cemitério.Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.
A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.
As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas • para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração. Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum.
De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laborai, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente. "
Clara Ferreira Alves.

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Mozinhos - Sefarad: Investigadores de a brincar com coisas sérias...


Actual - 2017


 1992

Nesta casa viveu o último morador:  
Isaías  Augusto Macena, solteiro, tendo emigrado e regressado de Angola, (falecido,1956), filho de José Joaquim Macena e de Maria dos Anjos da Costa Peixeira, neto de Manuel António da Costa Peixeira e de Leonor do Nascimento; bisneto de Alexandre José e de Maria José (Mozinhos), Francisco António da Costa e de Luísa Inácia Peixeira (Souto); trineto de  Manuel Gregório e de Bárbara Maria (Mozinhos) - a casa foi construída em 1862... pela análise dos respectivos cadastros, nunca a casota terá pertencido a outras famílias - nada de judiarias, nem resquícios... Aliás nos Mozinhos, eventualmente, lugar do antigo mosteirinho "monaquinhos", não aponta para a influência judaica, sem qualquer juízo de valor , até porque foram terras do couto de Marialva.

Mozinhos: 24-06-1852, baptizou-se António Joaquim, filho de Manuel António da Costa e de Leonor do Nascimento, dos Mozinhos; neto paterno de Francisco António da Costa e de Luísa Inácia; neto materno de Alexandre José e de Maria José, dos Mozinhos; foram padrinhos Manuel António “de Alexandre?” e a avó da baptizada, Maria José; testemunharam Joaquim Gonçalves e Manuel António Martins, do Souto.


Mozinhos: 18-03-1887(Reg.13). Baptizaram Faustino, filho de José Joaquim Macena e de Maria dos Anjos. “Aos dezoito dias do mez de Março do anno mil oito centos oitenta e sete nesta egreja parochial de São Pedro do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego baptizei solenemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de Faustino e que nasceu nesta freguesia pelas oito horas da manhã do dia dezoito do mez de Fevereiro do corrente anno; filho legítimo /e primeiro do nome/ de José Joaquim Macena e Maria dos Anjos, jornaleiros, naturaes, elle da freguesia de Costoias, concelho de Volla Nova de Foz Coa, deste bispado e ella desta freguesia, aqui recebidos e parochianos, moradores na povoação dos Mozinhos: nepto paterno de João Damasceno e Maria de Jesus e materno de Manuel António da Costa Peixeira e Leonor do Nascimento. Foram padrinhos Manuel António Macena e sua irmã Claudina de Jesus, solteiros, jornaleiros da supra citada freguesia de Costoias, os quaes sei, por informação, serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos só eu assigno, em razão d´elles não saberem escrever. Era ut supra. O Abb. Ignacio d´Almeida.

Mozinhos: 16-06-1890(Reg.14). Baptizaram José, filho de José Joaquim Macena e de Maria dos Anjos da Costa Peixeira. “Aos desasseis dias do mez de Junho do anno de mil oito centos e noventa nesta egreja parochial de São Pedro do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego baptisei solenemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de José e que nasceu nesta freguesia pelas dez horas da manhã do dia trez do corrente mez e anno; filho ligítimo /e primeiro do nome/ de José Joaquim e Maria dos Anjos, jornaleiros, naturaes, elle da freguesia de Custoias, concelho de Villa Nova de Foz Côa, e ella desta freguesia, recebidos na dita freguesia de Costoias e parochianos desta freguesia, moradores na povoação dos Mosinhos: nepto paterno de João Damaceno e Maria de Jesus e materno de Manuel António da Costa e Leonor do Nascimento. Foram padrinhos Manuel António e sua mulher Adelaide Neves, jornaleiros da supra dita freguesia de Costoias, os quaes sei por informação serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos só eu assigno, em razão d´elles não saberem escrever. Era ut supra. O abb. Ingacio d´Almeida”.

Mozinhos: 10-09-1876 (Reg.21). Baptizou-se Ermelinda, filha de José Joaquim Macena e de Maria dos Anjos Peixeira.”Aos dez dias do mês de Setembro do anno de mil oitocentos e setenta e seis, n´esta igreja parochial de S. Pedro do Souto, concelho de Penedono, bispado de Lamego, baptizei solenemente um indivíduo do sexo feminino, a quem dei o nome de Ermelinda, nascida nos Mosinhos, logar d´esta freguesia, no dia vinte e nove d´Agosto, do corrente anno, pelas quatro horas da tarde; filha legítima de José Joaquim e Maria dos Anjos, naturaes elle de Custoias, concelho de Villa Nova de Fozcôa, bispado de Lamego, e ella d´esta minha freguesia onde são moradores, jornaleiros: neta paterna de João Damasceno e Maria de Jesus; materna de Manuel António Peixeira e Leonor do Nascimento. Foram padrinhos Manuel António Peixeira e Leonor do Nascimento, proprietários, avós maternos da baptizada. E para constar lavrei em duplicado este assento que eu só assigno em razão dos padrinhos não saberem escrever. Erat ut supra. O Abb= Luís Clemente de Sequeira.”






 1992









2017







Nesta casa nasceram e viveram os abaixo transcritos; faleceu, já no século XX, Teresa de Jesus Costa, natural de Bebeses, filha de Joaquim António Costa e de Josefa Maria, mulher de Francisco Manuel Aguiar (que até foi vogal da Paroquia do Souto); pela consulta dos respectivos cadastros, esta casa sempre foi pertença dos ascendentes de Luís Manuel de Sousa Peixeira, não se sabe quem construiu cuja família ali residiu, pelo menos a partir de meados do século XVI, provavelmente, primeiros moradores: foram, então 2 habitações, de um lado da família Matias, do outro, dos Aguiar (Aguiar que baptizaram filhos cujos padrinhos foram sacerdotes, foram zeladores da Capela de Santa Bárbara, na qual efectuaram obras de restauro (Joaquim António Aguiar/Maria da Assunção Corrêa) e, também detentores da Capela de São Francisco, ruína no monte do mesmo nome e a restante estatueta em Bebeses: traços de judaísmo? Como? onde?

Mozinhos:10-06-1788, baptizaram Francisco José Aguiar, filho de Pedro Aguiar e de Ana Maria. “Em os dez dias de Junho do anno de mil setecentos oitenta e oito baptizei solenemente Francisco José filho legítimo de Pedro d´Aguiar natural de Arriolla e sua mulher Anna Maria natural da quinta dos Mozinhos desta Paroquia fica sendo nepto paterno de Joam Rodrigues da Cruz e de sua mulher Eufemia de Aguiar natuares de Arriolla; e materno de Manoel Jorge e de sua primeira mulher Anna Ribeiro natuares da dita quinta dos Mozinhos; forao padrinhos Manoel de Seixas e sua mãe Anna Fernandes da villa do Soito. O Encomendado João Carlos Fonseca Lopes Ferreira.”


Mozinhos: 19-01-1815: baptizou-se José Bento, filho de Francisco António, natural de Freixo de Numão e de sua mulher Ana Joaquina, natural dos Mozinhos; neto paterno de Pedro Aguiar e de Ana Maria, moradores nos Mozinhos; neto materno de Joaquim José e de Bárbara Maria, naturais de Freixo de Numão: Foram padrinhos José Bento e sua mulher, ambos dos Mozinhos.
Mozinhos: 07-06-1817, baptizou-se  Joaquim, filho de Francisco António e de Ana Joaquina, aquele de Freixo de Numão e ela, dos Mozinhos; neto paterno de Joaquim Rodrigues e de Bárbara Maria, de Freixo de Numão; neto materno de Pedro Aguiar e de, sua mulher, Ana Maria, da quinta de Arcas.

Mozinhos: 05-08-1843, baptizou-se Francisco, filho de João António Freixo, dos Mozinhos; neto paterno de Francisco, de Freixo de Numão, e de Maria, dos Mozinhos; neto materno de Manuel Bernardo e de Luísa de Aguiar, dos Mozinhos (neste registo está repetido também como avós maternos José Miguel e Maria da Conceiçam, do dito lugar dos Mozinhos e não foram referidos padrinhos, nem testemunhas e foi assinado por Abb. Manoel de Figueiredo).


Mozinhos: 03-03-1849, “ Aos três dias do mês de Março de mil oito centos e quarenta e nove, nesta Parochial Igreja de Sam Pedro do Soito, de licença do R. Parocho bapti-zei solemnenemente e pus os santos oleus a Manoel de Jesus, filho legitimo de Joaquim Freixo, e de sua molher Maria da Conceição do lugar dos Mozinhos desta Freguesia, Nepto Paterno de Francisco Freixo, e de sua molher Anna de Aguiar do dito lugar, e materno de António Correia, e de Maria da ReSurreição do lugar de Bubezes da Freguesia de Santa Margarida da Povoa, foi Padrinho o R. Padre José de Figueiredo desta Freguesia do Souto, e Testemunhas o R. Padre Manoel da N. Senhora do Carmo, e Claudio da Silva de Lima da Freguesia de Penedono, e para constar fiz este termo que aSinei, dia, mês, era, ut supra” (Padre José Lopes; Padre Manoel de N. Sª do Carmo; Claudio da Silva de Lima).



Mozinhos: 29-11-1888(Reg.36). Baptizaram  Ana, filha de Matias Trindade e de Maria da Assunção. “Aos vinte e nove dias do mez de Novembro do anno mil oito centos oitenta e oito nesta egreja parochial de São Pedro do souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego baptizei solenemente um indivíduo do sexo feminino, a quem dei o nome d`Anna, e que nasceu nesta freguesia pelas duas horas da tarde do dia vinte e quatro do corrente mez e anno; filha ligítima /e primeira do nome/ de Mattias Trindade, alfaiate, e Maria d´Assumpção, governante de sua casa, naturaes desta freguesia, aqui recebidos e parochianos, moradores na povoação dos Mosinhos: nepta paterna de João António e Maria Theresa e materna de José Ramos da Costa e Umbelina de Jesus. Foram padrinhos os avós maternos, José Ramos da Costa e Umbelina de Jesus, jornaleiros desta freguesia, os quaes sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos só eu assigno em razão d´elles não saberem escrever. Era ut supera. O Abb. Ignacio d´Almeida”.

Mozinhos: 18-02-1887(Reg.7). Baptizaram Maximina, filha de Matias Trindade e de Maria da Assunção. “Aos dezoito dias do mez de Fevereiro do anno mil oito centos oitenta e sete nesta egreja parochial de São Pedro do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego baptizei solenemente um indivíduo do sexo feminino, a quem dei o nome de Maximina e que nasceu nesta freguesia pelas onze horas da noito do dia cinco do corrente mez e anno; filho legítimo /e primeira do nome/ de Mattias da Trindade e Maria d´Assunção, naturaes desta freguesia, aqui recebidos e parochianos, moradores da povoação dos Mosinhos: nepta paterna de João António e Maria Theresa e materna de José Ramos da Costa e Umbelina de Jesus, o pai é alfaiate e a mãe governante da sua casa. Foram padrinhos os avós maternos José Ramos da Costa e Umbelina de Jesus, os quaes sei serem os próprios. E para constar lavrei este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos só eu assigno só eu assigno, em razão d´elles não saberem escrever. Era ut supra. O Abb. Ignacio d´Almeida.
Mozinhos: 16-11-1886(Reg.41). Baptizaram  Filomena Aguiar, filha de Francisco Manuel Aguiar e de Teresa de Jesus. “Aos dezasseis dias do mez de Novembro do anno mil oito centos oitenta e seis nesta egreja parochial de São Pedro do Souto, concelho de Penedono, diocese de Lamego o Reverendo António Joaquim Paixão d´Andrade, residente nesta freguesia baptizou solenemente, com autorização minha, um indivíduo do sexo feminino, a quem deu o nome de Philomena e que nasceu nesta freguesia pelas dez horas da noite do dia treze do corrente mez e anno; filha legítima /e primeira do nome/ de Francisco Manuel d´Aguiar e Theresa de Jesus, proprietários, naturaes, elle desta freguesia e ella da freguesia da Póvoa, deste concelho e Bispado, ali recebidos e parochianos desta freguesia, moradores na povoação dos Mosinhos: nepta paterna de Joaquim António d´Aguiar e Maria d´Assunção e materna de Joaquim António da Costa e Josefa Maria. Fui eu o padrinho e foi madrinha Philomena Adelaide do Carmo Almeida, solteira, costureira, residente nesta freguesia. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante a madrinha, com ella assigno. Era ut supra. A Madª Philomena Adelaide do C. Almeida/ O Abb. Ignacio d´Almeida.
Mozinhos: 19-08-1872, às 9 horas da noite (23h), faleceu João António, de 75 anos, casado com Maria Teresa, proprietário, natural e morador nos Mozinhos, filho de Francisco Freixo e de sua mulher Ana Maria de Aguiar, já defunta, aquele natural de Freixo e esta dos Mozinhos, deixou filhos. Paraco António Manuel Fonseca Martinho.
Mozinhos: 21-02-1880, faleceu  Manuel António da Costa Peixeira, às 9 horas da manhã, lavrador, morador nos Mozinhos, natural da freguesia, casado com Luísa Mar-garida, tinha 56 anos, era filho de Francisco Manuel da Costa, lavrador, da freguesia, e de Luísa Maria Peixeira, do Souto, deixou 2 filhos. Páraco Encomendado Francisco Manuel da Costa.
Mozinhos: 01-03-1880, às 10 horas da manhã, faleceu  Maria da Assunção, de 70 anos, casada com Joaquim António de Aguiar, tecedeira, natural de Bebeses, filha de António José Correia, proprietário, e de Maria do Espírito Santo, governanta da sua casa, naturais de Bebese, deixou 2 filhos.

Filomena Aguiar, primeira morada, depois de casada com José Joaquim de Sousa (da Póvoa, 1919), ali teve 2 filhos, Manuel de Jesus Sousa (na foto) e Maria da Assunção Sousa.




Na confluência do Rio Bom, que outrora poderia ter outro nome, com o Rio Torto ficou situado um povoado designado Mozinhos. O étimo deste topónimo, antiquíssimo, está no latim: monachinos (de monachu: monge), talvez directamente, pois não se pode provar que tenha existido um termo como Mouzinho ou mozinho do nosso léxico arcaico ou proto-histórico, pelo que o significado do topónimo é monástico, ou seja, alusivo a um pequeno mosteiro que terá existido neste local profundo e remoto e quase rodeado de águas. Terá sido o lugar, pelo seu ambiente natural, grato a eremitas de Santo Agostinho ou monges negros. Este terá sido o mosteirinho (atente-se no diminutivo) que com a ermida é referido no testamento de D. Châmoa. Aqui nos Mozinhos ainda existe uma ermida dedicada a Santa Bárbara. Registe-se, ainda uma afirmação de Alexandre Herculano, ilustre historiador, liberal e notável vulto da cultura portuguesa da segunda metade do século XIX, segundo o qual mozinho significava, ainda nos anos de 1850/80, acólito ou petiz ajudante nas homilias, ou seja, jovem sacristão. De facto, apesar da ausência documental, há vários indícios, porventura, demasiadas coincidências, no sentido de nos levar a acreditar que o actual lugar dos Mozinhos terá sido sítio de antigo mosteiro, ou, provavelmente, de pequeno mosteiro (mosteirinho). Até que ponto, eventualmente, na sequência de ruínas, não corresponderá esta capela ao sítio do mosteirinho. Todavia, esta capela de Santa Bárbara, efectivamente, será uma construção recente, eventualmente, do século XVII. Na madeira do forro, cromado, aludindo a lendas bíblicas, paraidiziacas, esteve inscrita a data e o encomendador da obra de reconstrução, obras ou melhoramentos. Por incúria dos moradores, das entidades eclesiásticas, autárquicas e governamentais, deixou-se que o seu telhado quase se desmoronasse, ao ponto das águas pluviais penetrarem nas tais tábuas policromadas, detriorando-as. A reconstrução, embora, generosamente, promovida por Alcides Dinis de Sousa, não terá tido os cuidados necessários de modos a preservar os ditos elementos identificativos. De qualquer modo, é comumente aceite, segundo relatos geracionais, que se trata de um culto man-dado erigir pela família Aguiar, de quem descende o autor, cuja ascendência conhece-mos, através dos registos paroquiais, pelo menos, até finais do século XVII. Alguns relatos sugerem que o promotor da edificação foi Joaquim António de Aguiar, casado com Maria da Assunção Correia, esta natural de Bebeses que faleceu em 1 de Março de 1880, com a idade de 70 anos, tecedeira, filha de António José Correia e de Maria do Espírito Santo. No entanto, descobrimos no arquivo diocesano de Lamego que a capela de Santa Bárbara já existia por volta de 1700. Joaquim António Aguiar, faleceu nos Mozinhos a 26-8-1881, aos 66 anos, era filho de Francisco António Rodrigues (natural de Freixo de Numão) e de Ana Joaquina Aguiar, dos Mozinhos, esta filha de Pedro Aguiar, de Ariola, (falecido a 21-1-1815) e de Ana Maria, filha de Manuel Jorge e de Ana Ribeiro, dos Mozinhos; Joaquim António Aguiar e Maria da Assunção Correia eram pais de Manuel de Jesus Aguiar e de Francisco Manuel Aguiar (baptizado em Outubro de 1852), este casado com Teresa de Jesus Costa, de Bebeses, aquele casado, em segundas núpcias com Maria das Candeias Costa, irmã de Teresa de Jesus Costa. Francisco Manuel Aguiar e Teresa de Jesus Costa eram pais de Filomena Aguiar, por sua vez, casada com José Joaquim de Sousa (ambos falecidos em Dezembro de 1973), da Póvoa; avós de Luísa de Jesus Sousa e, por último, bisavós do autor deste texto. Todavia, e apesar de todos os relatos apontarem para o facto da edificação se associar à família referida, bem como a guarda da capela ter estado largo tempo sob a responsabilidade das mulheres desses Aguiar, nomeadamente Teresa de Jesus, Filomena Aguiar e Maria da Assunção (filha de Filomena), a verdade é que o nome de Bárbara aparece, pelo menos cerca de 1800, associado a esta e noutra família distinta também dos Mozinhos, ou seja, Bárbara Maria, ascendente de Francisco António Rodrigues (Freixo de Numão), genro de Pedro Aguiar e, por outro lado, Maria Bárbara, mulher de Manuel Gregório, mãe de Maria José (falecida a 1-10-1862, com 77 anos) que casou com Alexandre José, mãe de Leonor do Nascimento, trisavós paternos do autor. Também no Rio Bom existiu uma Maria Bárbara, afilhada de Maria José, residente nos Mozinhos, em casa dos padrinhos, por morte do seu pai, Joaquim Grelo, afogado no Rio Bom (21-1-1862), aos 40 anos, e, por curiosidade também esta Maria Bárbara aparecera afogada (28-2-1866), aos 8 anos, mas no Rio Torto, no lugar do Chão Vermelho, também por casualidade hoje propriedade do autor.
Conquanto, na pequena vertente da encosta defronte dos Mozinhos, na outra margem do Rio Bom ou ribeira do Rio Bom, quase na sua foz com o Rio Torto, houve um pequeno santuário, ainda temos memória de ruínas xistosas e episódios lendários correlativos, dedicado a São Francisco de Assis. Mesmo, à data deste apontamento, podemos observar, ao cimo, os restos da pequena ermida dita de São Francisco (que eventualmente terá dado nome ao topónomo do lugar actual) e, ligeiramente, abaixo, os restos das paredes xistosas de uma casa pequena, que se diz, antiga habitação do zelador permanente pelo templo. A estatueta de São Francisco, granítica, foi, entretanto, levada para a localidade de Bebezes, freguesia da Póvoa de Penela, permanecendo, descuidadamente numa parede da antiga fonte pública e, posteriormente, abrigada numa moradia particular, no Bairro da Soalheira, da mesma povoação, mas já degolada. Aqui poder-se-á colocar a tese se, a ter existido aí um mosteirinho, poderia não ter sido dos monges negros segundo a regra beneditina, mas, antes, um mosteirinho franciscano, até por ser, porventura, mais tardio, poderia fazer sentido. Umas das lendas relacionadas com o santuário de São Francisco, narra um episódio segundo o qual a população tinha por costume fazer oferendas em louvor do santo, um determinado pastor fez a promessa de um bode. Perante a graça concedida, o pastor procedeu à oferenda, amarrando o animal à estatuária, no interior da dita capela, pelo que o bode, de tão forte, arrasou as paredes, arrastando a estátua, fugindo e, assim, se danificou, por quase completo, o que então restava do santuário. A estatueta pertencente à capela de São francisco foi, posteriormente levada para o lugar de Bebeses e aí colocada na fonte comunitária do dito lugar, como atrás referimos. Por outro lado, as melhores terras, agricultáveis à beira do Rio Bom e do Rio Torto terão sido couto, assim como os limites da quinta adstrita, a Risca. A partir das reformas fundiárias e administrativas da década de 1830, na sequência da revolução liberal de 1834, quer nos Mozinhos, quer na Trancosã os bens foram adquiridos por particulares. A este propósito, importa aqui relembrar a resposta ao inquérito do reino, na sequência do terramoto de 1775, ou seja, as memórias paroquiais, adiante transcritas. De facto, como se verifica, a produção de batata era desconhecida à entrada para a segunda metado do século XVIII nesta região o que tolhia drasticamente a dieta alimentar, provocando subnutrição generalizada de onde se destaca o elevadíssimo índice de mortalidade infantil, numa época de crescimento demográfico, nomeadamente em redor dos moinhos do Rio Bom, onde se moia o grão quase todo o ano e, assim, não se aproveitava a água para rega de produtos mais tarde essenciais como a batata, o feijão, tomate, entre outros. O linho era, então a produção cimeira das margens do Rio Bom, a par da actividade moageira, por isso se dá conta de tecedeiras, nomeadamente em Bebeses e nos Mozinhos.                                   
 Mobiliário da capelo mandado construir por Joaquim António Aguiar
 Capela Santa Bárbara
 Casas de família Aguiar (Freixo)



 Marcas nas rochas em frente ao monte São Francisco

Ruínas da capela de São Francisco