Caracterização do Ambiente de Mercados e Feiras
Abordar o tema mercados e feiras torna-se necessário descrever o ambiente. Trata-se de uma tarefa deveras complicada dada a diversidade de comportamentos num espaço cujas expressões, oral e gestual, assumem especial relevância na medida em que vendedores e compradores discutem os termos pelos quais cada qual pretende transaccionar a contento, muitas vezes, tentado a persuasão.
Por outro lado, desde a fundação das feiras medievais que essa é também uma oportunidade de encontro e de convivência. Naturalmente que as características desse relacionamento divergem consoante a época, a região e o tipo de mercado ou de feira, visto que as romarias e as festas pagãs e religiosas se associavam às feiras, aproveitando o momento dos ajuntamentos.
De modo a melhor recrear o ambiente das feiras medievais e seu valor económico no reinado de D. Dinis, importa aqui referenciar a descrição de Américo Cortez Pinto. As feiras e mercados semanais, mensais e anuais, onde se vendem e trocam os produtos da terra e se compram as alfaias para o seu amanho. Embora já existentes, eram ainda pouco numerosas e efectuavam-se um tanto irregularmente sem época determinadamente fixadas.
É D. Dinis quem regulariza o seu funcionamento, estabelecendo os calendários para que a feira de uma região não pudesse prejudicar as regiões mais vizinhas e determinando os centros regionais mais apropriados à criação de feiras novas.
Estabelece além disso, para maior incremento destas grandes actividades comerciais, a novidade das feiras francas, com novos privilégios, isenções de impostos e garantias variadas, inclusive de protecção jurídica aos mercadores, que mais valorizavam todas as actividades da produção e circulação comercial dos produtos.
Com efeito, com o aumento das feiras que, sobretudo as anuais, valorizavam as roma-rias, reunindo multidões mais afastadas, favorecia D. Dinis, a par da lavoira e da pecuária, as artes industriais e os mesteres. E desta maneira fomentava a comunicação civilizadora da vida social entre os povos de regiões diferentes, que acudiam a reverenciar os santos de sua devoção, a fazer os seus negócios e a gozar dos divertimentos que as feiras lhes proporcionavam.
Para elas se emprazavam os encontros dos amigos e as saudades dos namorados.
Tal como nas fangas e açougues dos mercados, nas feiras vendiam-se e trocavam-se a cera e o mel (que era o único açúcar daqueles tempos), o peixe, as carnes e os vários produtos da terra: cereais, hortas, frutas verdes, secas e passadas.
Em barras e fora delas, oficiais de todas as artes vinham à feira com os variados produtos dos seus mesteres. Ferreiros expunham aos olhos dos lavradores as várias ferramentas agrárias produzidas com o ferro das crescentes ferrarias: enxadas, forquilhas, foices e arados, machados e tudo quanto dia a dia se ia tornando mais necessário ao granjeio das terras que por toda a parte se enriqueciam com o desbravamento dos pousios e sesmarias e dos vastos ermos que se iam povoando e amanhando de novo.
E para as casas em que se iam fundando novas famílias, aumentava a produção e a venda de ligeiras dobradiças e fortes gonzos de portas e portões. Os serralheiros fabricavam e vendiam pequenos cofres chapeados ou pesadas burras cintadas de ferro e protegidas com fechaduras para guardar economias dos casais mais isolados. Nas feiras se exibiam todas alfaias domésticas da lareira: trempes, ganchos, tenazes, espetos e trasfogueiros, e a demais tralha miúda dos pequenos utensílios caseiros.
Os carpinteiros de carros apresentavam as suas carripanas, carroças e carroções, prontos de atrelar, cangalhos para as azémolas dos almocreves, cadeirinhas senhoris para o dorso dos pacíficos burros ou de mais ricas montadas, carrinhos de mão para o serviço interno dos granjeios, enquanto ao lado os correeiros exibiam humildes arreios, cilhas e atafais para jumentos andarilhos ou possantes muares de trabalho, ou as selas tauxiadas de prata e ouro e os jaezes mais apurados e ricos para as montadas dos cavaleiros, fidalgos, abades e ricos burgueses, e para embelezamento das formosas hacaneias montadas por nobres damas e donzelas.
Mais além, os mestres tanoeiros punham à venda canecos de madeira, dornas e cubas, quartolas e pipas maneirinhas ou vasilhame mais vultuoso para o vinho que dia a dia ia crescendo nas adegas, transitando pelos caminhos e embarcando nos cais para os portos estrangeiros.
Para o giro dos mercadores interiores, perto se mercavam também, nas tendas dos curtidores e dos odreiros, bons odres de coiros flexíveis ou de peles lanígeros, para transporte de vinhos e de azeites em cangalhas de almocreves, ou as pequenas borrachas ou borrachos que se levavam a tiracolo para as lides da fazenda ou para os animados passeios de festas e romarias.
A avizinhá-los, os picheleiros mostravam aos feirantes as delicadas agomias, pincheis de várias medidas, bacias de água às mãos e toda a variedade de louças de estanho a competir com as peças dos almudes e canjirões para vinho, caçoilas, panelas e bacias de arame e todo o vasto trem de cozinha das casas abastadas bem como as diversas luminárias: lanternas, candeias, lamparinas, castiçais, tocheiros e candeeiros que tanto resplandeciam na sua cor de oiro e fogo apagados à luz do sol, como iluminavam, acesos, as casas nobres ou abastadas pelas tardes sombrias, no negrume das sombras da noite.
Armeiros e alfagemes exibiam couraças, elmos e escudos faiscantes, bestas e bem corrigidas lanças, espadas e demais armas para regalo de soldados e cavaleiros.
Nas tendas dos curtidores, peleiros e feltreiros, estadeavam-se coiros e peles de vaca e de bezerro, de cabra e de gamo, de javali e de cevado. Eram célebres os nossos coiros e peles decorativos: tapetes para alcatifar o chão, dosséis, almofadas, bancais e painéis de armar, vistosamente doirados, prateados e pintados, sobretudo em carmezim, para enfeite do chão, das paredes, das camas e dos móveis.
E arruando com eles, oficiais mais especializados expunham os seus produtos. Sapatei-ros, borzeguineiros, chapineiros e demais artistas da especialidade, mostravam o seu negócio de calçado fino ou de cotio, desde sapatões rústicos de zebro aos de cordovão polido; desde as grosseiras avarcas de coiro de atanado, cravadas de tachas e atacadas com tiras de correia ou cordões para as lides grosseiras da lavoura, aos fidalgos bale-gões e borzeguins de pele de gamo, altos e aparatosos de ponta abicada que começava a revirar-se com a última moda, para ostentação de cavaleiros de alta gerarquia. E a emparceirar com o masculino calçado a graça dos femininos chapins, regalo das damas e donzelas e as delicadas osas nupciais, pintadas e doiradas em preciosos guadamecis moiriscos para os noivos ofertarem às formosas damizelas no dia dos seus noivados.
Por seu lado os chapeleiros apresentavam confortáveis gorros de pele, felpudos, baixos e redondos; barretes hirtos, gualteiras e carapuços de pele, de feltro ou grosseira lã, e as toucas ou coifas de pano também usadas pelos homens. Por vezes assentavam sobre elas os grandes chapéus de aba redonda e larga, desabada ou revirada em toda a volta ou então enrolada e curta atrás e aos lados, e mais estendida e desabada à frente, para sombrear os olhos. Alguns ornamentavam-lhes as copas com ricos cordões ou cadeias de metal e suspendiam-lhes das abas franjas variegadas e vistosos panejamentos. Não faltavam porém os chapéus mais modestos, feitos de palha ou de pano grosso, para os bolos menos recheados de rústicos e mesteirais.
Das finas pelicas de gamo talhavam os mais hábeis luiveiros daquelas priscas eras, delicadas luivas para as damas e cortesãos no trato galante da corte enquanto outros escolhiam habilmente as peles a um tempo mais flácido e resistentes para cortar os grossos guantes, muitas vezes com um só dedo, o polegar, destinados ao uso dos fidalgos e cavaleiros no desportos de venatórios, com seus compridos canhões reforçados com escamas de ferro como as nanoplas, para boa firmeza das fortes garras de falcões, nebris, açores e gaviões na caça de altanaria.
Não faltavam também os que produziam obras mais finas, ricos guadamecis, vistosos cintos ou largos alfreses de cordovão ricamente ornamentados onde homens e damas suspendiam as suas escarcelas mais ou menos recheadas de morabitinos moiriscos e maravedis castelhanos e leoneses, áureos e argênteos, que corriam juntamente com os maravedis ou morabitinos portugueses e as libras e os fortes de prata, única moeda cunhada por D: Dinis, mais os dinheiros de bolhão e de cobre, ceitis e mealhas de moe-da miúda, imprescindíveis a feirantes e viajeiros. Nesses alfrezes os homens suspendiam as armas de ataque e de defesa: espadas, adagas, cutelos e punhais e as mais pacíficas facas ponteagudas de que fidalgos e damas se faziam acompanhar e que na Idade Média serviam de talher, indispensáveis nas feiras e pousadas onde faziam os seus repastos.
Também as bolas mais abastadas de fidalgos e burgueses ali encontravam, para enriquecimento das vestes senhoriais, os peliteiros com suas peles bem curtidas e fofas de animais bravios como a raposa e a lebre, a marta e a lontra, a fuinha, o toirão e o texugo, o esquilo e a doninha, o furão (que ainda não se chamava vison), e até peles de gato, quer do doméstico, quer do montês e do ginete, para aquecer e enfeitar tabardos, mantos, pelotes, capas e trajos tanto masculinos como femininos. E quente cobre-camas de peles de coelho para agasalho das frias noites.
As linheiras e as tecedeiras ofereciam rocas maneirinhas para fiar e as estrigas ou meadas de branca linha ou de grosseira estopas e, a competir com tendas dos fanqueiros, exibiam as mantas de almáfega branca ou burel grosseiro a par das coloridas estamenhas e os panos finos de sete varas para briais e roupa de bragal, que eram a tentação das moças casadoiras, ansiosas pelos enxovais. E para as roupas de fora ali estavam os ovelheiros a vender as lãs das suas tosquias e os tecelões com as suas mantas, çorames e demais tecidos de agasalho.
Cordoeiros, cesteiros e esteireiros, oleiros e outros artífices, estadeavam toda a espécie de artesanatos no campo da feira à cobiça de quem passava.
Nas tendas de comes e bebes se encontravam os amigos para repousar das lides, confortar os estômagos e dessedentar as bocas, palrando e molhando a palavra em bela companhia, que os pichéis não descansavam a consolar e refrescar as línguas, o peixe estrugia nas frigideiras e as carnes rechinavam no espeto, desafiando o apetite de quem lhes passava ao pé.
E a animar todo o sonoro bulício daquela turbulência humana, tilintavam pelo espaço, entre mugidos, relinchos e balidos, as guisalhadas e chocalhos de toda a casta de gado de armentio, caprino e lanígero, que enchiam de alegres notas musicais, com seu ruído tintinabulante, o bru-ah-ah zoeiro e confuso do arraial.
INQUÉRITO PAROQUIAL – 1842
Interrogatório histórico-geográfico enviado a todos os párocos
1º Posição geográfica ou situação – alta, baixa, horizontal, inclinada, e para onde
distancia das vilas e cidades mais próximas. Nomes dos territórios que dos seus terrenos se avistam e para onde. Denominação dos montes em que a freguesia está situada.
2º Clima ou estado, e circunstâncias dos ares, calor, frio, ventos, chuvas, trovoadas, névoas, orvalho, neve saraiva, ou chuvas de pedra graúda que mais reinam, e em que estações do ano, estragos que causam, excesso, ou limitação dos seus aparecimentos; aspecto geral de cada uma das quadras do ano.
3º Extensão ou maior comprimento e largura, sua direcção, grandeza de circunferência ou circuito.
4º Limites ou confrontações, e para onde.
5º Vistas, lugares, aldeias da freguesia, e etimologias de suas denominações.
6º Povoação geral, ou da freguesia, e particular ou dos lugares aldeias dela que se tornaram notáveis por alguma circunstância digna de mencionar-se classificada segundo o Mapa Estatístico incluso.
7º Zoografia ou nomenclatura dos animais quadrúpedes, aves, répteis, peixes, insectos, vermes.
Fitografia, ou denominação dos vegetais, plantas, arbustos, árvores, ou fruteiras, flores, ervas, natureza, e quantidade dos géneros que produz o terreno; alimentos usuais, ves-tuário, consumo igual, maior, ou menor do que a totalidade dos géneros produzidos; pesca e caça, livres ou privilegiadas; minerografia, ou indícios de minas metálicas; abundância ou falta de pedreiras, natureza e qualidades de pedra; utilidades que se tira-ram, tiram ou podem tirar dalguns objectos destes, e para quem.
8º Divisão civil, militar e eclesiástica antiga ou até 1834, e actual mudança notável que tem tido; quando, porquê, impostos da coroa, eclesiásticos e municipais.
9º Edifícios notáveis, morgados vinculados, seus possuidores, nomes das famílias nobres, ou que em si ou seus avós tiveram foro de fidalgos, e das pessoas distintas em saber, virtudes, ou armas; número de bacharéis, ou doutores, e em que o são, e dos pro-fessores públicos, e particulares, estabelecimentos militares, e os literários de justiça das câmaras, conventos, prisões, hospitais.
10º Direcção e situação das principais pontes de pau, padieiras de pedra ou cantaria, estradas, bosques, matas, pinhais, serras, e suas etimologias; extensão do terreno culti-vado comparativamente marcado com o inculto; abundância de vales, planícies, outeiros, terras maninhas, e particulares, suficiência, ou falta de matos, lenhas, e águas de rega.
11º Rios, ribeiros, levadas, sua largura, profundidade e comprimento na freguesia, lugares que banham, moinhos, azenhas, fontes, suas particularidades notáveis, águas minerais, aonde, quantidade e qualidade, lagos, pântanos, grandes cheias e seus estragos.
12º Género de cultura adoptado com preferência, instrumentos de que se usa, animais empregados na lavoura, qualidades de estrume natural, ou artificial, geognosia, ou constituição física do terreno: areento, saibroso, seco, húmido, estéril, frutífero, pedregoso, suas cores; qual delas produz melhor, e o quê, preços dos jornais dos trabalhadores nas diferentes quadras do ano, e diversas espécies de trabalho.
13º Feiras aonde se fazem, quando têm lugar, quanto duram, privilegiadas ou livres; mercadorias, ou objectos de toda a espécie que nelas se vendem, seus preços médios.
14º Número dos oficiais e empregos, sapateiros, alfaiates, ferreiros, boticários, cirur-giões, tendeiros, almocreves, músicos, procuradores, escrivães, ferradores, carpinteiros, mercadores, merceeiros, barbeiros, estanqueiros, ou outros quaisquer ofícios, sacerdotes, proprietários de bens de raiz, caseiros dos mesmos, fábricas, engenhos.
15º Monumentos e antiguidades, inscrições ou letreiros, existentes e destruídos, princí-pio ou origem da freguesia, usos, costumes, romarias, na freguesia ou fora dela a que vão os povos; sua duração quando se fazem divertimentos favoritos, vícios e virtudes dominantes, abundância ou riqueza e pobreza da freguesia; causas do aumento, estacionação ou diminuição da população, doenças ordinárias e pouco vulgares dos homens e animais, curativos notáveis de algumas delas, estatura, força, fisionomias, duração da vida dos habitantes, exposição das idades centenárias e daí para cima contadas desde 1834, inclusive declarando os nomes dos indivíduos, locais de sua habitação e a sua maneira de viver, melhoramentos que se podem fazer em fábricas, engenhos, estradas, pontes, edifícios públicos e particulares, comércio, costumes, romarias, criações de gado, colmeias, agricultura, estragos de cheias, ou outros análogos objectos.
16º Igreja: grandeza, fundação, invocação, etimologia, lugares em que tem estado, e os motivos, e ano de mudança; padroeiro, ou apresentadores; côngrua, rendimento no tempo dos dízimos; residência longe, ou perto; Indulgências, e júbiléus, e quem os concedeu; legados; irmandades, seus fundos, pratas de serviço, número de Irmãos, sufrágios pelos vivos e defuntos, mesários na ordem gradativa da maior para a menor influência nos negócios da irmandade, sepulcros singulares, ou de pessoas nobres, e distintas, painéis, altares e suas imagens.
17º Todos estes quesitos devem ser examinados com a maior atenção, e individuação possíveis indicando o que for certo, e o que somente se julgar provável, e não deixar de descrever todas aquelas circunstâncias por mais mínimas de que elas se possam revestir, assim como todos aqueles objectos que mediata, ou imediatamente tiverem relação com os que se acabam de enunciar e declarar-se às perguntas a que se não pode responder, e o motivo porque à essência de cada interrogatório, ou quesito se aplicará também a todos os lugares, ou aldeias que no mapa estatístico se mencionarem; as plantas medicinais podem ser designadas pelo boticário e cirurgião da freguesia ou lugares próximos. As flores pelos curiosos jardins, as plantas empregadas nas artes pelos tintureiros, curtidores, cadeireiros, pintores, e outros semelhantes ofícios e artes, os curativos singulares de algumas enfermidades de animais, ou da espécie humana pelos mezinheiros; os animais e plantas serão somente indicados pelos seus nomes, mas não esquecerá relacionar as diferentes espécies de cada um destes objectos, entre as flores, vosso governo, o serem as rosas brancas, vermelhas, variegadas e de que cores, singelas ou dobradas; entre os carvalhos o serem cerquinhos ou ordinários.
Na classe dos vegetais entram os tortulhos que nas terras, ou nas raízes de algumas árvores se criam, e as plantas que a outras se apegam, e delas se sustentam a que cha-mam parasitas, e em geral tudo o que for planta. Nos objectos da agricultura consultar-se-ão os melhores, e mesmo entendidos lavradores, os quesitos das irmandades podem elucidar-se pelos seus estatutos e livros de apontamentos; enfim deve-se procurar só aqueles indivíduos que melhor puderem estar ao facto do objecto sobre que forem interrogados para que os reverendos párocos possam satisfazer a este interrogatório com vigor e exactidão, e sob o juramento in verbo sacerdotis que deverão declarar, e reunir à sua assinatura no fim das respostas que lhe puderam dar.
Dicionário Geográfico
N. 114
Penedono. Anno de 1758
C[omarqua de] Pinhel
Descripção e Mappa geral de todas as couzas tanto ecleziásticas como seculares, e de outras notáveis que há nesta villa de Penedono recomendado por Sua Magestade Fide-lissema que Deos Nosso Senhor guarde por delatados annos, o qual Mappa, vai descripto, e notado na forma do extracto himpresso, que à ordem do mesmo Senhor mandou o Excelentíssimo Senhor Bispo deste Bispado; e tudo conforme os números do mesmo extracto e na maneyra seguinte.
1.º fica esta villa de Penedono na província da Beyra Alta, no Bispado de Lamego, comarqua de Pinhel com termo seu próprio e vários logares anexos, como em seu logar se descreverão. Tem duas Abbadias do Real padroado de Sua Magestade Fidelíssima que ambas cada huma de per si em seu logar irão notadas.
2.º Consta por tradição muito antiga ter sido senhor desta mesma villa hum Conde que ouve de Marialva em antigo foral das igrejas deste Bispado que se acha na Camera Ecleziastica do mesmo, se mostra o ser aprezentação do mesmo Conde a Igreja de S. Pedro desta villa que por falta de successão do mesmo fiCOU a sua Caza devolluta à fidelíssima Coroa deste Reino que Deos Nosso Senhor faça perpetuado; hoje hé de Sua Magestade Fidelisssima, e não tem outro Senhor nem Donatário.
3.º Dentro desta mesma villa há duas freguezias que ambas são Abbadias. Em primeiro logar se descreve a freguezia de S. Pedro.
Acha-se esta freguezia mista com a do Salvador, porem com suas devizois pellas quais se governão os Abbades para não haver confuzão e menos perturbação no respec-tivo de sua jurisdição; Consta esta freguezia de S. Pedro de sincoenta fogos, pessoas de sacramento noventa, de menor idade vinte, isto hé dentro da villa porque em seu logar se descreverão os mais freguezes que se achão nas quintas anexas.
4.º Acha-se esta villa situada em hum monte para a parte do Norte e Sul e com eminên-cia tal que da mesma se descobrem varias terras, Bispados e Províncias, as mais notá-veis são = a praça de Almeida com distancia de dês legoas; a praça de castelo Rodrigo que dista sete legoas, e juntamente toda a raya de Castella no destrito de Cima Côa tudo deste Bispado; a villa de Ranhados da Sereníssima Caza do Infantado com distancia de huma legoa = a villa de Meda com distancia de duas legoas humas para a parte do Norte; e Poente digo para o Poente se descobre a villa de Sernceihe com distância de duas legoas. Ho território da Viulla Nova da lapa aonde se venera a tam antiga como milagroza imagem da Senhora com invocação da mesma Lapa da qual villa hé senhor Theotonio de Sobral! de Vasconcellos fidalgo de Sua Magestade Fedelissima, irmão do milhor Mestre naval dos nossos tempos Francisco Jozé de vasconcellos, comendador da Comenda de Sernanceihe,, coronel do mar, varão ilustre em armas e virtude com as quais enriquece tam liberalmente o sagrado da sua igreja e ainda das da sua grande devoção. E também irão do preclarissimo António de Vasconcellos digníssimo governador de Angolla o qual território dista desta villa coatro legoas. No Arcebispado de Braga se descobre Villa Real com distância de sete legoas = Torre de Moncorvo com a de seis legoas = e a mayor parte da Província de Trás dos Montes.
Na mesma forma se descobre quazi toda a campina da Serra da Estrella com distância de 18 legoas; e com a mesma distancia para a parte do Norte a Serra do Marão, na Província de trás os Montes; e logo distante huma legoa a villa de Penella de que hé Donatário o Excelentíssimo Marques de Marialva.
5.º Tem esta villa termo seu separado, hé cabeça do concelho que comprehende em si os logares seguintes: o lugar de Alcarva com sincoenta vezinhos, e distancia de meya legoa para o Nascente = o logar de Ourozinho com setenta fogos com distancia de huma legoa, em cujo teritorio tem e possue João Bernardo Pereira Coutinho de Vilbena, fidalgo de Sua magestade Fidelíssima huma das mayores quintas que tem esta Província chamada Quinta do Vai de Outeyro com huma rezidençia de caza tanto ao moderno, que pella sua situação com a delicioza vista que tem para o rio que se chama Teja fás cobiça o assestir na tal quinta tam rica de fructos como avultada de regallos.
Logo adiante o lugar da povoa que terá cem vizinhos com distancia de duas legoas = o logar das Antas com cento e vinta vezinhos, e distante de huma legoa = o logar da Bezelga com cento e trinta vezinhos, e distancia de huma legoa = os quais logares ficão no andar da parte do Sul e alguns para o Poente.
E para o Norte o logar de Castainço que terá cem vezinhos com distancia de huma legoa = o logar da Granja com setenta vezinhos e distancia de meya legoa.
6.º Acha-se a Igreja Parrochial de S. Pedro desta villa com pouca distancia fora da villa e juncto a hum penhasco com batida de todos os coatro ventos, em tal forma que no tempo do Inverno hé inatural a sua habitação pois como sammante se não podem fazer as funções sagradas pello dezabrido e rigor com que os ventos fazem nella impressão; e ordinariamente hé tanta a neve que na mesma se n~o pode entrar sem haver quem com muito trabalho faça caminho pella mesma neve.
Tem a dita Parrochial com distancia de meya legoa grande, huma quinta chamada a Ferronha, que tem sincoenta fogos e pessoas de sacramento cento e vinte, e menores sincoenta e coatro. Esta situada em huma planície no fundo e nas faldas do Monte Cerigo; E adiante desta com distancia de outra meya legoa tem outra quinta chamada a do Bispo 0 que tem quinze fogos, pessoas de sacramento trinta = e menores doze = e se acha situada em huma planície bayxa entre dous rios hum que se chama o do Pontão e nunca seca, outro o Rio Torto arrebatado nas suas correntes que ambos cercão a dita quinta e regão as suas fazendas.
São estas quintas administradas nos sacramentos pello Parrocho da dita Igreja de S. Pedro por lhe pertencerem, e com bastante trabalho por que nos Invernos se passão serras campinas, e atalhos agrestes e medonhos, dereitos e sem abrigo, e com o mesmo trabalho quazi irremediável vem enterrar os defunctos das mesmas quintas à sobredita Parrochial.
7.º Hé o orago desta Igreja de S. Pedro o mesmo Santo Príncipe dos Apóstolos, o qual tem dentro em si sinco altares, três dos quais pertencem à Igreja como são o do Santís-simo Sacramento no altar da capella mor; dous collaterais hum da parte da Epistola, por bayxo do arco da capella mor, de Nosso Senhor Crucificado e na frente deste da parte do Evangelho outro da Virgem Santíssima do Rozario, e todos por dourar pella sua pobreza, mottivo porque o corpo da Igreja se acha com bastante indecência que com a pobreza dos freguezes se vai remediando; e suppposto que a mesma Igreja tenha huma cappella mor feyta de novo com muito boa pedraria, fés-s com os frutos da mesma Igreja quando se achou vaga.
Na mesma cappella mor se fés huma nova tribuna com os dous Apóstolos S. Pedro e S. Paulo de vulto e nos seus lados, e toda se acha apaynellada com huma sanchristia muito bem espaçoza, mas tudo por dourar, porque no tempo em que se havia de fazer forão os depozitos do dinheiro que havia para o Excelelentissimo Coilegio Patrarchal; e somente tem as imagens de Santo António e S. Silvestre muito bem estofados e com excellentes pinturas.
Dentro da mesma Igreja estão duas capellas particulares e sobre si, huma das quais e para a parte da Epistola está a de Nossa Senhora da Conceição imagem perfeytissima., com seu altar dourado da qual hé admenistrador o atrás mencionado João Bernardo Pereira Coutinho de Vilhena aonde e na qual capella tem a caza deste fidalgo de Sua Magestade Fidelíssima o seu jazigo tam nobre como antigo.
Da parte do Evangelho está também separada outra capella do Divino Spirito Sancto de que são admenestradores huns Caldeyras desta villa, e agora hum Pedro de Aguiar Caldeira está tam pobre como o seu administrador.
Nesta mesma Igreja está erecta huma Irmandade das Benditas Almas do Purgatório com proteção do Senhor dos Passos tam rica, como pobre, rica pellos muitos e avultados suffragios que se fazem pellos muitos irmãos de que se compõem esta dicta Irmandade, e pobre porque há annos em que se há (como socede) mortandade nos irmãos, custa a chegar o producto annual dos Irmãos vivos para gastos e despreza dos Irmãos defunctos.
Também na mesma Igreja se juncta nos dias determinados de seus Estatutos huma nobilíssima Irmandade de sacerdotes, e alguns seculares de destinção, que concorem de distancias ainda de fora deste Bispado que todos junctos formão hum lustrozo corpo de Irmandade debaixo das bandeiras e chaves do milagrozo S. Pedro seu protector.
8.º O Parrocho desta Igreja hé Abbade aprezentado por Sua Magestade Fidelíssima, e collado pelo ordinário Bispado. Terá de renda duzentos e sincoenta mil reis, porque os fructos desta Igreja são igualmente partíveis pello Parrcho e Abbade da mesma, e pello Abbade do Salvador desta villa que ambos cumulativamente recolhem os seus fructos em hum só celleyro e nos mesmos fructos tirados os que pertencem ás Abbadias tem a Reverenda Fabrica da Santa Igreja Patriarchal a sua coarta nona que leva e percebe hora de todos os encargos como são = Pagar a dous curas de suas anexas que esta Abbadia aprezenta juntamente ao da Matris que com o mesmo Parrocho serve as suas porções, paramentar três igrejas, concorrer com ceras tanto para os curas como para os sepulchors da Semana Sancta, aliem de outras miudezas pagar renda de cazas, porque a Igreja as não tem. E também nos referidos e mesmos fructos tem a sua terça a Excelen-tíssima Mitra deste Bispado, sem concorrer para semilhantes encargos.
9.º não tem Beneficiados que aprezente, mas sim dous curas annuais como são = hum em o logar de Alcarva, outro no logar da Povoa cujas freguezias tem ambas por orago o gloriozo S. João Baptista, as suas congruas por costume são pagas em tantos alqueires de pão, que conforme o seu vallor poderá alguns annos chegar-lhe a vinte mil reis ou ainda passar, isto hé fora os seus pés de altar. E também aprezenta o Cura Coadjuctor da Matris quazi com a mesma e simithante porção aos referidos.
13.º Tem esta Igreja de S. Pedro dentro da villa sinco capellas: huma que hé do povo, e se acha juncto a huma estrada publica, com a invocação de Santa Maria Magdalena; e há alguma tradição antiga ser esta capella a Matris no circuito de duas legoas em redondo e não haver outra nas povoações vezinhas que prezentemente existem, alguma conjectura certa pode haver pella sua antiguidade.
Outra de S. João Baptista, que esta metida com porta para a rua no sumptuozo e magnifico Palácio de João Bernardo Pereira Couttinho de Villhena, atrás referido nos & & 50 = & 7.º com riqueza de ouro e prata não só nos sagrados vazos que tocão immediatamente o Sagrado Corpo de Cristo mas no polido e bem fabricado das peças que pertencem ao altar, e na riqueza das vestimentas com que se celebra o Santo Sacrifício da Missa com sua tribuna feyta pelo milhor primor da arte dourada na mais bem vista e ultima perfeição e com as mais excellentes pinturas fabricadas peito ardente zello de seus nobilíssimos progenitores que com tanto disvelo se empenharão tanto na estrutura do Paliacio, como no abono e riqueza da cappella.
Tem esta no frontespicio em hum nicho primorozamente lavrado huma imagem do mesmo S. João baptista, que parece (sem encarecimento) se empinhou o dedo da mão de Deos para a total perfeição de tal imagem; hé de pedra tam finíssima que faz emulação ao mais nevado e fino jaspe. Terá seis palmos de altura.
Outra capella com a invocação de Nossa Senhora do Desterro, de que hé admenistrador o capitão Manoel Felippe, com a obrigação de dar pouzada aos peregrinos.
Logo adiante muito perto de huma tam nobre como antiga torre com que se vê adornada não só esta villa mas todas as suas vezinhanças cuja descripção em seu logar se fará; no sítio da praça da mesma villa ao lado esquerdo de humas cazas tam nobres como antigas que são de Manoel de Carvalho Cerqueyra e Vasconcellos cavalleiro professo na Ordem de Cristo e fidalgo de Sua Magestade Fidelissema está huma capella com a invocação de Nossa Senhora do Amparo ricamente adornada, da qual hé o mesmo Admenistrador.
No mesmo sitio da praça se acha outra capella com huma perfeitíssima imagem de Santo António, cuja admenistração anda prezentemente litigioza por huns herdeiros dos instituidores da mesma que por alcunha se chamão = os Carchanas.
Fora desta villa e que pertencem à mesma Freguezia de S. Pedro, há as seguintes =
Na quinta da Ferronha atrás declarada há huma capella do povo com a invocação do gloriozo Mártir S. Sebastião, aonde em altar separado juncto ao do mesmo sancto das grades para dentro se venera huma imagem de vulto da milagroza Santa Quitéria, ima-gem tam milagroza que á mesma coneorem de varias partes destas vezinhanças, e algumas remotas muitas pessoas com reeyos ou mordidos de cães damnados e com os seus gados que de semilhantes partes se achão maculados em tal forma que por virtude e intercessão da mesma Santa experimentão alivio aos seus males e remédio aos seus infortúnios.
Na quinta da do Bispo também já referida se acha huma capella com a invocação de Nossa Senhora da Conceição de que hé admenistrador o Doutor Fernando Jozé Leite Rebelo Homem do logar de Riodades.
Também nos confins desta Freguezia com distancia quazi de huma legoa no sitio aonde chamão Trigamendes na estrada real que vem de Lixboa para Trás dos Montes se erigio huma nova capella com huma sagrada imagem de Nosso Senhor da Estrada, e foi feita com abundância de esmolas dos passageyros que as dav~o em obzequio de hum payne! Que no mesmo sitio se achava com a pintura das bendictas Almas. Está muito bem feyta e acabada; pertence ao povo, não obstante o zello com que admenistrou as esmolas para a sua erecção hum Padre Apolinário Rodrigues natural da quinta da do Bispo desta mesma Freguezia./
14.º Nada.
15.º Tem esta villa e seus lemittes abundância de vários fructos, e com specialidade = centeyo = algum trigo = também milho = muito linho galego castanho = feijam = e castanha da Índia, vulgo nestes Paizes castanhola
16.º Há na mesma villa e na praça della huma caza da Camera aonde se fazem as audiências quazi de 8 passos está a cadeya com huma torre de cantaria e caza alta para o carcereyro; a qual cadeya logra os privelegios dados à cadeya hum alto, formozo e bem avultado Pellourinho com seus degraus de cantaria, e de huma pedra bem feyta e no remate huma pirâmide escortejada na forma de prisma antigo daquelle tempo em que se erigio.
Adorna-se esta villa como cabeça de todo o concelho com huma nobre e bem ajustada Camera, composta de dous Juízes ordinários, três vereadores, hum procurador, escrivão da camera pessoas pello costume em semilhantes cargos, de honra e destinção, que todos junctos fazem hum lustrozo régio e nobillissimo Senado, mottivo porque esta villa tam nobre como a mais antiga desta comarqua não está sujeita a nenhuma outra., ante sim há alguma tradição que pella sua nobreza a antiguidade foi a principal cabeça desta comarqua.
17.º vid. & 16.º
18.º Desta villa por tradição tam certa como antiga, tem sabido alguns Maltezes para a sagrada religião de Malta, thios do dito João Bernardo Pereira Couttinho de Vilhena, hum dos quais foi baylio de Lira comendador da Comenda Grande de Poyares que hé da m~esma sagrada religião.
E depois deste e sobrinho o cavalleiro Maltes Manoel Homem que se acha rezedindo na sua mesma religião.
Também se averigua com certeza ser natural desta mesma villa o avô paterno do gram mestre que hoje hé da sobredita sagrada religião de Malta.
Na mesma descendençia houve Luís Pereyra do Dezembro de Sua Magestade Consei-heyro de Sua Real Fazenda daquelle houve hum filho por nome Belchior Pereyra que foi capitão-de-mar e guerra da Coroa, e almirante das armas.
Deste houve Luís Pereira Couttinho que no anno de 1584 alcançou patente de capitão-de-mar e guerra de huma não da Índia.
E finalmente desta mesma família houve Diogo Vás Pereira inquizidor do Santo Officio e seu irmão Frei Dominguos Pereira religiozo dominico primeiro lente que houve na sagrada Teologia não somente na sua religi~o mas na universidade de Coimbra e o primeiro Doutor na mesma.
Todos os referidos tiverão grandes honras avales reais com flihamentos muito antigos pellas conhecidas e bem sabidas memorias que há das suas façanhas e bizarias não só nesta freguezia villa e concelho mas em toda esta Província da Beyra e Reyno de Portugal.
19.º Tem esta Freguezia de S. Pedro huma feyra franca que se fás no mesmo dia do Santo em 29 de Junho, que dura por todo o dia e somente, e se fás juncto ao adro da Igreja.
20.º Não tem correyo mas serve-se com a de Moumenta da Beyra, cuja villa dista três legoas desta de Penedono.
21.º Dista esta mesma villa da cidade capital deste Bispado de Lamego sete legoas e da cidade de Lixboa, capital do Reyno seçenta legoas.
22.º Não tem mais privelegios de que o não pagar jugadas como algumas destas vezi-nhanças.
23.º Dentro da villa em huma planície donde chamão de Dureza há duas fontes huma com seu aqueducto toda a fermoza e bem lavrada cantaria debayxo de hum arvoredo copado que no tempo do verão fás delecioza a sua fresca assistência com seus assentos de pedra lavrada e muito perto do alto muro que cerca o Palácio de João Bernardo Pereira Couttinho de Villhena cujas agoas são deleciozas pellas suas correntes; tem as armas reais de Sua Magestade Fidelíssima.
E logo mais abayxo outra com suas goardas de cantaria, mas não celebrada só pello nome de Pellame.
No sitio das ortas no fundo da mwsma villa para a parte do Poente há huma fonte com suas goardas e coberta de cantaria maravilhoza pello grande fluxo de suas agoas em tal abundância que toda aquella cercania de ortas se regão no tempo pelo mayor callor, dnde procede haver no mesmo sitio abundância das mais primorozas ortaliças.
Para a parte do Nascente aonde se chamão sitio da Avelloza na estrada real desta villa para a de Ranhados, com destancia de hum estreito passeyo desta mesma villa em uma bem espaçoza deveza se acha hum manancial de agoa que logo immediatamente a elle se fás huma bem funda grande e lagoa aonde se costuma lavar toda a roupa desta villa, e hé tam maravilhoza e abundante nas suas correntes que no Verão e Estio mais intenso sempre abunda em tal forma que rega todas as mais bem avultadas fazendas que há no grande circuito do mesmo manancial e hé principio de um rio chamado o Rio Bom que com distancia de huma legoa vai a fenescer no celebrado Rio Torto.
24. º Nada.
25. º Esta villa não hé murada. Porem há nella huma tam celebrada como antigua torre situada em huns tam altos como grandes penhascos que se vê em distancia de muitas legoas de varias Províncias e Bispados. Do tempo em que esta torre foi eregida não há memória certa porque a sua edefecação hé tam antigua que os noteciozos dizem ser feyta pellos Godos, outros pellos Romanos; o certo hé que está feyta por tal modo que nâlo pode haver duvida ser huma grande forteficação daquelles tempos pois hé feyta de pedra miúda com argamaça mais forte que o mesmo ferro. Tem sinco quinas com sinco janellas de cantaria, e por dentro das paredes seus corredores com escadinhas que sobem para o alto em circuito das muralhas de que delas se podia muito bem atirar e defender dos inimigos que acercassem ainda que fosse em distancia, pella sua grande altura e descobrimento que não podia ser invadida com emboscada.
Alguns moradores antigos desta villa ainda a conhecerão com sobrado o que hoje não tem mas sim huma cisterna sem agoa para a mesma.
Achava-se cercada com seus fortes a maneira de praça de armas, dos quais somente existem por fraguedos, ainda pedaços de grandes e largos muros, com baluartes e atha-laias de boa goarda, os quais muros fortes tinhão sua porta que ainda existe, pequena, da qual se sobe para outra que tem a msma torre também pequena e no frontespício as armas do Conde que foi de Marialva. Tem muitos retretes antigos com suas frestas pequenas, e hoje se acha na altura della o relógio desta villa que se ouve em bastante distancia. Hé seu alcayde mor, José de Mello da Gracioza.
26. º Não padeceo mina alguma no terramoto do anno de 1755 e somente da parte do Poente cahirão humas pedras do simo das guaritas. Está situada para a parte do Norte apropinguada à mesma villa
Descripção da Serra do Monte Cirigo
1.º Há huma serra a que chamão do Monte Cirigo deste concelho e villa de Penedono, que tem huma legoa do Norte, para Sul, e o mesmo do Nascente para o Poente. Prin-cipia na sahida desta villa e vai acabar ao logar das Antas também deste concelho.
4. º Na mesma, nasce hum manancial de agoa no fundo de um rochedo para a parte do Nascente aonde chamão a Douroanna e logo por parte debayxo se acha hum moinho que moe quazi todo o anna com o mesmo manancial que vai a fenescer no Rio Torto quazi hum coarto de legoa.
7. º Acha-se nesta serra huns fossos a que nestas terras chamão vieyros grandes que cortão quazi a serra toda, huns que externamente se vem, e outros por debayxo da terra pellos quais alguns homens animozos tem andado, e dizem ter minerais donde se tirava ouro e prata.
8. º Hé povoada de mato a saber giesta piorro e rosmanos e em algumas partes se cultiva de pão nas faldas da mesma serra aonde também há castanheyros e carvalhos.
10. º A qualidade do seu temparamento hé o ser frigidíssima pella altura em que se acha.
11. º Há nella muita abundância de caça lebre coelho perdiz e muitos lobos, e rapozas.
Breve descripção do Rio Torto
Na fonte do Mulo com distancia de duas legoas na estrada da villa de Trancozo nasce o Rio Torto que corre arebatadamente pellos confins desta villa para a parte do Nascente e passa pella quinta da do Bispo atrás notada aonde tem huma ponte de pão que vai para a villa de Ranhados e por cima da mesma ponte estão três moinhos com 4 pedras de moer, vai a fenecer no Douro, com distancia de 4 legoas desta Freguezia.
Não há couzas mais notáveis que a respeito desta minha Freguezia se descreverão e tudo quanto ditto tenho hé verdade.
O Abbade de Sam Pedro João Sarayva
IAN/TT, Dicionário Geográfico, vol. 28, mem. 114, fi. 747-763
O Senado da Câmara
A Câmara era a autoridade do concelho. O Senado da Câmara Municipal de Penedono era constituído por três vereadores e um procurador da vila. A aplicação da lei e da justiça nas localidades estava a cargo dos juízes ordinários, eleitos entre os homens bons dos concelhos cuja acção em geral se caracterizava, frequentemente, pela falta de isenção. Nem sempre era fácil manter-se isento, quando tinham de julgar casos em que participavam parentes, amigos e inimigos, em parte porque a sua deficiente formação jurídica os tornava frágeis perante os poderosos locais.
O juiz de fora era bacharel em direito, conhecedor das leis régias, descomprometido em relação às relações locais de poder e de influência, mas só cerca de vinte por cento dos concelhos possuíam este juiz nomeado directamente pela coroa. Os vereadores, os homens bons, exerciam funções estabelecidas nas ordenações, tendo nas suas mãos a regulação da vida económica das populações.
Assim, competia-lhes a organização e controlo do funcionamento dos mercados, a taxação de preços e ofícios, a defesa das fronteiras concelhias, a guarda da saúde, o recrutamento militar e, ainda, a dinamização e criação de infra-estruturas, nomeadamente a construção de caminhos, pontes, calçadas, fontes, chafarizes e poços. Tinham ainda poderes para organizarem a vida comunitária. Para além do poder executivo e legislativo, os vereadores despachavam as acções de injúria e pequenos furtos. Aos vereadores competia ainda a apresentação de indivíduos para diversos cargos e a faculdade de comunicar com a corte, sempre que necessário.
A eleição de vereador era feito para três anos, embora as funções fossem diferentes de ano para ano, de modo que nenhum desempenhasse o mesmo cargo dois anos seguidos. O cargo de vereador era provido por eleição local, sendo o colégio eleitoral composto pela nobreza. Requisitos necessários para se ser eleito vereador eram: ser-se natural da terra, ter qualidades para ser governante e ainda ser pessoa com bens próprios que lhe garantissem um nível de vida condizente com o seu estatuto social. O cargo de vereador era, sobretudo, um lugar de honra e de poder. Nas cerimónias religiosas ocupavam lugares de proa e de honra, por via das suas funções de vereadores municipais.
Pelos dados aduzidos, a vereação era, tendencialmente, monopólio e coutada de um pequeno número de famílias e candidatos, visto as vereações serem restringidas aos que já tinham servido os cargos de governação ou aos que fossem descendentes de quem já os tivesse exercido, o que originava que algumas famílias se perpetuassem no poder.
Os almotacés eram homens directamente ligados à inspecção da actividade camarária, eleitos localmente, de uma forma directa, pelos vereadores. As suas funções, essencialmente de natureza económica, estavam directamente ligadas à vida municipal e ao contacto directo com as populações. As suas funções consistiam no cumprimento das posturas municipais, encoimando os infractores; na vigia da actividade dos comerciantes e mesteirais; no controlo e aferimento dos pesos e medidas; no abastecimento dos mercados e feiras e na verificação das condições de venda ao público dos produtos alimentares, especialmente carne, peixe e pão; manutenção da higiene pública. Nas suas funções, eram apoiados pelo escrivão da almotaçaria, que efectuava a escrituração de toda a actividade por eles desenvolvida.
Provérbios e ditos populares e regionais
Vinha que rebenta em Abril dá pouco para o barril.Velha que seja a panela sempre há um testo para ela.Vinte galinhas e um galo comem tanto como um cavalo.Vaca que não come com os bois, come antes ou depois.Vaca grande e burro que ande.Vaca barriguda e ovelha cornuda.Vale mais mulher do que fazenda.Vale mais deixar a ruins do que pedir a bons.Mais vale pão duro do que figo maduro.Vivo à mesa e morto à cova.Viúva rica, casada fica.Um homem com a enxada, mal livra a fome da casa.Três moleiros, três lagareiros, três escrivães, três ladrões.Tens leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão.Um bago não enche o celeiro mas ajuda o moleiro.Uns aquecem o forno outros metem o pão.Uvas e queijo sabem a beijo.Temporão, ou palha ou grão.Tempo de cuco,ora molhado, ora enxuto.Terra ou torrão, tudo dá pão.Tola é a ovelha que se confessa ao lobo.Trigo acamado, dono levantado.Toma casa com lar e mulher que saiba fiar.Tarde ou cedo, ceifa pelo S. Pedro. Se corres como mentes, vamos às lebres. Se caçares não te gabes, se não te casares não te enfades.Torna a cabra à silva e a porca à pocilga. Se o velho pudesse e o novo soubesse não haveria nada que não se fizesse.Três luzes a arder trás uma casa a perder.Semeia e cria, terás alegria.Semeia cedo e colhe tardio, terás pão e vinho.Só sabe da guerra quem vive nela.Semeia no pó e não tenhas dó.Tonel mal lavado, vinho estragado.Se queres boa fama, não te dê o Sol na cama.Sobre dinheiro não há companheiro.Se queres que te siga o cão, dá-lhe pão.Seja eu meirinho, seja-o do moinho.Se queres ter ovelhas anda atrás delas.Sofre para saber e trabalha para ter.Se queres saber quanto vale um cruzado, pede-o emprestado.
Riqueza a valer é saúde e saber.Quando vai bem à vaca, vai mal à arca.Se queres um bom cabaço, semeia-o em Março.Quem faz a poda em Abril faz a vindima num mandil.
Quem não tem cavalo, nem mulher não monta quando quer.Quem cala consente, mas nem sempre.Quem tem abelha, ovelha e moinho desafia o rei.Quem seu carro unta, seus bois ajuda.Quem semeia no caminho, cansa os bois e perde o trigo.Quem casa filha depenado fica.Quem rouba um pão é ladrão, quem rouba um milhão é barão.Quando não chove em Fevereiro, adeus centeio.Quem em Abril não varre a eira e em Maio não sacha a leira anda todo o ano em canseira.Quem de putas faz cabedal ou morre ou vai parar ao hospital.Quem quer bom nabal, peça que lhe nasça mal.Quando em Março canta a perdiz, ano feliz.Quem alheio veste, na praça o despe.Quem longe vai casar ou vai enganado ou vai enganar.Quem se deita sem ceia toda a noite rabeia.Quem vai à boda leve que coma.Quem vareja antes do Natal, fica-lhe no olival.Quem muito reza alguma coisa teme.Quem mais jura mais mente.Quando Deus dá a farinha o diabo fecha o saco.Quem poda em Março, vindima no regaço.Quanto menos se pensa mais se fala.
Quem compra azeite e pão, faz ninho de cão.Quem à mesa alheia come, janta e ceia com fome.Quem tem casal de renda, semente de meias e bois de aluguer, quer o que Deus não quer.Quando o enfermo diz ai, o médico diz dai.Quem pobreza tem dos parentes é desdém.Por Santa Luzia, cresce a noite, minga o dia.Por S. Martinho, a semente do pobre está melhor no campo do que no moinho.Por S. Martinho, nem favas, nem vinho.Porcos com frio, homens com vinho fazem grande ruído.Pelo S. João lavra e terás palha e grão.Pelo S. Mateus pega no arado e lavra com Deus.Passarinho que na água se cria, sempre por ela pia.Pelo S. Tiago, na vinha acharás bago, se não for maduro será inchado.Pelo S. Mateus faz conta das ovelhas que os borregos são teus.Perto da missa, longe da justiça.Porcos e bois, mais um do que dois.Por S. Francisco semeia o teu trigo.Por S. Clemente lança a mão à semente.Pitos de Janeiro põem pelo rolheiro.
Cabrito de um mês, queijo de três.O milho pelo S. João deve cobrir um cão.Ovelha que berra bocado que perde.Pouco gado, pouco assobio.Perdido é o gado onde não há cão que ladre.Pobre do pobre que não tem pão que lhe sobre.O que à terra deres ela te pagará.Grão em Março, nem na terra, nem no saco.Pão e roupa, de uma semana do que doutra.O melão e a mulher são ruins de conhecer.O que o diabo não pode consegue-o a mulher.Olha para ti e fica-te por aí.Os garfos abrem mais covas do que as espingardas.O negociante e o porco, só depois de morto.O vinho são escusa pregão.O frio almoça na Guarda, janta em Trancoso e ceia em Penedono.Outubro colhe tudo.O bom julgador por si se julga.Muito comer e muito beber é sinal de pouco viver.O que bem sabe não se dá ao frade.Onde entra a luz não entra o médico.O hóspede e a lebre de três dias fede.Cão velho quando ladra dá conselho.O houveres de comer não o vejas fazer.Osso que comeres não o voltes a roer.O fim leva a vida e a tarde o dia.Onde vai o ferro vai a ferramenta.Ou para o homem ou para o cão, leva o pau na mão.Pão pela cor, vinho pelo sabor.O bom leitão vem no verão.Onde entra o beber sai o saber.Nem em tua casa galgo, nem, à tua porta, fidalgo.Não compres mula manca julgando que a vais sarar, nem cases com mulher má, cuidando que a hás-de mudar.Não comas muito queijo, nem de moço esperes conselho.Nem preso nem cativo tem amigo.Não sai farinha branca de um saco de carvão.Não há pequeno tão pequeno que não possa ser veneno.Não cavalgues em potro nem gabes mulher a outro.No tempo das uvas cada um asa suas.No Entrudo come-se tudo.Não bebas coisa que não vejas, nem assines carta que não leias.No Verão para chover ou há-de trovejar ou arrefecer.Névoas de Agosto, nem bom nabo, nem bom magusto.Não é bom mosto colhido em Agosto.Não é pelas grandes orelhas que o burro vai à feira.Não há maior delito do que papel escrito.Negócio com parente só o faz o inexperiente.Na arca do avarento o diabo está dentro.Na boca do cão não busques o pão.
Não peças a morte a Deus, nem chuva pelo S. Miguel.Não é pelo galo cantar que se há-de madrugar.Nem moinho por contínuo, nem porco por vizinho.Não te fies em mulher que não fale, nem cão que não ladre.No pó semeia que Setembro te pagará.Não há boi que não lavre, nem puta que se não case.Não cries galinhas à mercê de raposa, nem creias em mulher que chora.Não há sábado sem Sol, nem alecrim sem flor, nem menina sem amor.Não haja compaixão de quem cama e dorme no chão.Não há pau como o de castanho nem luz como a do dia.Natal ao domingo, vende bois e compra trigo.Não metas dinheiro em saco sem ver se este tem buraco.Namorados da porta são como pito do Inverno.Natal à sexta-feira, por onde andares semeia.Não há melhor conselheiro do que o travesseiro.Se não fartares o criado de pão, não te pedirá requeijão.Nas costas dos outros leia as minhas.Manhãs pardas, manhãs largas.Maio pardo, pão grado.Mulher magra sem ser fome, foge dela que te come.Mais vale estragar sapatos do que lençóis.Migalhas também são pão.As meias são boas apenas para as pernas.Não há rebanho sem ovelha ranhosa.Mulher e gato fazem do homem sapato.Mãe trabalheira faz a filha preguiceira.Março marçagão, de manhã cara de rainha, ao meio-dia de farinha, à noite de cão.Março cria, Março fia (o linho).Mel novo, vinho velho.Mãe, que coisa é casar? - Filha, fiar, ter filhos e chorar.Mais produz culta tapada do que herdade mal amanhada.Mulher que bem se arreia nunca é feia.Mais vale penhor na arca do que fiador na praça.Malhar e limpar pão, não esperes pelo feijão.Março trovejado, ano melhorado.Mulher, cavalo e cão não se emprestam nem se dão.Moleiro que muito maquia perde a freguesia.Leitão de um mês, cabrito de três, rapariga de dezoito anos, rapaz de vinte e três.Lenha ao lume em cruz, não arde nem luz.Lua com circo traz água no bico.Lavrador entes sem orelhas do que sem ovelhas.Leite de cabra, queijo de ovelha, manteiga de vaca.Janeiro rabaceiro, nem tulha, nem palheiro.Julho seco, quente e ventoso, trabalho sem repouso.Janeiro geoso, Fevereiro nervoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, e Maio centoso, fazem o ano formoso.Julho calmoso traz o ano formoso.Há sol que rega e chuva que seca.Horta sem água, casa sem telhado.Homem de tamancos e burro a lavrar perdem o andar.Homem jeireiro, nem tulha, nem palheiro.Homem pobre depois de comer tem fome.Geada sobre lama, água reclama.Galinha pedrês não a comas, nem a dês.Guarda prado, gado criarás.Guarda-te do boi pela frente, do burro por trás e da mulher por todos os lados.Frade onde canta, janta.Feno alto ou baixo em Junho é segado.Favas as primeiras, as cerejas as últimas.Frango de Janeiro canta à meia-noite em ponto.Guarda pão para Maio e lenha para Abril.Fazes-te de morte e deixar-te-á o touro.Freiras e frieiras é coçá-las e deixá-las.
Bebedor de vinho não tem casa nem moinho.Guarda que comer, não guardes que fazer.
Farto está o carneiro quando marra com o companheiro.Filho da puta, tira a mãe da culpa.Faz bem jejuar, depois de cear.Fevereiro quente traz o diabo no ventre.Frade, freira e mulher rezadeira, três pessoas distintas e nenhuma verdadeira.Generoso como ninguém, todo aquele que menos tem.Em frente da arca aberta o justo peca.Em Abril, cada pulga dá mil.Este é meu amigo porque moi no meu moinho.Em Março tanto durmo como faço.Em Julho abafadiço, fica abelha no cortiço.Em ano geado, há pão dobrado.Em Abril corta um cardo, nascerão mil.Em Janeiro, um porco ao Sol outro no fumeiro.Em Abril águas mil, tantas quantas caibam no barril.Em S. Matias faz enxertias.
Em sendo nove, deita-te e dorme.Enquanto o burro bebe, assim faz o almocreve.É mais fácil aconselhar do que praticar.Da grande protecção nasce a ingratidão.Depois de fugir o coelho, toma o vilão conselho.De livro fechado não sai letrado.De noite à candeia parece bonita a feia.Debaixo da manta, tanto sabe o da preta como o da branca.Dia de S. Sebastião tira a vaca do pão.De bezerras e de vacas vão peles às praças.Cessa a prudência quando falta a paciência.Cada cuba cheira o vinho que tem.Come caldo, vive em alto, anda quente e viverás longamente.De má mata nunca boa caça.De manhã em manhã, perde o carneiro a lã.Cabra manca não tem sesta.Carne baste, vinho que farte, pão que sobre.Comer até adoecer, jejuar até curar.Cada mocho no seu soito.Conselho de vinho é falso caminho.Cão na igreja tudo apedreje.Conforme o santo assim a oferta.Chuva em Abril vale por estrume.Chuva em Março e seca em Abril põe o lavrador a pedir.Capoeira povoada, riqueza amealhada.Carro alugado não anda sem ser untado.
Antas
Freguesia do concelho de Penedono, comarca da Meda, distrito e diocese de Viseu, relação de Coimbra, orago de São Miguel.
População de 643 habitantes, em 169 fogos. Dista 5 quilómetros da sede do concelho e s léguas da estrada de Ferradosa. Tem serviço de correios e escola primária.
Antas, Penedono - Memórias paroquiais, vol. 4, nº 26, p. 137 a 142
Transcrição
F1. 137 <Antas termo Penedono comarca Pinhel bispado Lamego> n.º26
Descripção do lugar das Antas de Penedono por Ordem do Excelentíssimo e Reveren-díssimo senhor Dom Frei Feliciano de Nossa Senhora Bispo de Lamego por insinuação do senhor D. Joze monarcha de Portugal, Algarves, e suas conquistas e o primeiro deste nome: respondendo aos interrogatorios junctos.
1 Este lugar das Antas está na provincia da Beyra alta bispado de Lamego comarca de Pinhel, termo da villa de Penedono, terra de el rey nosso senhor.
2 Como dicto fica.
3 Tem cento e vinte outo vesinhos e pessoas entre mayores e menores mas legitimos aos preceitos da Igreja trezentos e outenta.
4 Está situado na falda da serra do Monte Serigo pera a parte do sul della se descobrem as seguintes povoaçoens: o convento da Taboza com sua pequena povoação, o convento de S. Francisco de Caria que he de religiosos da Terceira Ordem deste grande patriarcha e o sobredito convento de Taboza he de religiosas de S. Bernardo reformadas aonde se observa a disciplina regular com a mayor perfeição, ficão na distancia de tres legoas. E na de duas fica o lugar do Grajal e na de hua o lugar de Sarzeda e na de meya legoa os lugares do Seyxo da Bezelga, são estes lugares da comenda de Cernancelhe pertencente a sagrada religião de Malta e o da Bezelga he do termo da villa de Penedono. Supposto que este lugar fica em hua serra, que compete na altura com a de Nossa Senhora da Lapa, que della se descobre em distancia de trez legoas; com tudo está situada em hum baxo (sic) de tal serra e circuitada com outras pequenas serras da parte do sul e do (fl. 138) oriente e do Norte com a sobredita serra do Monte Serigo e somente do poente he que se descobrem as referidas povoações.
5 He aldeya sujeita a dita villa de Penedono.
6 Esta a paroquia dentro do lugar.
7 O orgado he o Archanjo S. Miguel: tem tres altares o mayor e dous colateraes e da parte direita he da Virgem Nossa Senhora do Rozario, e o da esquerda he do Menino E R S não tem naves tem confraria do Santissimo e das Almas hua numeroza Irmandade.
8 O parrocho he reytor, he da apresentação da Universidade de Coimbra e por consenço rigorozo com lição de ponto de hua hora sem notificação algua a respeito <…> por ser na salla da mesma Universidade na forma das mais opposiçoens, tem de congroa que lhe dá a mesma Universidade, sesenta mil reis e o pe de altar.
9 Tem anexa a igreja da Bezelga que o reytor apresenta, tem este cura outenta alqueyres de senteyo, quarenta de trigo e outros tantos de vinho mosto, congroa que lhe dá a mesma Universidade.
10 11 12 Nada, nem do undecimo e duodecimo.
13 Tem sinco ermidas, quatro dentro da povoação e hua fora aquelas são de Nossa Senhora da Lameyra, São Bartholomeu, São Sebastião e Sancta Maria Magdalena. E esta que esta fora do povo em distancia de meya legoa he de Nossa Senhora dos Carva-lhaes e todas ellas são do povo.
14 A esta ermida dos Carvalhaes acodem varias prossisoens de rogatiras(?) em cada hum anno, em vinte e sinco de (fl. 139) Março e na festa dos Prazeres da mesma Senhora, he frequentada pelos fieis dos povos vezinhos a quem venerão como seu asylo e refugio em todas as suas necessidades.
15 Os frutos que produz esta terra são senteyo, milho, feijoens, linho e castanhas tudo em mediania, vinho pouco por ser frigidissima e azeite nenhum pela mesma razão.
16 Está sujeita ao governo da dita villa de Penedono.
17 18 19 Nada nem ao 18, 19
20 Não tem correyo mas servese pelos de Trancoso, Moimenta e a Lapa que distão três legoas.
21 Dista esta terra a cidade de Lamego capital do bispado sete legoas e da de Lisboa capital do Reyno sessenta.
22 23 24 25 26 27 Nada athe o interrogatoio 27 incluzive
A respeito da Serra
Está situado este lugar na falda do monte Serigo como ja se disse, tem esta serra hua legoa de cumprida que tanto dista da villa de Penedono aonde tem seu principio ao lugar da Alcarvão termo da mesma villa, e da largura aonde he mayor hua legoa que he para a parte deste lugar das Antas. Ao longo desta serra estão as quintas da Ferronha e da do Bispo e o dicto lugar de Alcarvão.
O temperamento della he frigidíssimo pois assim como correspote(?) na altura com a Lapa, Trancoso e Garda assim também o faz nas suas qualidades.
(fl. 140) Nos mattos que nella se crião se apascentão os gados, de que ha abundancia e esta consiste no ovelhum.
Não tem cousa digna de ponderarse, nem memoravel.
Quanto ao rio
Passa juncto desta terra o rio Torto, tem o seu nassimento humilde em hua pequena fonte que está no alto da serra do Milho donde toma o nome a dita fonte, na estrada que vay pera a villa de Trancoso distante deste lugar hua legoa corre do sul pera o norte he há pequeno regato athe entrar nos lemites deste lugar aonde augmenta o seu pequeno caudal e por isso os primeyros moinhos que há nas margens deste rio são os das Antas e por todo elle há outros moinhos e só por eles comunica lateral as suas agoas e a alguas pessoas sendo avante em comunicallas às terras por onde passa pera frutificallas. Tem varias pontes nestas vesinhansas mas de nenhua architectura sempre hua chamada a Ponte pedrinha(?) tem hum arco de pedra de cantaria lavrado e está na estrada que vay das Antas pera a villa de Ranhados. Não he rio perenne pois regularmente seca de verão e quando totalmente não seque sempre os moinhos deixão de moer em alguns mezes por não puderem suas poucas agoas mover as pesadas rodas delles. Não tem creação de peixe mais que de huns muito pequenos se acaso não morrem logo no seu nassimento por causa da esterilidade do verão. Tem este pequeno rio desde o seu nassimento athe o seo ocaso que no (fl. 141) rio Douro, o mesmo nome de Torto que talvez se lhe deve pelos continuados giros que faz, corre por terras meias asperas e mentirozas(?) principalmente na distansia de sinco legoas, sendo todo o seu leito de sete athe oito que tantas … da serra do Milho aonde nasce athe ao Pego à villa de Valença, aonde entrega ao rio Douro o pequeno cahodal de suas agoas.
As povoaçoens por onde passa e lhe ficão de hua e outra parte são as seguintes: a villa de Guilheiros, Antas, Ourosrnho, Ranhados, Marvão, Poço do Canto, Cedovim, Souto, Póvoa, Pêsegos, Valongo, Travassos, S. João da Pesqueyra, Castannheyros, Ervedosa, Casaes, Servedinho, Valença. Estas tres ultimas povoaçoens são das terras da Excelen-tissima Caza de Tavora como o he também a de S. João da Pesqueyra.
Não tem este rio couza digna de ponderarse nem de que se digne fazer memoravel.
Antas 20 de Mayo de 1758
O reitor Antonio Camillo [assinatura autógrafa]
Quanto ao património histórico e cultural, destaquemos:
- Necrópole da Lameira de Cima – conjunto de dois monumentos funerários pré-históricos, constituídos por câmara poligonal alargada e corredor.
- Menir do Vale de Maria Pais – de granito, secção ovalada e topo arredondado, apre-sentando um conjunto de covinhas e um motivo que se assemelha à representação solar.
- Igreja Matriz de São Miguel.
- Capela da Senhora da Lameira.
- Capela da Senhora da Cabeça.
Capela de São Silvestre.
- Capela de Santa Luzia.
Nas Antas, dia 25 de Março, festeja-se Nossa Senhora da Cabeça; a festa de Nossa Senhora da Aflição tem lugar no terceiro domingo de Setembro.
FRANCISCO MANUEL DA COSTA
JOSÉ MARIA VALENTIM
FRANCISCO MANUEL DA COSTA
Registo de Passaportes
Requerente: Francisco António da Costa Filiação: Idade: 43 Profissão: Proprietário Estado Civil: Casado Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Rio de Janeiro 1872-08-07
Requerente: Teresa da Costa Filiação: Francisco António da Costa Idade: 22 Profissão: Estado Civil: Solteira Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Rio de Janeiro 1874-08-05
Requerente: António Manuel do Amaral Filiação: Idade: 30 Profissão: Proprietário Estado Civil: Casado Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Império do Brasil 1877-07-10
Requerente: António Manuel do Amaral Filiação: Idade: 32 Profissão: Proprietário Estado Civil: Casado Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Império do Brasil 1879-10-14
Requerente: António Manuel do Amaral Filiação: Idade: 35 Profissão: Proprietário Estado Civil: Casado Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Brasil 1881-09-09
Requerente: José António da Silva Filiação: Idade: 42 Profissão: Proprietário Estado Civil: Casado Lugar: Antas Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Rio de Janeiro 1882-10-14.
Primeiros Mancebos Registados no Exército
Para uma população total de 577 residentes, nas Antas, em 1871, foram solicitados 2 mancebos que se apuraram a partir de 6 recenseados.
Processos Tribunal do Santo Ofício – Inquisição
D. João III negociou vários anos a instituição do Tribunal do Santo Ofício em Portu-gal. Em 1532 viu os seus intentos satisfeitos pelo papa Clemente VII que lho concedeu pela bula Cum ad nihil magis, de 17 de Dezembro, na qual nomeava inquisidor D. Fr. Diogo da Silva. A reacção e protestos dos cristãos novos fizeram com que o mesmo pontífice revogasse aquela bula pela Sempiterno Regi, de 7 de Abril de 1533. Perante o desaire, o soberano não desistiu e moveu influências. Paulo III, que sucedera a Clemente VII, respondeu com o breve Inter coetera ad nostrum, de 17 de Março de 1535, aconselhando o monarca a seguir as regras da piedade e não as da vingança e mandou executar o perdão concedido pelo seu antecessor. D. João III travou em Roma uma luta cara, a que não foram alheias as intrigas e subornos, conseguindo que o mesmo papa Paulo III instituísse em Portugal o Tribunal do Santo Ofício pela bula Cum ad nihil magis, de 23 de Maio de 1536. Dirigida aos bispos de Ceuta, de Coimbra e de Lamego, nomeava-os seus comissários e inquisidores em Portugal para procederem contra os cristãos novos e contra todos os culpados em crime de heresia. Em 1539 D. Diogo da Silva renunciou ao cargo de inquisidor-mor e D. João III nomeou seu irmão, o infante D. Henrique, arcebispo de Braga e futuro cardeal. Essa nomeação não foi bem aceite por Paulo III que, todavia, acabou por lhe conceder os poderes antes dados aos inquisidores. Estava definitivamente instituída a Inquisição em Portugal nos moldes ambicionados pelo rei Piedoso. Tribunal simultaneamente régio e eclesiástico, inseria-se na política de centralização do poder. A sua criação e os seus membros estavam ligados à Igreja, mas todo o funcionamento era superiormente controlado pelo rei, desde a nomeação dos inquisidores-gerais, que despachavam directamente com o monarca, até à execução das penas de morte, para o que os condenados eram entregues ao braço secular.
O Inquisidor Geral atribuia funções ao Inquisidor que, entre outras, tomava contas aos notários que serviam simultaneamente de tesoureiros e de escrivães dos livros de receita e despesa.
O Tribunal do Santo Ofício estendeu a sua acção a todo o país e a quase todos os territórios submetidos à Coroa portuguesa no longo período da sua existência (1536-1821). Para efeitos do exercício do poder inquisitorial, as diferentes regiões do Reino estavam adstritas aos tribunais de Lisboa, de Coimbra e de Évora (os de Tomar, Porto e Lamego tiveram vida efémera). As ilhas do Atlântico, o Brasil e os territórios portugueses da costa ocidental de África, dependiam do tribunal de Lisboa e os da costa oriental africana dependiam do tribunal de Goa, criado em 1560.
Nos primeiros tempos o Tribunal português regeu-se pelas normas da Inquisição espa-nhola. Datam de 1541 as primeiras instruções portuguesas para o seu funcionamento, por ocasião do estabelecimento do tribunal em Coimbra, e o primeiro regimento só foi dado em 1552. A Inquisição teve segundo regimento em 1613, um terceiro em 1640 e o último data de 1774.
As leis pombalinas, a que declarou abolida a distinção entre cristãos novos e cristãos velhos e a que equiparou o Santo Ofício aos outros tribunais régios, retirando a censura da sua alçada, fizeram o Santo Ofício perder a sua anterior vitalidade. O regime liberal deu o golpe final à Inquisição portuguesa: em 1821 as Cortes Gerais Constituintes decretaram a sua extinção.
Diligência de habilitação de Cristovão José Cardoso Pereira de Vasconcelos
Processo de Manuel Cardoso Pereira
Processo de Francisca Nunes
Património Edificado
Igreja Matriz de Antas / Igreja de São Miguel
IPA - Monumento; Nº IPA PT011812010055; Designação - Igreja Matriz de Antas / Igreja de São Miguel; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - Religiosa: igreja matriz; Utilização Actual - Religiosa: igreja matriz; Propriedade - Privada: Igreja Católica; Afectação - sem afectação; Época Construção - séc. 17; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - séc. 17; Construção/ Tipologia - Arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa; não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações –em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Capela da Senhora da Lameira
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812010056; Designação - Capela da Senhora da Lameira; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Pro-tecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - Religiosa: capela; Utilização Actual - Religiosa: capela; Propriedade - Privada: Igreja Católica; Afectação - não definido; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - Arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido;
Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações – em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Capela de São Sebastião
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812010057; Designação - Capela de São Sebastião; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - Religiosa: capela; Utilização Actual - Religiosa: capela; Propriedade - Privada: Igreja Católica; Afectação - não definido; Época Construção - Não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - Arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações – em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Capela de São Silvestre
IPA - Monumento; Nº IPA - PT011812010058; Designação - Capela de São Silvestre; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - Religiosa: capela; Utilização Actual - Religiosa: capela; Propriedade - Privada: Igreja Católica; Afectação - não definido; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia -não definido; Tipologia - Arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos -não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações - em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Ponte Pedrinha
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812010059; Designação - Ponte Pedrinha; Locali-zação - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não defi-nido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complemen-tar - não definido; Utilização Inicial - comunicações e transportes: ponte; Utilização Actual - não definido; Propriedade - não definido; Afectação - não definido; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - arquitectura de comunicações e transportes; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações - em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Capela de Santa Luzia
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812010092; Designação - Capela de Santa Luzia; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - religiosa: capela; Utilização Actual - religiosa: capela; Propriedade - privada: Igreja Católica; Afectação - sem afectação; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - CD Portugal Século XXI - Distrito de Viseu, CD I, Matosinhos, 2001; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações – em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2006; Actualização - não definido.
Capela da Senhora dos Carvalhais
IPA - Monumento; Nº IPA - PT011812010093; Designação - Capela da Senhora dos Carvalhais; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Antas; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - religiosa: capela; Utilização Actual - religiosa: capela; Propriedade - privada: Igreja Católica; Afectação - sem afectação; Época Construção -não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - Pintor: Carlos Massa (1859, 1873, 1884); Cronologia - 1859 - pintura de ex-voto por Carlos Massa (1842-1926), pintor de Sernancelhe, por ordem de Maria do Carmos de Mesquita; 1873 - pintura de ex-voto por Carlos Massa, a mando de João Félix Cabral; 1884 - pintura de ex-voto por Carlos Massa, a mando de Joaquim António da Costa;Tipologia - arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais -não definido; Bibliografia - CD Portugal Século XXI - Distrito de Viseu, CD I, Matosinhos, 2001; FARIA, Ana Santiago, Carlos Massa, pintor de "Milagres" em Marialva, Mêda, 2001; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações - em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2006; Actualização - não definido.
Vale de Maria Pais
CNS: 7377;Tipo: Menir; Distrito/Concelho/Freguesia: Viseu/Penedono/Antas;
Período: Neo-Calcolítico; Descrição: Monólito granítico de grandes dimensões encostado a afloramentos, também graniticos. O menir está totalmente afeiçoado e decorado, sendo de salientar a representação de um eventual motivo solar. Possui 2,98m de altura conservada e 1m de diâmetro, com secção quase oval. A disposição dos motivos decorativos faz supor que originalmente medisse cerca de 5 a 6m de altura.
Meio: Terrestre;
Classificação: -
Conservação: -
Processos: 90/1(056) e S – 07377.
Beselga
Povoação e freguesia do concelho de Penedono, comarca de Moimenta da Beira, distrito de Viseu e diocese de Lamego, orago de Santa Cruz.
Durante a extinção do concelho de Penedono (07-09-1895 a 13-01-1898) este anexa aos concelhos da Meda e de Sernancelhe. Foi também curato anexo à reitoria de S. Miguel das Antas e da apresentação do seu reitor.
À distância de uma légua fica o lugar da Bezelga com cento e trinta vizinhos.
Beselga, Penedono - Memórias paroquiais, vol. 7, nº 14, p. 831 a 838
Transcrição
(fl. 831) <Bezelga termo Penedono comarca Pinhel> n. 14
Rellaçam do que se conthera nos interrogatorios incertos no mapa expedido por ordem do Excelentissimo Reverendissimo senhor bispo deste bispado de Lamego
Emquanto ao que pertence à terra
Ao primeyro interrogatorio: He esta terra da provincia da Beyra alta Bispado de Lame-go comarca de Pinhel termo da villa de Penedono anexa da matriz de Sam Miguel das Antas.
Ao segundo: he esta terra de el rey nosso senhor que Deus guarde muitos e felices anos.
Ao terceyro: tem este lugar da Bezelga cento trinta e cinco vezinhos, trezentos e seis pessoas mayores e menores cimcoenta e duas ausentes catorze e mentecaptas duas e sem serem de sacramento sesenta.
Ao coarto: está situada quasi no concavo de hum valle circundada de tres serras da qual se não descobrem mais que o castello da villa de Penedono e a igreja do lugar das Antas. O castello dista huma legoa e a igreja das Antas meya legoa.
Ao quinto: nam tem termo porquanto o he da villa de Penedono nem tem aldeyas ou lugares anexos.
Ao sexto: está a parrochia no meyo do lugar a este não há mais que rellatar.
Ao septimo: he freguesia e orago de Santa Cruz tem tres altares hum mayor e dous colaterais o mayor he da veneração de Santa Cruz os dous colateraes sam o da mam direyta de Nossa Senhora do Rozario e o da esquerda de Sam Sebastiam não tem naves tem huma irmandade das Almas e tres confrarias huma do Santissimo Sacramento outra de Nossa Senhora do Rozario e outra de Sam Sebastiam.
(fl. 832) Ao outavo: o parrocho he cura annual apresentado pelo reverendo reytor da freguesia de Sam Miguel das Antas tem de pençam outenta alqueyres de centeyo qua-renta de trigo quarenta almudes de vinho e hum de azeyte doze melladas de linho mil e duzentos reis em dinheyro e dezoito arrates de cera vallada(?).
Ao nono nada
Ao decimo nada
Ao undecimo nada
Ao duodecimo nada
Ao decimo terceyro tem duas capellas huma do povo da invocaçam de Nossa Senhora da Emcarnaçam distante do povo hum tiro de escopeta outra particular da invocaçam de Santa Antonio e Almas que mandou fazer o padre Gonçallo Lopes mista(?) às suas cazas em huma borda do povo.
Ao decimo quarto nada
Ao decimo quinto: os frutos que os moradores recolhem em mays abundancia sam centeyo milham castanhas e algum trigo.
Ao decimo sexto: he sogeyta às justisas da villa de Penedono e no mais nada.
Ao decimo septimo nada
Ao decimo outavo nada
Ao decimo nono nada
Ao vigessimo: nam tem correyo mas servesse de tres que sam o de Muimenta da Beyra o de Trancozo e o da Lapa que cada hum delles dista de tres legoas.
Ao vigessimo primeyro dista da cidade de Lamego capital do bispado sette legoas e da de Lisboa capital (fl. 383) do reyno sesenta legoas.
Ao vigessimo segundo nada
Ao vigessimo terceyro nada
Ao vigessimo coarto nada
Ao vigessimo quinto nada
Ao vigessimo sexto pella Mizericordia de Deus nada
E ao vigessimo septimo não há couza mais alguma digna de memoria de que se faça rellaçam.
Quanto às Serras
Ao primeyro. Tem tres serras que a cercuitam huma chamada do Monte Serigo para a parte do nascente outra chamada das Fayas para a parte do sul e outra chamada de Cimo e Quintinho para a parte do norte.
Ao segundo. Tem a serra do Monte Serigo huma legoa de cumprido e outra de largo e alto e das Fayas quasi dela uma legoa de cumprido e meya de largo em partes esta principio no sitio da cabeça do Payva finda na quinta do Covelho e aquella principia junto à villa de Penedono e finda junto ao lugar das Antas e a do Limo tem mais de meya legoa de cumprido e meya de largo principia no settio do Quintinho e finda quasi junto a Santa Eufemea ermida anexa da Abbadia do Salvador da villa (fl. 384) de Penedono
Ao terceyro tem a serra do Monte Serigo tres braços principaes ou uteis para a parte do poente que sam o da Barrozam quinta la de el rey e valle de arada e leste nada mais.
Ao coarto entre as duas serras do monte Serigo e do Limo nasce huma ribeyra que corre quase tudo o anno vadiavel junto a este lugar para a parte do Norte a qual se mete no rio Tavora junto à villa da Ponte.
Ao quinto. No principio da Serra para a parte do norte esta situada a villa de Penedono no meyo para a parte do nascente está situado o lugar da Ferranha anexo da abbadia de Sam Pedro de Penedono e no fim para a parte do sul esta situado o lugar das Antas declarando com tudo que esta serra he a do Monte Serigo.
Ao sexto nada
Ao septimo nada
Ao outavo são as referidas serras povoadas de pilrros e geestas para o lume em partes de curtavam para centeyo.
Ao nono nada
Ao decimo são as referidas ásperas de bastante callor de veram e demasiado frio no inverno.
(fl. 385) Ao undecimo produzem as referidas serras pastos para gados meudos e nellas se cria caça de coelhos perdiz lebres e rapozas.
Ao duodecimo nada
Ao decimo terceyro. Nam há nas referidas serras couza alguma mais que possa dizerse.
Quoanto ao rio
Ao primeyro. Tem este lugar de Bezelga huma ribeyra que ja fica referida que nasce juncto ao Penedono com pouca agoa.
Ao segundo. Nasce munto … porem corre todo anno.
Ao terceyro nada
Ao coarto nada
Ao quinto he a referida ribeyra quieta por toda the se meter no rio Tavora.
Ao sexto corre da parte do nascente para a do poente.
(fl. 386) Ao septimo nada
Ao outavo nada
Ao nono nada
Ao decimo e ultimo a mayor parte das margens da referida ribeyra e por tudo crião arvores de ameeyros e salgueyros
Ao undecimo nada
Ao duodecimo nada
Ao decimo terceyro como já fica ditto entra no rio Tavora junto à villa da Ponte.
Ao decimo coarto nada
Ao decimo quinto tem tres pontes de pao com pedras lavradas no lemite deste lugar.
Ao decimo sexto tem sette moinhos que moem pam desde o tempo dos Santos the o mes de junho.
Ao decimo septimo nada
Ao decimo outavo das agoas da referida ribeyra uzam todos os povos para a cultivar(?) dos frutos(?) livremente.
Ao decimo nono tem duas legoas e meya de cumprida passa junto deste lugar do do Seyxo e do de Ferreyrim e acaba junto à villa da Ponte onde se mete no rio Tavora.
E ao vigesimo e ultimo não há mais couza alguma digna de rellatarse allem do referido.
(fl. 387) A qual rellaçam eu o padre Manoel de Azevedo cura actual neste lugar da Bezelga aqui fis escrever bem fielmente e na verdade em firmeza da qual me assigney neste lugar da Bezelga aos cimco dias do mes de Mayo de mil settecentos cincoenta e outo anos sobre dito a fez escrever e assignei.
O padre Manuel de Azevedo [assinatura autógrafa]
Do seu património histórico e cultural salientemos:
- Igreja Matriz de santa Cruz.
- Capela do Divino Senhor dos Passos.
- Capela de Santo António.
- Ponte romana.
No primeiro domingo de Setembro, temos a festa em honra do Divino Senhor dos Pas-sos.
MANUEL DE ANCIÃES
Registo de Passaportes
Requerente: José Joaquim da Fonseca Filiação: Manuel Joaquim da Fonseca Idade: 17 Profissão: Estado Civil: Lugar: Beselga Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Rio de Janeiro 1871-04-19.
Requerente: Manuel da Cruz Fonseca Filiação: Idade: 26 Profissão: Estado Civil: Sol-teiro Lugar: Beselga Freguesia: Concelho: Penedono Destino: Rio de Janeiro 1879-03-22.
Primeiros Mancebos Registados no Exército
António Joaquim, filho de Manuel Lopes, residente na Bezelga, incorporado em 20 de Outubro de 1863, com o número 2, seleccionado em 1863.
Manuel Tomaz, filho de Manuel Afonso e de Maria Antónia, residente na Beselga, incorporado em 23 de Setembro de 1864, com o número 64, seleccionado em 1862.
A partir da polução total residente em 1871, na Bezelga, 595, foi pedido um mancebo que se seleccionou da análise de 5 recenseados.
Processos Tribunal Santo Ofício – Inquisição
Processo de Manuel Ferreira Peixoto
Património Edificado
Igreja Matriz de Beselga / Igreja de Santa Cruz
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812020060; Designação -Igreja Matriz de Beselga / Igreja de Santa Cruz; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Beselga; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - religiosa: igreja matriz; Utilização Actual - religiosa: igreja matriz; Propriedade - privada: Igreja Católica; Afectação - sem afectação; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa -não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações – em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Capela do Senhor dos Passos
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812020061; Designação - Capela do Senhor dos Passos; Localização - Portugal, Viseu, Penedono, Beselga; Acesso - não definido; Pro-tecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Complementar - não definido; Utilização Inicial - religiosa: capela; Utilização Actual - religiosa: capela; Propriedade - privada: Igreja Católica; Afectação -não definido; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - arquitectura religiosa; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - não definido; Materiais - Não definido; Bibliografia - Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não defini-do;Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações – em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
Ponte em Beselga
IPA – Monumento; Nº IPA - PT011812020062; Designação - Ponte em Beselga; Loca-lização - Portugal, Viseu, Penedono, Beselga; Acesso - não definido; Protecção - não definido; Enquadramento - não definido; Descrição - não definido; Descrição Comple-mentar - não definido; Utilização Inicial - comunicações e transportes: ponte; Utilização Actual - não definido; Propriedade - não definido; Afectação - não definido; Época Construção - não definido; Arquitecto | Construtor | Autor - não definido; Cronologia - não definido; Tipologia - arquitectura de comunicações e transportes; Características Particulares - não definido; Dados Técnicos - Não definido; Materiais - não definido; Bibliografia- Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. III, Matosinhos, 1997, p. 620; Documentação Gráfica - não definido; Documentação Fotográfica - não definido; Documentação Administrativa - não definido; Intervenção Realizada - não definido; Observações - em estudo; Autor e Data - Paula Figueiredo 2002; Actualização - não definido.
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